Transporte aéreo reduz perdas e segue trajecto de franca recuperação 

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 – Este ano, o número de passageiro deve chegar aos 83% do níveis pré-pandemia, confirma a IATA.

A recuperação de viagens coloca em perspectiva a lucratividade das companhias aéreas, o sector reduz perdas para US$ 9,7 biliões (9,7 biliões de dólares). São dados divulgados pela Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA)  que actualizou as suas estimativas para o desempenho financeiro do sector aéreo em 2022, à medida que aumenta o ritmo de recuperação da crise da COVID-19.

A IATA revela que as perdas líquidas do sector devem cair para US$ 9,7 biliões (melhoria em relação à previsão de outubro de 2021 quando a perda foi estimada em US$ 11,6 bilhões) com a margem de perda líquida de -1,2%. Essa é uma grande melhoria em relação às perdas de US$ 137,7 biliões (-36,0% de margem líquida) em 2020 e US$ 42,1 biliões (-8,3% de margem líquida) em 2021.

Relativamente a lucratividade em todo o sector, os dados apontam para o regresso aos lucros já  em 2023: a América do Norte deve obter o lucro de US$ 8,8 biliões em 2022. Da análise dos dados e outro factores conjunturais e estruturais da aviação comercial, permitem concluir que os ganhos de eficiência e a melhoria dos rendimentos estão ajudar as empresas aéreas a reduzir as perdas, mesmo com o aumento dos custos de mão de obra e combustível (este último impulsionado pelo aumento de 40% no preço global do petróleo e aumento do crack spread este ano).

A forte demanda reprimida, o relaxamento das restrições de viagens na maioria dos mercados, o baixo desemprego na maioria dos países e a expansão das economias das pessoas a impulsionar  o ressurgimento da demanda; com isso, em 2022 o número de passageiros deve atingir 83% dos níveis pré-pandemia.

 Apesar dos desafios económicos actuais, no presente ano os volumes de carga devem bater recorde, atingindo 68,4 milhões de toneladas.

“As empresas aéreas são resilientes. O número de passageiros está cada vez maior. E o transporte aéreo de carga apresenta um bom desempenho em um cenário de crescente incerteza econômica. As perdas serão reduzidas para US$ 9,7 biliões este ano e a lucratividade deve ocorrer em 2023. É um momento de otimismo, mesmo com os desafios nos custos, principalmente do combustível, e algumas restrições persistentes em alguns mercados importantes”, disse Willie Walsh, diretor geral da IATA.

O sector da aviação comercial aponta como desafio para o ano em curso, 2022, a manutenção dos custos sob controlo. “A redução das perdas é resultado de um trabalho árduo para manter os custos sob controlo com o crescimento do sector. A melhoria nas estimativas financeiras se deve ao fato de que o aumento dos custos se manteve em 44% ao passo que as receitas aumentaram 55%. Com o sector a voltar a níveis mais normais de produção e com os altos custos de combustível que provavelmente permanecerão por um tempo, a lucratividade dependerá do controlo contínuo de custos. E isso envolve a cadeia de valor. Nossos fornecedores, incluindo aeroportos e provedores de serviços de navegação aérea, também precisam controlar custos assim como seus clientes para apoiar a recuperação do sector”, disse Walsh.

As receitas do sector devem atingir US$ 782 biliões (+54,5% em relação a 2021), 93,3% dos níveis de 2019. Os voos operados em 2022 devem totalizar 33,8 milhões, o que representa 86,9% dos níveis de 2019 (38,9 milhões de voos). As receitas do transporte de passageiros devem representar US$498 biliões das receitas do sector, mais que o dobro dos US$ 239 biliões gerados em 2021. O número de passageiros programados deve chegar a 3,8 biliões, com a receita medida em passageiro pagante/quilómetros (RPKs) a aumentar 97,6% em comparação com 2021 e atingindo 82,4% do tráfego de 2019.

À medida que a demanda reprimida é aliviada com a flexibilização das restrições de viagens, os rendimentos devem aumentar 5,6%. Esse resultado é uma evolução em comparação com os rendimentos de -9,1% em 2020 e +3,8% em 2021. As receitas do transporte de carga devem representar US$191 biliões das receitas do sector. Esse resultado está um pouco abaixo dos US$ 204 biliões registrados em 2021, mas quase o dobro dos US$100 biliões registados em 2019.

Transporte de carga bate recorde

No geral, o sector deve transportar mais de 68 milhões de toneladas de carga em 2022, o que é um recorde. Com a pequena desaceleração do ambiente comercial, os rendimentos de carga devem cair10,4% em comparação com 2021. Esse resultado reverte parcialmente os aumentos de rendimentos de 52,5% em 2020 e 24,2% em 2021. Despesas As despesas gerais devem subir para US$ 796 bilhões. Esse é um aumento de 44% em relação a 2021, que reflete tanto os custos de suporte a operações maiores quanto o custo da inflação em alguns itens principais. Combustível: Com US$ 192 bilhões, o combustível é o item de maior custo do sector em 2022 (24% dos custos gerais, acima dos 19% em 2021). Isso se baseia no preço médio esperado para o petróleo Brent de US$ 101,2/barril e US$125,5 para o querosene de aviação. As empresas aéreas devem consumir 321 biliões de litros de combustível em 2022, em comparação com os 359 biliões de litros consumidos em 2019.

A guerra na Ucrânia mantém os preços do petróleo Brent em alta. No entanto, o combustível representará cerca de ¼ dos custos em 2022. Uma característica particular do mercado de combustíveis deste ano é o alto spread entre os preços do petróleo bruto e do combustível de aviação. Este crack spread permanece bem acima dos valores históricos, principalmente devido a restrições de capacidade nas refinarias. Os investimentos insuficientes nessa área podem manter o spread elevado em 2023. Enquanto isso, os altos preços do petróleo e do combustível devem fazer com que as empresas aéreas melhorem sua eficiência de combustível por meio do uso de aeronaves mais eficientes e decisões operacionais.

Crescimento do PIB mundial vai ajudar

O cenário macroeconómico global é fundamental para as perspectivas do sector,   previsão incorpora, nessa perspectiva, uma premissa de crescimento sólido do PIB global de 3,4% em 2022, abaixo da forte recuperação de 5,8% no ano passado. A inflação subiu e deve permanecer elevada em 2022, diminuindo ao longo de 2023. E, enquanto as taxas de juros nominais sobem, as taxas de juros reais devem permanecer baixas ou negativas por um bom período.

Neste momento, os factores de risco associados às estimativas são vários. A Guerra na Ucrânia é tida como de pequeno impacto comparativamente a tragédia humanitária que se desenrola. As previsões  assumem que a guerra na Ucrânia não deve ir além de suas fronteiras. Entre os muitos impactos negativos desse conflito para a aviação estão o aumento dos custos de combustível e a redução da demanda devido ao menor índice do sentimento do consumidor.

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