EUA lideram coligação para triplicar energia nuclear até 2050, num esforço que diz ser para combater as alterações climáticas

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  • Os EUA e mais de 20 outros países se comprometeram a triplicar a energia nuclear até 2050 para atingir emissões líquidas zero de carbono e limitar as mudanças climáticas.
  • A declaração é o passo mais concreto dado até agora pelas principais nações para colocar a energia nuclear no centro do esforço de transição para a energia limpa.
  • O interesse pelo nuclear está a aumentar em todo o mundo devido ao reconhecimento crescente de que será necessária uma fonte fiável de eletricidade limpa para apoiar o papel cada vez mais importante da energia eólica e solar nas redes de energia.

Os Estados Unidos e mais de 20 outros países planeiam triplicar a energia nuclear até 2050 para atingir emissões líquidas zero de carbono e limitar as alterações climáticas.

“A energia nuclear, que respeita os mais elevados padrões de segurança, sustentabilidade, proteção e não-proliferação, tem um papel fundamental a desempenhar para manter o objetivo de 1,5°C”, afirmou o enviado dos EUA para o clima, John Kerry, numa declaração emitida durante o fim de semana na conferência da ONU sobre o clima no Dubai, Emirados Árabes Unidos.

Outras grandes economias que assinaram o acordo incluem o Canadá, o segundo maior produtor mundial de urânio; a França, líder mundial em energia nuclear; o Reino Unido; e o Japão, que sofreu um acidente nuclear devastador em 2011, desencadeado por um terramoto e um tsunami.

A declaração é o passo mais concreto dado até à data pelas principais nações para colocar a energia nuclear no centro do esforço de transição para as energias limpas.

O interesse pelo nuclear está a aumentar em todo o mundo devido ao reconhecimento crescente de que será necessária uma fonte mais fiável de eletricidade limpa para apoiar o papel cada vez mais importante da energia eólica e solar nas redes eléctricas. O nuclear é uma das poucas fontes de energia limpa que pode fornecer eletricidade sem interrupções quando a energia eólica e solar não estão disponíveis devido às condições meteorológicas.

“Os estudos confirmam que o objetivo de emissões líquidas zero de carbono a nível mundial só pode ser alcançado até 2050 com um investimento rápido, sustentado e significativo na energia nuclear”, afirmou o diretor da Agência Internacional da Energia Atómica, Rafael Mariano Grossi, num comunicado divulgado no Dubai na sexta-feira, 01 de Dezembro.

O chefe da Agência Internacional da Energia, Fatih Birol, disse no mês passado que a energia nuclear está a ter um “regresso muito forte”, mas é necessário o apoio do governo para os projectos.

De acordo com um relatório da AIE publicado em outubro, a capacidade de produção de energia nuclear tem de mais do que duplicar, passando de 417 gigawatts em 2022 para mais de 900 gigawatts em 2050, a fim de se atingirem emissões líquidas nulas de carbono até esse ano.

De acordo com o relatório da AIE, a capacidade nuclear aumentou 40% em todo o mundo em 2022, com a China, a Finlândia, a Coreia e o Paquistão a liderar o processo.

Mais de 40% das 61 centrais nucleares atualmente em construção situam-se na China, de acordo com a Associação Nuclear Mundial. A Índia e a Rússia também estão a investir fortemente na energia nuclear.

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