Ministro das Finanças do Japão não dá pistas sobre a intervenção face ao enfraquecimento do yen

0
633

O Ministro das Finanças japonês, Shunichi Suzuki, disse recentemente, que as moedas devem ser fixadas pelos mercados, embora os movimentos repentinos sejam indesejáveis, não tendo dado sinais claros de intervir no mercado para apoiar yen que se encontra enfraquecido, o que, entre várias conseqências, está a aumentar as despesas de importação.

“As moedas devem reflectir os fundamentos económicos… Estou a acompanhar de perto os movimentos da moeda”, disse Suzuki aos jornalistas, seguindo a linha oficial habitual.

“Não há qualquer alteração na minha opinião sobre as moedas desde (o que) afirmei anteriormente. Não há nada a acrescentar”, disse Suzuki, na passada sexta-feira, 26 de Agosto.

Alguns intervenientes no mercado ficaram surpreendidos com a falta de determinação em evitar que o yen caia para além dos 145 ienes face ao dólar. Uma quebra deste nível em Setembro passado desencadeou a primeira intervenção de compra de yen do Japão em 24 anos.

“Fiquei surpreendido com a falta de entusiasmo no comentário de Suzuki”, disse Daisaku Ueno, estratega-chefe de câmbio da Mitsubishi UFJ Securities. “Isso fez-me pensar que as autoridades japonesas vão esperar até que o dólar atinja um mínimo de 32 anos, perto dos 152 yen, para intervir.”

Especula-se nos mercados cambiais que as autoridades japonesas podem mudar de rumo em relação ao yen fraco, concentrando-se em medidas de política fiscal, como a manutenção de um subsídio à gasolina para mitigar o impacto dos aumentos de preços nos consumidores.

As autoridades também dizem que o yen mais fraco está a ajudar a atrair mais turistas estrangeiros, impulsionando o sector dos serviços.

Outra possibilidade era o facto de o Japão não conseguir obter a aceitação dos EUA para uma intervenção de venda de dólares.

O yen tem estado fraco ultimamente, com os investidores a apostarem que a Reserva Federal dos E.U.A. poderá continuar a subir as taxas de juro, ou mantê-las mais elevadas por mais tempo, em esforços de controlar a inflação, enquanto o Banco do Japão (BOJ, em inglês) mantém a sua política ultra-frouxa.

Os investidores estão atentos a quaisquer sinais de intervenção por parte das autoridades japonesas para apoiar a moeda em dificuldades.

No entanto, as autoridades japonesas raramente intensificaram os avisos verbais desde o mês passado contra os especuladores que tentam vender o yen.

O yen fraco fez subir as facturas de importação de combustíveis e alimentos, privando as famílias do poder de compra e levando o Primeiro-Ministro Fumio Kishida a procurar medidas para subsidiar os preços de retalho da gasolina e para mitigar os aumentos das facturas dos serviços públicos.

O BOJ continua a ser um caso isolado entre os bancos centrais mundiais com a sua política monetária frouxa, mesmo quando se afasta lentamente do controlo da curva de rendimentos.

SUBSCREVA O.ECONÓMICO REPORT
Aceito que a minha informação pessoal seja transferida para MailChimp ( mais informação )
Subscreva O.Económico Report e fique a par do essencial e relevante sobre a dinâmica da economia e das empresas em Moçambique
Não gostamos de spam. O seu endereço de correio electrónico não será vendido ou partilhado com mais ninguém.