Arábia Saudita vai prolongar corte voluntário de 1 milhão de barris por dia até ao final do ano

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  • A Arábia Saudita prolongou na terça-feira o seu corte voluntário de 1 milhão de barris por dia na produção de petróleo até ao final do ano, de acordo com a agência estatal Saudi Press.
  • Riade aplicou pela primeira vez a redução de 1 milhão de barris por dia em Julho e desde então tem vindo a prolongá-la mensalmente.
  • O corte junta-se a 1,66 milhões de barris por dia de outras reduções voluntárias da produção de crude que alguns membros da OPEP aplicaram até ao final de 2024.

A Arábia Saudita prolongou na terça-feira, 05 de Setembro, o seu corte voluntário de 1 milhão de barris por dia na produção de petróleo bruto até ao final do ano, de acordo com a agência estatal Saudi Press.

A redução colocará a produção de crude saudita perto dos 9 milhões de barris por dia em Outubro, Novembro e Dezembro e será revista mensalmente.

Riade aplicou pela primeira vez a redução de 1 milhão de barris por dia em Julho e desde então tem vindo a prolongá-la mensalmente. O corte vem juntar-se a 1,66 milhões de barris por dia de outras reduções voluntárias da produção de crude que alguns membros da OPEP aplicaram até ao final de 2024.

A Rússia – que lidera o contingente que se junta aos países da OPEP na coligação OPEP+ – também se comprometeu a reduzir voluntariamente as exportações em 500 000 barris por dia em Agosto e em 300 000 barris por dia em Setembro. O Vice-Primeiro-Ministro russo, Alexander Novak, disse na terça-feira, 05/09,  que vai prolongar a sua redução de 300 mil barris por dia de exportações até ao final de Dezembro de 2023 e que vai igualmente rever a medida numa base mensal, de acordo com o Kremlin.

Os cortes são descritos como voluntários porque estão fora da política oficial da OPEP+, que obriga cada membro não isento a uma quota de produção. O Secretário-Geral da OPEP, Haitham al-Ghais, afirmou anteriormente que o recurso a reduções voluntárias fora das decisões da OPEP+ não sugere divisões de pontos de vista políticos entre os membros da aliança.

O contrato de futuros ICE Brent com entrega em Novembro subia US$ 1,07 dólares por barril, para US$ 90,07 dólares por barril, às 14h13, hora de Londres, ou 9h13 em Nova Iorque, com os futuros WTI a subirem US$ 1,40 dólares por barril, para US$ 86,95 dólares por barril.

As apostas sauditas

A Arábia Saudita enfrenta um difícil acto de malabarismo entre a implementação de cortes na produção de petróleo e o golpe na sua economia dependente do crude. As perdas decorrentes da redução da produção – e, indirectamente, dos volumes de comercialização – podem ser parcialmente compensadas pelo aumento dos preços de venda de Riade e dos preços globais do petróleo que os sustentam.

Depois de ter ficado abaixo dos US$ 75 dólares por barril durante a maior parte do primeiro semestre do ano, os preços mundiais dos futuros subiram mais de US$ 10 dólares por barril durante o verão, impulsionados mais recentemente pelos riscos de segurança no Gabão, membro da OPEP, e pela ameaça de perturbações no Golfo do México, na sequência do furacão Idalia.

A Agência Internacional da Energia, sediada em Paris, prevê um aumento da escassez da oferta no segundo semestre de 2023, à medida que a procura recupera na China, o maior importador mundial de crude.

A Arábia Saudita depende das receitas do petróleo para apoiar vários dos chamados “giga-projectos” destinados a diversificar a sua economia. Os cortes na produção de crude e a queda dos preços do petróleo no início deste ano conduziram a um abrandamento do PIB de Riade, que registou uma expansão anual de 1,1% no segundo trimestre, contra 3,8% no trimestre anterior e 11,2% no mesmo período de 2022.

A Aramco, controlada pelo Estado saudita, vende habitualmente fornecimentos de crude através de contratos anuais que estabelecem frequentemente volumes mínimos a disponibilizar aos clientes. Embora a Aramco e os seus clientes possam concordar mutuamente em renunciar a este requisito, os clientes podem insistir em receber os volumes contratados – o que levaria a Arábia Saudita a retirar-se das suas existências cada vez mais reduzidas ou a aumentar a produção.

Em jogo está também a perspectiva de ceder quota de mercado à Rússia e ao Irão, que produzem petróleo bruto de qualidade semelhante à da Arábia Saudita e que têm dirigido as suas exportações principalmente para a China, oferecendo preços muito reduzidos.

Em meados de Agosto, o Ministro do petróleo iraniano, Javad Owji, disse, em comentários traduzidos pelo Google e divulgados pela agência de notícias da República Islâmica (IRNA), que o seu país estava a produzir 3,19 milhões de barris por dia, apesar das sanções americanas em curso, que privaram Teerão dos compradores europeus e da maioria dos asiáticos.

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