Na sua comunicação relativa a Conjuntura Económica e Perspectivas de Inflação, referente ao primeiro trimestre do ano, o Banco de Mocambique (BdM), indica que o PIB real cresceu em 4,1%, no I trimestre de 2022, a reflectir a contínua melhoria da procura e a recuperação dos sectores mais afectados pela COVID-19, na sequência do alívio das medidas restritivas, a nível doméstico e externo. No curto prazo, acrescenta o BdM, mantêm-se as perspectivas de recuperação da economia, em face (i) da abertura da economia no pós- COVID-19, (ii) do início da execução de projectos energéticos estruturantes no país e,  (iii) da retoma do programa com o Fundo Monetário Internacional (FMI), que poderão impulsionar a actividade económica, não obstante as perspectivas de abrandamento da procura externa, associadas ao prolongamento do conflito Rússia-Ucrânia.

O conflito é referenciado pelo BdM, como estando a impactar severamente na inflação e perspectivas de curto prazo, por via do aumento dos preços dos bens administrados e a sua repassagem para os preços dos demais bens e serviços.

Actividade Económica no Curto Prazo, indicado no “Conjuntura Económica e Perspectivas de Inflação, Julho, 2022, revela que o desempenho observado no I trimestre de 2022 foi determinado pela manutenção do alívio das medidas restritivas, tanto a nível doméstico como externo, que contribuiu para a contínua melhoria da procura e recuperação dos sectores mais afectados pela COVID-19, com destaque para as indústrias extractiva e transformadora, o comércio e serviços de transportes e de hotelaria e restauração.

Alumínio e carvão mineral arrastam exportações para US$ 724 milhões

Do ponto de vista de componentes da procura  agregada, destaca-se, no documento do BdM o facto de melhoria da procura externa ter impulsionado o aumento das exportações no I trimestre de 2022. Com efeito, no período em  referência o valor das exportações de bens incrementou face ao período homólogo do ano anterior, em USD 724 milhões, dos quais USD 575 milhões são atribuídos aos grandes projectos, a reflectir o efeito combinado do aumento do volume e de preços das mercadorias no mercado internacional. Os sectores que mais contribuíram no total das exportações foram o extractivo e o industrial, com destaque para o carvão mineral e o alumínio . Entretanto, o saldo de bens deteriorou-se devido ao aumento significativo das importações, resultante da importação da plataforma flutuante Coral Sul FLNG, indica o boletim de conjuntura do BdM, para acrescentar ainda que,  perspectiva-se que, a curto e médio prazos, as exportações continuem a aumentar, favorecidas pelo início da exportação do gás prevista para o quarto trimestre de 2022.

Despesa pública  aumenta

O BdM indica que a  despesa pública corrente no I trimestre de 2022 incrementou em 16,7% face ao trimestre homólogo de 2021, a reflectir, basicamente, a reabertura da economia, num contexto em que o investimento público continua condicionado à limitada capacidade financeira do Estado. No entanto, prossegue, espera-se que os desembolsos de fundos de ajuda externa para o apoio directo ao orçamento, no âmbito do novo programa financeiro com o FMI, impulsionem a despesa pública, sobretudo a componente de investimento que nos últimos anos tem sido sacrificada para   garantir o funcionamento da economia.

Crédito ao sector privado condiciona investimentos

O Conjuntura Económica e Perspectivas de Inflaçãofaz referencia ao  crescimento tímido do crédito ao sector privado facto que continua a condicionar a recuperação do consumo e investimentos deste sector, que poderão crescer a um ritmo mais brando em relação às outras componentes da procura agregada e com um impacto reduzido na inflação.

Dívida interna continua a crescer atingindo os 248.216,00 milhões de meticais

No segundo trimestre, indica a nossa fonte, manteve-se a pressão sobre o endividamento interno.

Com efeito, indica o boletim de conjuntura do BdM,   dívida interna do Estado incrementou, em termos acumulados até Junho, em 29.393,00 milhões de meticais, para, num cenário em que o aumento da taxa de juro resultou numa maior procura e subscrição de Obrigações do Tesouro . Espera-se que, a médio prazo, a entrada de fundos de parceiros para o apoio directo ao orçamento do Estado contribua para aliviar a pressão sobre as fontes internas de dívida pública.

Consolidam-se os sinais de recuperação da actividade económica

Os bons sinais apontam paraa recuperação sustentada, de entre outros factores, pelo alívio das medidas restritivas a nível doméstico e externo, aliado à execução de projectos energéticos estruturantes no País e à retoma do programa com o FMI, não obstante as perspectivas de abrandamento da procura externa. Estas perspectivas estão em linha com a avaliação favorável dos agentes económicos, a medir pela evolução dos índices de clima económico e de produção industrial. Não obstante esta recuperação, a actividade económica continuará ainda abaixo da capacidade productiva máxima do país

Posição externa sólida

O país continua com níveis confortáveis de reservas internacionais líquidas, termos em que, a posição externa do país, medida pelas reservas internacionais brutas (RIB), mantém-se satisfatória, tendo-se fixado em USD 3.029 milhões, na segunda quinzena de Julho, o equivalente a cerca de 5,0 meses de importações de bens e serviços, excluindo as importações dos grandes projectos.