
Taxa de juro mantém-se inalterada
O Comité de Política Monetária (CPMO) do Banco de Moçambique decidiu manter a taxa de juro de política monetária – taxa MIMO, em 13,25%, uma decisão “sustentada pela manutenção das perspectivas de inflação em um dígito, não obstante a prevalência de riscos e incertezas elevados”, anunciou em comunicado divulgado esta quarta-feira, 17/11.
Com efeito, as previsões daquele Órgão do Banco Central apontam para uma menor aceleração da inflação, permanecendo na banda de um dígito, e um aumento contínuo da actividade económica, impulsionado pela procura externa e pela implementação dos projectos de gás na bacia do Rovuma.
Não obstante este reforço das perspectivas de crescimento da economia à curto e médio prazo, “o retorno ao crescimento económico continuará a exigir o aprofundamento de reformas estruturantes na economia, visando fortalecer as instituições, melhorar o ambiente de negócios, atrair investimento e gerar emprego ”, alerta o CPMO.
No que diz respeito as finanças públicas, mantém-se a perspectiva de uma pressão orçamental com agravamento do endividamento público. Desde finais de Setembro de 2021, a dívida pública interna, excluindo os contratos de mútuo e de locação e as responsabilidades em mora, aumentou em 1,8 mil milhões para 218,6 mil milhões de meticais.
O CPMO aponta, igualmente, para prevalência de elevados riscos e incertezas, destacando, na conjuntura doméstica, o impacto do ajustamento em alta dos preços dos combustíveis e a prevalência de incertezas quanto ao prolongamento e magnitude do impacto da pandemia da COVID-19 na economia e, ao nível externo, as incertezas em relação a evolução da pandemia, o aumento dos preços do petróleo e o prolongamento dos constrangimentos na cadeia de fornecimento de bens.
O Banco de Moçambique aumentou a taxa de política monetária em 300 pontos base, para 13,25% em janeiro de 2021, o maior aumento desde a introdução da taxa em 2017, devido ao agravamento dos riscos inflacionários com pressões para desvalorização do Metical.
Era expectável que o actual crescimento estável dos preços oferecesse mais espaço para uma flexibilização monetária, com condições menos restritivas. Por exemplo, A Fitch Solutions, no seu último Country Risk Report sobre a economia nacional, descortinava uma redução em 100 pontos base da taxa MIMO, para 12,25%, até o final de 2021. No entanto, tais expectativas veem-se agora baldadas com este último comunicado da Autoridade Monetária Nacional.
A próxima reunião ordinária do CPMO está agendada para o dia 26 de Janeiro de 2022.
















