
Países ricos comprometem-se a desbloquear centenas de milhares de milhões de dólares para a luta contra o clima
Espera-se que bancos multilaterais de desenvolvimento, como o Banco Mundial, aloquem 200 mil milhões de dólares adicionais para as economias de baixo rendimento, nos próximos tempos, significando um assumir de mais riscos, uma vez que a medida pode exigir das nações ricas a injecção de mais dinheiro.
Na cimeira de Paris para discutir o financiamento para a transição climática e os encargos da dívida pós-COVID dos países pobres, os líderes disseram que seus planos garantiriam milhares de milhões de dólares de investimento.
Uma promessa antiga de 100 mil milhões de dólares em financiamento climático para países em desenvolvimento também está a agora à vista, disseram os líderes.
Muitos dos presentes, no entanto, disseram durante a cimeira de dois dias que o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional estavam cada vez mais inadequados para enfrentar os desafios mais prementes e necessitavam de uma ampla reformulação.
“… esperamos um aumento global de 200 mil milhões de dólares da capacidade de empréstimo dos MDBs nos próximos dez anos, optimizando seus balanços e assumindo mais riscos”, disse o comunicado final da cimeira, citado obtido pela Reuters.
A secretária do Tesouro dos EUA, Janet Yellen, cujo país é o maior accionista do FMI e do Banco Mundial, havia dito antes da cimeira que os bancos de desenvolvimento tinham que primeiro espremer mais empréstimos antes que a possibilidade de aumentos de capital fosse considerada.
O documento final da cúpula pedia que cada dólar de empréstimos dos bancos de desenvolvimento fosse igualado por pelo menos um dólar de financiamento privado, o que, segundo analistas, deveria ajudar as instituições internacionais a alavancar mais 100 mil milhões de dólares de dinheiro privado em economias emergentes e em desenvolvimento.
Os anúncios marcam uma intensificação da acção dos bancos de desenvolvimento na luta contra as mudanças climáticas e definem uma direcção para novas mudanças antes de suas reuniões anuais no final do ano.
No entanto, alguns activistas climáticos criticaram os resultados.
“Embora o roteiro da Cimeira de Paris reconheça a urgência de recursos financeiros substanciais para reforçar a acção climática, apoia-se demasiado em investimentos privados e atribui um papel desproporcionado aos bancos multilaterais de desenvolvimento”, disse Harjeet Singh, chefe de estratégia política global da Climate Action Network International.
REDUÇÃO DA DÍVIDA
Na cimeira, os Estados Unidos e a China – há muito em desacordo sobre como lidar com as reestruturações da dívida dos países pobres – procuraram adoptar um tom mais conciliador depois de um acordo histórico ter sido alcançado na quinta-feira, 22 de Junho, para reestruturar 6,3 mil milhões de dólares em dívidas da Zâmbia, a maior parte com a China.
“Como as duas maiores economias do mundo, temos a responsabilidade de trabalhar juntos em questões globais”, disse Yellen em um painel de cúpula compartilhado com o primeiro-ministro chinês, Li Qiang, entre outros líderes.
No entanto, subsistem diferenças. A China – o maior credor bilateral do mundo – tem pressionado credores como o Banco Mundial ou o FMI para absorver parte das perdas, às quais as instituições e os países ocidentais se opõem.
“A China está pronta para se envolver nos esforços de alívio da dívida de forma eficaz, realista e abrangente, de acordo com o princípio da partilha justa de encargos”, disse Li.
COMPROMISSO CLIMÁTICO
O comunicado da cimeira refere que há uma “boa probabilidade” de finalizar, ainda este ano, uma promessa de financiamento climático de 100 mil milhões de dólares para países em desenvolvimento.
Muitos dos temas debatidos em Paris acolheram sugestões de um grupo de países em desenvolvimento, liderado pela primeira-ministra de Barbados, Mia Mottley, apelidada de “Iniciativa Bridgetown”.
“Há o consenso político de que esta questão é maior do que cada um de nós e temos de trabalhar em conjunto e os bancos multilaterais de desenvolvimento terão de mudar a forma como fazem negócios e isso é aceite”, disse Mottley no painel de encerramento da cimeira.
“Saímos de Paris não com discursos simples, mas com o compromisso de entrar nos detalhes granulares para garantir que o que concordamos aqui possa ser executado.”
A promessa de 100 mil milhões de dólares fica muito aquém das necessidades reais das nações pobres, mas se tornou simbólica do fracasso dos países ricos em entregar os fundos climáticos prometidos. Isso alimentou a desconfiança em negociações climáticas mais amplas entre países que tentam impulsionar medidas de redução de CO2.
“Se não pudermos moldar as regras neste tempo como outros antes, então seremos responsáveis pelo que potencialmente pode ser a pior realidade da humanidade”, disse Mottley.
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