
De Beers perde o controlo do fornecimento de diamantes
O novo acordo da De Beers com o Governo do Botswana que permite a empresa continuar a extrair e comercializar diamantes do País fez com que o Botswana assumisse uma maior parte do fornecimento e da receita global de diamantes.
As partes assinaram um acordo na semana passada que permite, por mais uma década, à De Beers comercializar diamantes extraídos no Botswana
Crucialmente para a subsidiária da Anglo American, ela também assinou um novo contrato de arrendamento de mineração por 25 anos a partir de 2029.
O acordo passou por meses de negociações, com o Presidente do Botswana, Mokgweetsi Masisi, a ameaçar cortar os laços com a De Beers caso o País não conseguisse um acordo melhor.
Isso é normal para negócios desse tipo, de acordo com Paul Rowley, Vice-presidente executivo da De Beers.
No entanto, o Botswana conseguiu um acordo muito melhor do que anteriormente, com uma maior percentagem de diamantes extraídos localmente a ir para a Okavango Diamond Company (ODC) do Governo.
Rowley disse ao The Money Show que o acordo anterior tinha 90% dos diamantes extraídos em Botswana para a De Beers e 10% para o ODC do Governo.
O valor aumentou para 25% no final do ano passado, e o actual acordo fará com que a quota do Governo nos diamantes aumente para 50% dentro de uma década.
A importância disto reside no facto de o Botsuana representar, por si só, 70% do fornecimento de diamantes da De Beers, ao que Rowley admitiu que irá diminuir devido ao novo acordo.

Mina de diamantes Debswana Jwaneng em Botswana
Alguns analistas disseram que isso resultará na diminuição lenta do controlo da De Beers sobre o fornecimento de diamantes, com a empresa a perder o controlo sobre os preços dos diamantes.
Historicamente, a De Beers tem um controlo apertado sobre a oferta global de diamantes, o que permitiu à empresa controlar artificialmente os preços, garantindo que a oferta estava sempre abaixo da procura.
Este acordo ameaça desfazer esse controlo. No entanto, a empresa não está preocupada com isso, prevendo uma crescente demanda por diamantes.
A De Beers procura também diversificar a oferta de diamantes fora do Botsuana. Rowley disse que a empresa está procurando expandir a produção em Angola e outros países vizinhos.
É importante ressaltar que ainda tem acesso às duas principais minas de diamantes do mundo em Botswana e o direito de continuar a exploração lá.
No entanto, enquanto a Debswana Diamond Company é uma joint venture 50-50 entre a De Beers e o Governo do Botswana, o Governo recebe 80% de seus ganhos como receita do Governo, enquanto a De Beers recebe apenas 20%.
Isso tem implicações significativas para a Anglo American, cujos accionistas devem votar sobre o negócio.
A De Beers contribui com 700 milhões de dólares por ano para o lucro operacional da Anglo American em média, o que representa cerca de 10% do total da empresa.
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