Comércio marítimo global poderá, em 2023, registar maior queda em décadas

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  • Média de 2,1% pode se manter durante o próximo quinquénio; 

O comércio marítimo global em 2023 deve evoluir numa média de 2,1%. A taxa será a mais lenta quando comparada aos 3,3% registados nas três últimas décadas.

A tendência deve se manter até 2027, segundo a Conferência da ONU para o Comércio e Desenvolvimento, UNCTAD

A agência da ONU projecta uma evolução moderada de 1,4% no último ano, após recuperação significativa registada em 2021. Nesse período, o tipo de troca avançou 3,2% e o total de embarques rondou os 11 bilhões de toneladas.

A taxa do ano passado representa uma melhoria de sete pontos percentuais, em comparação com a queda de 3,8% verificada em 2020.

Na Revisão do Transporte Marítimo 2022, a UNCTAD  agrega estatísticas do comércio no sector e divulga uma análise das mudanças estruturais e cíclicas que afetam o tipo de troca, os portos e a navegação.

Na publicação, a agência da ONU recomenda que haja um maior investimento nas cadeias de abastecimento marítimo.

O argumento é que os portos, as frotas marítimas e as conexões com o interior devem estar mais bem preparados para futuras crises globais, mudanças climáticas e a transição para energia de baixo carbono.

O relatório aponta ainda a crise da cadeia de suprimentos dos últimos dois anos como tendo exposto a incompatibilidade entre a demanda e oferta de capacidade de logística marítima.

Como efeitos da situação aconteceram aumentos nas taxas de frete, congestionamentos e interrupções nas cadeias de valor globais.

Futuros desafios e transições

Estima-se que actualmente os navios transportem mais de 80% das mercadorias comercializadas globalmente. A percentagem é ainda maior para a maioria dos países em desenvolvimento.

Para dar resposta à situação, a publicação defende haver  necessidade urgente de aumentar a resiliência a choques que interrompem as cadeias de abastecimento, alimentam a inflação e afectam mais os mais pobres.

Para a secretária-geral da UNCTAD Rebeca Grynspan, é preciso que o mundo possa aprender com a actual crise da cadeia de suprimentos e preparar melhor para futuros desafios e transições.

As medidas propostas estão a melhorar a infraestrutura do sistema de transporte, renovar a frota e melhorar o desempenho dos portos e a facilitação do comércio. Outra recomendação é não atrasar a descarbonização do transporte marítimo.