
Sector Bancário Moçambicano Entre Resiliência, Risco e Estagnação do Crédito
Vasco José defende que política monetária expansionista não está a estimular a economia devido ao elevado contexto de risco e fraca mobilidade de capitais
Questões-Chave
- Rentabilidade da banca recuou em 2024, apesar de indicadores sólidos de liquidez e solvabilidade;
- Crédito à economia aumentou apenas 0,1% entre Janeiro de 2024 e Maio de 2025;
- Bancos preferem investir em títulos do Estado a conceder crédito ao sector privado;
- Concentração bancária e fuga de capitais agravam ineficiência na mobilização de recursos para a economia real.
Apesar da robustez dos indicadores de liquidez e solvabilidade, o sector bancário moçambicano revela sinais de estagnação no seu papel impulsionador da economia. Esta é uma das principais leituras da entrevista concedida pelo analista e consultor financeiro Vasco José ao Semanário Económico, que identifica falhas na transmissão da política monetária e alerta para o contexto de risco elevado que inibe a concessão de crédito.
Redução da Prime Rate Não Estimulou o Crédito
Segundo Vasco José, a política monetária adoptada pelo Banco de Moçambique desde 2024 — com sucessivas reduções da taxa directora e da prime rate — teve um efeito limitado na concessão de crédito à economia. Entre Janeiro de 2024 e Maio de 2025, o crescimento do crédito foi de apenas 0,1%, revelando uma economia praticamente estática.
“Este modelo assume que há oportunidades e que o risco é moderado. Mas o contexto actual é dominado por instabilidade política, insegurança, e fuga de capitais — factores que os bancos consideram na hora de emprestar”, sublinhou.
Apesar da robustez dos indicadores de liquidez e solvabilidade, o sector bancário moçambicano revela sinais de estagnação no seu papel impulsionador da economia. Esta é uma das principais leituras da entrevista concedida pelo analista e consultor financeiro Vasco José ao Semanário Económico, que identifica falhas na transmissão da política monetária e alerta para o contexto de risco elevado que inibe a concessão de crédito.
Redução da Prime Rate Não Estimulou o Crédito
Segundo Vasco José, a política monetária adoptada pelo Banco de Moçambique desde 2024 — com sucessivas reduções da taxa directora e da prime rate — teve um efeito limitado na concessão de crédito à economia. Entre Janeiro de 2024 e Maio de 2025, o crescimento do crédito foi de apenas 0,1%, revelando uma economia praticamente estática.
“Este modelo assume que há oportunidades e que o risco é moderado. Mas o contexto actual é dominado por instabilidade política, insegurança, e fuga de capitais — factores que os bancos consideram na hora de emprestar”, sublinhou.
Bancos Preferem Títulos a Financiamento Produtivo
Os principais bancos sistémicos — nomeadamente BIM, Standard Bank e BCI — redireccionaram os seus activos para aplicações de menor risco, como obrigações do Tesouro e depósitos interbancários, ao invés de expandir o crédito.
Exemplo disso é o Standard Bank, que, em 2024, afectou apenas 26% do seu investimento ao crédito, preferindo canalizar os fundos para títulos do Estado.
“Estes bancos têm depósitos baratos — correntes e à ordem — e conseguem manter rentabilidade sem precisar assumir riscos de crédito num contexto incerto”, explicou Vasco José.
Concentração e Ausência de Estratégias Inclusivas
A concentração do sector bancário em poucos actores — três bancos detêm mais de 50% dos activos, depósitos e crédito — é vista pelo analista como um entrave à concorrência e à inclusão financeira.
Vasco José alertou para a ausência de racionalidade na alocação de fundos públicos, que continuam a ser canalizados para os grandes bancos, em detrimento de microbancos especializados, como o GAPI ou o Microbanco de Confiança, com vocação para financiar sectores prioritários como a agricultura.
“Temos bancos que conhecem o território, sabem financiar o campo. Mas os fundos não chegam até eles. Isso distorce o sistema e acentua a concentração.”
Fuga de Capitais e Necessidade de Estabilização
Outro ponto crítico é o impacto da insegurança e da instabilidade política, que têm deteriorado o perfil de risco soberano de Moçambique. As agências de notação como Moody’s e Fitch baixaram a classificação do país, afectando a atracção de capitais externos.
“É preciso estabilizar o país. A percepção de risco afecta não só os bancos locais, mas também os fluxos internacionais que poderiam estimular o investimento produtivo.”
Sem Mudanças Estratégicas À Vista Para 2025
Questionado sobre as perspectivas para o segundo semestre de 2025, Vasco José afirmou não esperar alterações significativas no comportamento da banca, que continuará a privilegiar a segurança dos investimentos em detrimento do financiamento ao sector produtivo.
“A pressão para apresentar resultados aos accionistas manterá os bancos na mesma trajectória. A economia, tal como está, não permite ousadias.”
Política Monetária Precisa de Reformulação
A análise de Vasco José aponta para a necessidade de repensar o modelo de política monetária, cuja lógica clássica de estímulo via redução das taxas de juro não se ajusta ao contexto de risco e baixa confiança que caracteriza a economia moçambicana actual. Sem mudanças estruturais, o sector bancário poderá manter-se rentável, mas pouco relevante para o crescimento inclusivo e sustentável do país.
Mais notícias
-
Nyusi reconhecido pelo Banco Mundial
27 de Julho, 2023 -
País quer reduzir importação de arroz com apoio do Brasil
2 de Maio, 2023
Conecte-se a Nós
Economia Global
Mais Vistos
Sobre Nós
O Económico assegura a sua eficácia mediante a consolidação de uma marca única e distinta, cujo valor é a sua capacidade de gerar e disseminar conteúdos informativos e formativos de especialidade económica em termos tais que estes se traduzem em mais-valias para quem recebe, acompanha e absorve as informações veiculadas nos diferentes meios do projecto. Portanto, o Económico apresenta valências importantes para os objectivos institucionais e de negócios das empresas.
últimas notícias
Mais Acessados
-
Economia Informal: um problema ou uma solução?
16 de Agosto, 2019 -
Governo admite nova operadora para a Mozal após suspensão das operações
14 de Março, 2026















