Lucros da Petromoc caem 78 por cento

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Os lucros da Petromoc caíram 78 por cento em 2022, agravando a situação financeira da distribuidora petrolífera nacional e ameaçando a sua continuidade, segundo as demonstrações financeiras a que a Lusa teve acesso.

De acordo coma Lusa, citando informação da empresa, a petrolífera tinha registado resultados líquidos de 901,4 milhões de meticais no exercício de 2021, pelo que a queda nos lucros em 2022, para 198,1 milhões de meticais, teve efeitos também no capital próprio, negativo, que passou para 480,7 milhões de meticais.

Este valor representa “menos de metade do capital social, o que coloca a companhia na situação descrita no artigo 119.° do código comercial”, o qual prevê que a sociedade seja disso) vida ou o capital seja reduzido, a não ser que os sócios realizem, em 60 dias, um aumento de capital.

Adicionalmente, recorda a empresa, detida pelo Estado e responsável pela importação, recepção, armazenagem, distribuição e comercialização de produtos petrolíferos, os passivos correntes “excediam” em 31 de Dezembro de 2022 os activos cor rentes em 379,8 milhões de meticais.

“ As situações acima descritas indicam que existe uma incerteza material que pode colocar dúvidas significativas sobre a capacidade da empresa em se manter em continuidade”, sublinha o documento, apontando, no entanto, que a empresa tem tomado medidas de mitigação.

Entre essas medidas contam se planos operacionais e de negócio de longo prazo “que espelham a possibilidade de melhoria dos indicadores económicos”, uma “garantia disponibilizada pelo accionista maioritário”, o Estado, no valor de 3.600 milhões de meticais “para permitir a continuidade na importação de combustível, actividade ‘core’, da Petromoc”.

Para garantir a viabilidade da empresa cujo universo integra ainda 16 subsidiárias, o documento sublinha, igualmente, que há o “compromisso firme do accionista maioritário no sentido de continuar a suportar as suas operações e garantir a continuidade, atestado pela carta de conforto”, bem como o “engajamento com o regulador” para a “implementação rigorosa da legislação que regula a actividade de modo a eliminar focos de concorrência desleal, principalmente, na gestão da rede de retalho e praticas comerciais agressivas”.

Acrescenta que está em curso uma “forte estratégia comercial para fazer face à forte e crescente concorrência no mercado, com maior aproveitamento das oportunidades de negócio decorrentes do crescimento e atractividade do mercado” da empresa, bem como um investimento na infra-estrutura de armazenamento e distribuição e na rede de retalho, “expandindo e modernizando a para maior eficácia, eficiência e atractividade”, em paralelo com a “redução dos custos operacionais alinhando os com a capacidade de geração de receitas”.

O Estado moçambicano tem uma participação directa de 60% no capital social da Petromoc, cuja rede de retalho conta com 120 postos de abastecimento e uma quota de mercado de 23 por cento.

A Petromoc, com mais de 400 trabalhadores, refere que opera com cinco terminais oceânicos, sete instalações aéreas e 11 depósitos intermédios, numa capacidade de armazenamento de combustíveis em todo o país de quase 445 mil metros cúbicos.

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