
Sasol Prepara Exportação De Combustível Sustentável Para Aviação Para A Europa
Certificação internacional abre caminho ao SAF sul-africano num mercado exigente e em rápida transformação regulatória
- Sasol obtém certificação que permite exportar combustível sustentável para aviação (SAF) para a União Europeia;
- Empresa aponta para produção de até 200 milhões de litros até 2030;
- Europa exige mistura mínima de SAF de 6% até 2030 e 70% até 2050;
- África do Sul posiciona-se como potencial fornecedor global;
- Custos e certificação continuam a ser principais desafios de competitividade.
Certificação abre nova frente de exportação energética
A sul-africana Sasol prepara-se para entrar no mercado europeu de combustíveis sustentáveis para aviação (SAF), após obter certificação internacional que valida os seus processos de produção.
Segundo a Reuters, a empresa recebeu a certificação ISCC Plus de uma entidade alemã, permitindo-lhe exportar SAF para a União Europeia, um mercado cada vez mais exigente em termos de sustentabilidade energética.
Este passo marca uma inflexão estratégica para a empresa e para o sector energético africano, ao abrir acesso a cadeias de valor mais sofisticadas e orientadas para a transição energética.
De exportador de matéria-prima a produtor de valor
Historicamente, a África do Sul — e o continente em geral — exporta matérias-primas que são posteriormente transformadas noutros mercados. No caso do SAF, esse padrão começa a inverter-se.
“Temos muito óleo de cozinha usado que está a ser exportado para a Europa, onde é transformado em combustível. Agora poderemos produzi-lo localmente”, afirmou Sarushen Pillay, executivo da Sasol, citado pela Reuters.
A mudança representa um avanço na captura de valor local e na industrialização da cadeia energética.
Escala de produção cresce com ambição climática
A Sasol prevê uma expansão progressiva da produção de SAF, com volumes iniciais entre 1 a 2 milhões de litros este ano, aumentando para cerca de 16 milhões em 2027 e até 100 milhões de litros em 2030.
Considerando também a produção no complexo de Secunda, a empresa aponta para um total de cerca de 200 milhões de litros até ao final da década, reforçando a sua estratégia de redução da pegada de carbono .
Esta trajectória alinha-se com as exigências regulatórias internacionais e com a crescente procura por combustíveis mais limpos no sector da aviação.
Europa impõe padrões exigentes e cria oportunidade de mercado
A União Europeia estabeleceu metas ambiciosas para a incorporação de SAF na aviação, exigindo uma mistura mínima de 6% até 2030, com aumento progressivo até 70% em 2050.
Este quadro regulatório cria uma oportunidade significativa para novos fornecedores, mas também impõe barreiras elevadas em termos de certificação, rastreabilidade e competitividade de custos.
Mercado europeu oferece oportunidade, mas exige competitividade
Apesar do potencial, o acesso ao mercado europeu não será automático. Especialistas apontam desafios relacionados com a certificação de combustíveis sintéticos e com a estrutura de custos.
“Este é um primeiro passo… a Sasol está a testar o mercado para perceber o diferencial de preço que pode obter”, afirmou James Reeler, especialista climático do WWF, citado pela Reuters.
A competitividade do SAF africano dependerá da capacidade de produzir a preços comparáveis aos mercados internacionais, mantendo padrões rigorosos de sustentabilidade.
África pode emergir como fornecedor global de SAF
Estudos indicam que a África do Sul tem potencial para produzir entre 3,2 e 4,5 mil milhões de litros de SAF por ano, utilizando biomassa e resíduos vegetais como matéria-prima.
Este potencial posiciona o país — e, por extensão, o continente — como um possível actor relevante na transição energética global, particularmente no sector da aviação.
Transição energética redefine estratégia industrial
A aposta da Sasol no SAF reflecte uma mudança mais ampla na estratégia industrial, combinando descarbonização com criação de novas oportunidades de negócio.
Num contexto em que o sector energético enfrenta pressões crescentes para reduzir emissões, iniciativas como esta mostram como empresas africanas podem posicionar-se em segmentos de maior valor acrescentado.
Entre oportunidade e exigência: o teste do mercado global
O avanço da Sasol para o mercado europeu de SAF ilustra tanto o potencial como os desafios da transição energética em África.
Se por um lado existe uma oportunidade clara de integração em cadeias globais de valor, por outro, o sucesso dependerá da capacidade de cumprir exigências técnicas, regulatórias e de custo.
Num mercado altamente competitivo, a sustentabilidade deixou de ser apenas uma opção — tornou-se um requisito de entrada.
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