
Standard Bank Admite Crescimento Inferior A 1,1% Em 2026 E Aponta Recuperação Lenta Da Economia
- Economista-chefe alerta para contração no segundo trimestre e inflação a subir para 6,4%, enquanto banco vê retoma robusta apenas a partir de 2028
- Standard Bank admite risco de crescimento económico abaixo de 1,1% em 2026;
- Economia moçambicana saiu de uma contração de 0,5% em 2025, com sinais de recuperação frágil;
- Inflação poderá duplicar para 6,4% até ao final do ano;
- Paralisação da Mozal, choques climáticos e escassez de divisas pressionam actividade;
- Banco aponta potencial de crescimento de 10% a partir de 2028, impulsionado por grandes projectos.
economia moçambicana poderá registar um crescimento inferior a 1,1% em 2026, num contexto marcado por múltiplos constrangimentos internos e choques externos, segundo as mais recentes projecções apresentadas pelo Standard Bank durante a 22.ª edição do Economic Briefing, realizada em Maputo.
A leitura do banco reforça a ideia de uma recuperação lenta e desigual da actividade económica, após a contração estimada de 0,5% em 2025, num cenário em que os principais motores de crescimento continuam condicionados.
Actividade económica sob pressão no curto prazo
De acordo com o economista-chefe do Standard Bank, Fáusio Mussá, a trajectória da economia em 2026 deverá ser marcada por nova deterioração no curto prazo, com especial incidência no segundo trimestre.
“Estimamos que, após uma recuperação no último trimestre de 2025, o crescimento do PIB se torne negativo neste segundo trimestre de 2026”, afirmou, apontando um conjunto de factores críticos: a paralisação da Mozal, a materialização de riscos climáticos, pressões fiscais persistentes, desequilíbrios no mercado cambial e episódios de oferta intermitente de combustíveis.
Este conjunto de constrangimentos evidencia fragilidades estruturais da economia, particularmente no que respeita à dependência de grandes projectos e à vulnerabilidade a choques exógenos.
PIB per capita mantém-se em níveis baixos
Os dados preliminares do Instituto Nacional de Estatística apontam para um Produto Interno Bruto nominal de 1.431,6 biliões de meticais em 2025, equivalente a cerca de 22,4 mil milhões de dólares.
Para Mussá, este nível traduz-se num PIB per capita de apenas 657 dólares, um indicador que reflecte a limitada capacidade de geração de rendimento e os desafios persistentes em matéria de inclusão económica.
Pressão inflacionista volta ao centro das preocupações
Outro ponto de atenção destacado pelo Standard Bank prende-se com a evolução dos preços. O banco antecipa uma aceleração da inflação homóloga, que poderá passar de 3,2% no final de 2025 para 6,4% em Dezembro de 2026.
Na base desta projecção está, entre outros factores, o impacto do choque global de oferta associado ao conflito no Médio Oriente, que terá reduzido a oferta mundial de petróleo em cerca de 10%, pressionando os preços internacionais da energia.
Este contexto reforça os riscos sobre o poder de compra das famílias e sobre os custos de produção das empresas, num ambiente já caracterizado por fragilidades internas.
Infra-estruturas como factor crítico de resiliência
No plano estrutural, o economista-chefe alertou para a necessidade de acelerar o investimento em infra-estruturas, sublinhando que a ausência de uma base infra-estrutural robusta aumenta a vulnerabilidade do País a eventos climáticos adversos e compromete a atractividade para o investimento privado.
A leitura converge com as preocupações manifestadas por vários intervenientes no evento, que defenderam uma abordagem integrada entre sector público e privado para reforçar a capacidade produtiva e a resiliência económica.
Banco aponta horizonte de retoma robusta no médio prazo
Apesar do cenário desafiante no curto prazo, o Bernardo Aparício, administrador-delegado do Standard Bank, destacou uma perspectiva mais optimista para o médio prazo, ancorada na entrada em fase avançada dos grandes projectos estruturantes.
“Há uma luz ao fundo do túnel e estamos cada vez mais perto de voltar aos níveis de crescimento que tivemos no passado em Moçambique”, afirmou, acrescentando que “a partir de 2028, poderemos regressar a crescimentos de 10%”.
O responsável sublinhou ainda que este é um momento estratégico para investidores com visão de longo prazo, defendendo que o actual contexto deve ser encarado como uma janela de oportunidade para a preparação e estruturação de novos investimentos.
Energia e infra-estruturas no centro do debate económico
O evento decorreu sob o lema “Perspectivas Económicas para 2026: Moçambique e o Contexto Internacional” e integrou painéis dedicados à retoma dos projectos de petróleo e gás e ao investimento em infra-estruturas.
Os participantes destacaram a necessidade de reforçar as ligações entre infra-estruturas e áreas produtivas, bem como de promover uma maior integração do sector privado nacional nas cadeias de valor das multinacionais, particularmente no sector do gás natural liquefeito.
A convergência entre os diferentes intervenientes aponta para um diagnóstico comum: sem reformas estruturais, investimento em infra-estruturas e melhoria do ambiente de negócios, a economia moçambicana continuará a enfrentar dificuldades em transformar o seu potencial em crescimento efectivo e sustentável.
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