
RENMOZ 2025 Confirma Novo Fôlego Para Energias Renováveis: Moçambique Procura Equilíbrio Entre Potencial, Financiamento e Regulação
- Associação Moçambicana de Energias Renováveis destaca avanços institucionais, novos programas e desafios estruturais; país precisa de até 80 mil milhões de dólares para a transição energética até 2050
A Conferência RENMOZ 2025 confirmou a centralidade das energias renováveis no futuro energético e económico de Moçambique, num momento em que se reforçam investimentos, regulações e programas, mas persistem desafios relacionados com o financiamento, o ambiente regulatório e a percepção de risco junto da banca.
Conferência Como Marco de Alinhamento Estratégico
A edição 2025 da RENMOZ – Conferência sobre Energias Renováveis – reuniu mais de 40 oradores, em 14 sessões de debate, envolvendo actores públicos, privados e parceiros de desenvolvimento. Para Epifânia Gove, da AMER, o encontro representou um “espaço de auscultação aberta entre os sectores” e permitiu “alinhar expectativas, avaliar progressos e discutir soluções para os principais desafios do sector”.
Não Há Plano B: As Renováveis São Incontornáveis
“Moçambique contribui com apenas 0,01% das emissões globais de CO₂, mas é um dos países mais vulneráveis aos impactos das mudanças climáticas”, recordou Gove. Por isso, insistiu, “é imperativo que a programação económica nacional integre a variável climática”, sob pena de projectar sem sustentabilidade e comprometer o crescimento.
Oportunidades: Potencial de Classe Mundial e Estratégia de Transição
Com um potencial técnico estimado em 23.026 GW, Moçambique tem espaço para se tornar uma referência regional. Destacam-se 5.646 MW em hídrica, 599 MW em solar e 1.146 MW em eólica. O plano até 2030 prevê elevar a capacidade instalada de 2.900 MW para 9.472 MW, com mega-projectos como Mpanda Nkuwa, Boroma e Tsate.
A Estratégia de Transição Energética (ETE), lançada pelo Governo, assenta em quatro pilares fundamentais:
- Sistemas modernos baseados em renováveis;
- Industrialização verde;
- Acesso universal às energias modernas;
- Energias limpas nos transportes.
Ambiente de Mercado Positivo, Mas Ainda Complexo
Apesar do aumento de empresas a operar, sobretudo nos segmentos off-grid e miniredes, o ambiente de negócios ainda enfrenta obstáculos. Epifânia Gove destacou custos legais elevados, incerteza fiscal, dificuldades na legalização de projectos, restrições na exportação de dividendos, e exigências regulatórias do Banco Central.
Financiamento: A Principal Condição Para o Salto Qualitativo
Moçambique necessitará de até 80 mil milhões de dólares até 2050 para financiar a ETE. Destes, 1–2 mil milhões USD serão para miniredes, 500 a 1.000 milhões USD para sistemas solares domésticos e até 500 milhões USD para soluções de cozinha limpa.
A maior parte do financiamento actual é externa e concessionária. O financiamento local permanece limitado, devido às taxas de juro elevadas e à percepção de risco por parte da banca comercial. “Alguns bancos já estão a responder, mas é preciso mitigar o risco e bonificar as taxas”, defendeu Gove.
Modelos de Negócio Devem Evoluir Para Atrair Capital
Segundo a representante da AMER, os modelos de negócios no sector precisam ser mais robustos, com planos financeiros mais bem estruturados e com maior previsibilidade de retorno, para reduzir a percepção de risco dos bancos e atrair linhas de crédito dedicadas às PME’s do sector.
Nova Legislação e Reformas em Curso
O Ministério dos Recursos Minerais e Energia está a implementar reformas estruturantes, incluindo a revisão da regulamentação de concessões e a criação da tarifa de acesso universal. A nova Lei da Electricidade e a estratégia da transição energética são pilares dessa modernização que, segundo Gove, “foram bem acolhidos pelo sector”.
Contudo, persistem críticas à falta de clareza nos incentivos fiscais, à morosidade na legalização de projectos, e à ausência de instrumentos de apoio ajustados à realidade das pequenas empresas do sector.
O Papel da AMER Como Plataforma de Diálogo e Influência
A AMER representa mais de 100 membros activos, promovendo fóruns bianuais e sessões técnicas dedicadas a subsectores como miniredes, solar, hídrica, cozinha limpa e armazenamento energético. Para Gove, o papel da associação é o de “gestora de pontes” entre o sector privado, o governo e os parceiros de cooperação, influenciando reformas e promovendo um ambiente de negócios mais competitivo e inclusivo.
Renováveis São Estratégicas Para o Desenvolvimento Sustentável
A RENMOZ 2025 assinala um momento-chave para consolidar os progressos e acelerar o ritmo de desenvolvimento do sector. Moçambique dispõe de recursos, de uma visão estratégica e de interesse dos parceiros. Mas só com reformas consistentes, financiamento acessível e coordenação entre actores será possível atingir o acesso universal à energia, promover a justiça climática e posicionar o país como plataforma energética regional baseada em fontes limpas e sustentáveis.
Technip Energies Ganha Contrato Relevante Para Segundo FLNG Em Moçambique
25 de Fevereiro, 2026
Mais notícias
-
PAE: CTA propõe que 50% das receitas do Fundo Soberano seja investida no País
27 de Fevereiro, 2023 -
União Africana apela à resolução pacífica da crise pós-eleitoral em Moçambique
27 de Dezembro, 2024
Sobre Nós
O Económico assegura a sua eficácia mediante a consolidação de uma marca única e distinta, cujo valor é a sua capacidade de gerar e disseminar conteúdos informativos e formativos de especialidade económica em termos tais que estes se traduzem em mais-valias para quem recebe, acompanha e absorve as informações veiculadas nos diferentes meios do projecto. Portanto, o Económico apresenta valências importantes para os objectivos institucionais e de negócios das empresas.
últimas notícias
Mais Acessados
-
Economia Informal: um problema ou uma solução?
16 de Agosto, 2019














