
Banco de Portugal: Riscos para estabilidade financeira aumentaram
O Banco de Portugal (BdP) considerou na quarta-feira, 22 de Novembro, que aumentaram os riscos para a estabilidade financeira devido à economia e à recente crise política, segundo o relatório de estabilidade financeira publicado na quarta-feira, 22 de Novembro
De acordo com o Banco de Portugal, cita a agência Lusa, o crescimento dos riscos reflecte as elevadas taxas de juro, o abrandamento da economia e, “mais recentemente, a incerteza política”.
Contudo, acrescenta o banco central, que a incerteza trazida pela crise desencadeada pela demissão do primeiro-ministro (seguida de marcação de eleições antecipadas pelo Presidente da República) é “mitigada pela esperada aprovação do Orçamento do Estado para 2024 proposto pelo actual Governo”.
Questionada sobre se a crise política impacta a estabilidade financeira, a administradora do Banco de Portugal Clara Raposo disse que ter um orçamento ajudará a minorar essa incerteza, que advém sobretudo de não se saber “qual vai ser a direcção de política económica que um próximo Governo virá a escolher”.
Segundo o relatório, para o BdP os principais riscos e vulnerabilidades para a estabilidade financeira são, actualmente, a pressão sobre as contas públicas, a dificuldade das famílias e empresas em pagarem as dívidas e a baixa de preços das casas.
Quanto à pressão sobre as contas públicas, considera o BdP que tal é um risco se houver um abrandamento mais intenso da economia e se aumentar as despesas com juros, uma vez que as administrações púbicas são muito endividadas.
Além disso, se o Banco Central Europeu (BCE) decidisse reduzir o seu balanço tal significaria que haveria menos procura da dívida pública portuguesa. Ainda assim, considera o BdP que o ‘rating’ de Portugal e a consolidação orçamental mitigam estes riscos.
Quanto ao possível incumprimento dos créditos pelas famílias (sobretudo das que têm crédito à habitação a taxa variável), o BdP diz que se deve a inflação alta, taxas de juro altas e um possível agravamento da taxa de desemprego.
A mitigar esse risco está a redução do endividamento das famílias, o facto de as que têm crédito à habitação serem as que têm mais rendimentos e, sobretudo, a perspectiva de a subida da taxa de desemprego ser limitada pela escassez de trabalhadores no mercado de trabalho.
Para as empresas, o risco de não conseguirem pagar as dívidas advém também das taxas de juro elevadas e do abrandamento económico. Contudo, considera o BdP, que “a situação financeira das empresas é, em geral, robusta”.
Por fim, sobre a correcção de preços no mercado imobiliário residencial, o BdP diz que para já isso ainda não se verifica, mas admite o risco ainda que considere também que o facto de haver poucas casas disponíveis mitiga o impacto de grande descida dos preços.
Ainda no relatório, o BdP fala sobre o sistema bancário português considerando que, num momento de lucros e melhoria dos rácios de capital, o principal factor de risco é um potencial abrandamento mais significativo da actividade económica pelo impacto na capacidade de famílias e empresas pagarem os seus empréstimos.
Outro risco advém da exposição do sistema bancário português ao imobiliário residencial, pelo que uma descida dos seus valores impactaria nas garantias que os bancos têm. Os bancos também seriam impactados se houvesse desvalorizações pronunciadas dos activos financeiros.
Ainda na conferência de imprensa de apresentação do relatório, o governador do Banco de Portugal, Mário Centeno, disse que a taxa de juro real (que é a taxa de juro nominal menos a taxa de inflação) vai continuar a subir nos próximos meses pelo que “o aperto financeiro vai continuar durante mais algum tempo”.
Grandes Bancos Europeus estão a retirar-se de África
9 de Maio, 2024Rand valoriza-se, enquanto aguarda dados do emprego nos EUA
8 de Maio, 2024Amazon lança seu serviço de compras online na África do Sul
8 de Maio, 2024
Mais notícias
-
Mercado de açúcar com capacidade suficiente para atender às necessidades
30 de Janeiro, 2024
Sobre Nós
O Económico assegura a sua eficácia mediante a consolidação de uma marca única e distinta, cujo valor é a sua capacidade de gerar e disseminar conteúdos informativos e formativos de especialidade económica em termos tais que estes se traduzem em mais-valias para quem recebe, acompanha e absorve as informações veiculadas nos diferentes meios do projecto. Portanto, o Económico apresenta valências importantes para os objectivos institucionais e de negócios das empresas.
últimas notícias
Mais Acessados
-
Economia Informal: um problema ou uma solução?
16 de Agosto, 2019 -
Governo admite nova operadora para a Mozal após suspensão das operações
14 de Março, 2026













