Economia das empresas com crescimento moderado em Agosto, depois do valor mais alto dos últimos 13 meses em Julho

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  • Confiança desce para o segundo valor mais baixo desde há quase três anos

O PMI™ Moçambique desceu para o valor mais baixo dos últimos sete meses em Agosto, enquanto as taxas de expansão de actividades e de novos negócios registaram uma diminuição depois dos recordes observados em Julho, revela o relatório mensal de inteligência de mercado do Standard Bank

De acordo com o PMI, o crescimento fraco das vendas deu origem a um menor optimismo em relação à actividade futura. Ainda assim, as empresas aumentaram os seus níveis de emprego e reforçaram os seus inventários pela primeira vez desde Maio.

No entanto, constata o PMI, as empresas moçambicanas registaram uma menor pressão em relação às despesas uma vez que a ligeira descida dos preços de compra ajudaram a compensar um novo aumento dos salários.

“As empresas voltaram a registar um aumento dos preços de venda, embora de forma moderada”, sublinha o relatório.

O principal valor calculado pelo inquérito é o Purchasing Managers’ Index™ (PMI™). Valores acima de 50,0 apontam para uma melhoria nas condições das empresas no mês anterior, ao passo que valores abaixo de 50,0 mostram uma deterioração.

Depois de assinalar 51,9 em Julho, o valor mais alto dos últimos 13 meses, o índice básico desceu para 50,4 em Agosto. Este indicador foi o mais baixo registado nos últimos sete meses e assinalou apenas uma ligeira melhoria na saúde do sector privado.

A redução do PMI provocou um abrandamento significativo no crescimento de novos negócios, que registou o valor mais baixo do atual período de expansão de sete meses.

“Diversos membros do painel indicaram dificuldades na aquisição de novos trabalhos, embora outros tenham conseguido obter novos clientes. No entanto, é de salientar que a subida mais fraca das vendas seguiu- se à recuperação mais sólida dos últimos 14 meses no mês de Julho”, lê-se no relatório PMI Moçambique do Standard Bank referente ao mês de Agosto.

Desta forma, prossegue o PMI, os níveis de actividade aumentaram de forma ligeira e a um nível mais fraco durante o mês de Agosto, com a taxa de crescimento a registar o valor mais baixo dos últimos seis meses.

“Os dados do sector indicaram que o enfraquecimento da construção teve influência na produção, enquanto o menor número de novas encomendas deu origem a uma contração mais acentuada nesta categoria. Em comparação, registaram-se expansões nos sectores da agricultura, industrial, comércio por grosso e a retalho e dos serviços”.

Entretanto, em Agosto, as empresas moçambicanas efetuaram novas adições aos seus trabalhadores, com os últimos dados a indicarem um ligeiro aumento dos postos de trabalho. A maior capacidade laboral ajudou a controlar os volumes de encomendas em atraso, que diminuíram ligeiramente pelo sexto mês consecutivo.

De forma semelhante, as empresas expandiram novamente as suas actividades de aquisição após o novo aumento registado em Julho. Os stocks de aquisições também aumentaram, assinalando a primeira acumulação em três meses. Dito isto, as taxas de crescimento de ambas as métricas foram apenas ligeiras, enquanto diversas empresas assinalaram que a procura de meios de produção relativamente baixa deu origem a prazos de entrega mais rápidos e à primeira diminuição dos preços de aquisição desde Janeiro.

Os custos gerais dos meios de produção continuaram a subir em Agosto, impulsionados por novo aumento dos salários. No entanto, a dissipação das pressões relativas aos preços de aquisição fez com que a inflação geral dos custos dos meios de produção fosse ligeira e abrandasse para o valor mais baixo dos últimos seis meses.

Ao mesmo tempo, em Agosto, as empresas aumentaram os preços de venda a um ritmo moderado e de forma semelhante ao registado em Julho, o valor mais alto dos últimos 10 meses. Os dados sugerem que várias empresas pretenderam proteger as suas margens.

As expectativas de produção para este ano voltaram a diminuir em Agosto, baixando para o segundo valor mais baixo desde o fim de 2020. Dito isto, de uma forma geral, as empresas continuam a prever uma expansão da atividade com a menção de novos produtos, investimentos e esperança de crescimento da base de clientes.

Comentando estas constatações do estudo, Fáusio Mussá, Economista-Chefe do Standard Bank – Moçambique, afirmou que o PMI de Agosto sugere que a actividade económica continua a recuperar gradualmente:

“No primeiro semestre de 2023, observou-se uma política mais restritiva, que se traduziu num aumento pronunciado dos coeficientes de reserva obrigatória, que se espera que produza o efeito desejado de uma desaceleração da inflação nesta segunda metade do ano, mas acompanhada de uma desaceleração do Produto Interno Bruto (PIB) que excluiu o sector dos recursos naturais. A inflação que se situou em 5,7% em Julho, em termos homólogos, deve ter descido para 5.5%, ano a ano, em Agosto, num contexto de estabilidade cambial e da à descida sazonal da inflação dos alimentos.

“O efeito combinado da política monetária, e das medidas de contenção fiscal aplicadas para resolver as questões da massa salarial e as pressões da dívida doméstica do Estado, poderá resultar numa desaceleração adicional do crescimento do PIB fora do sector dos recursos naturais ao longo deste ano. O crescimento do PIB excluindo os recursos naturais desacelerou para 2,6% no primeiro semestre de 2023, em termos homólogos, após um crescimento de 3,4% no segundo semestre de 2022 e 4,3% no primeiro semestre de 2022. Nesta altura parece inevitável um crescimento mais lento do PIB excluindo o sector dos recursos naturais, para ajudar a aliviar as pressões associadas à liquidez em moeda externa, promovendo assim, a manutenção da estabilidade do Metical, num contexto de reformas em curso no mercado cambial, e de uma desaceleração adicional da inflação.”

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