Rendimentos da África Subsariana estão a ficar mais atrasados em relação ao resto do mundo – FMI

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Os rendimentos na África Subsariana estão a ficar ainda mais atrás do resto do mundo no meio de uma recuperação económica “morna”, disse o Fundo Monetário Internacional (FMI) na sexta-feira, 19/04, alertando para os riscos da geopolítica, instabilidade interna e alterações climáticas.

O FMI afirmou no início desta semana que a economia da região crescerá 3,8% este ano, contra 3,4% em 2023, à medida que começa a emergir de quatro anos de choques, desde a pandemia da COVID-19 à invasão da Ucrânia pela Rússia e ao aumento das taxas de juro globais.

“Tendo em conta o crescimento da população, o fosso entre os rendimentos e o resto do mundo está a aumentar”, afirmou o Fundo no seu relatório semestral sobre as Perspectivas Económicas Regionais, lançado durante as suas reuniões da primavera, esta semana em Washington.

O relatório refere que outros países em desenvolvimento viram o rendimento real por pessoa mais do que triplicar desde 2000, ao passo que na África Subsariana esse rendimento aumentou 75% e nos países desenvolvidos 35%.

No entanto, registaram-se alguns desenvolvimentos positivos.

“Dois terços dos países já estão a registar uma aceleração do crescimento; um crescimento diversificado e com uma base bastante ampla”, disse Abebe Selassie, Director do Departamento Africano do FMI, numa entrevista à Reuters em Washington.

Muitas das economias mais diversificadas já tinham registado alguma recuperação do crescimento desde a pandemia, acrescentou.

 

 

INFLAÇÃO EM QUEDA

Este ano, as condições económicas começaram a abrandar para muitos países, com a Costa do Marfim, o Benim e o Quénia a emitirem obrigações internacionais e a inflação média a cair para 6% em Fevereiro, contra quase 10% um ano antes, segundo o FMI.

No entanto, a instabilidade política está a aumentar e a afectar a confiança dos investidores, segundo o FMI, que aponta para a saída dos Estados Burkina Faso, Mali e Níger, liderados por juntas, da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) e para a realização de 18 eleições na região este ano.

As secas devastadoras registadas no ano passado no Corno de África e actualmente na África Austral, bem como os ciclones e as inundações, também aumentaram as dificuldades da região.

A África do Sul deverá crescer apenas 0,9% este ano, um ligeiro aumento em relação aos 0,6% registados em 2023, devido aos contínuos cortes de energia e aos problemas com os caminhos-de-ferro e os portos do país, afirmou o FMI, acrescentando que as “incertezas eleitorais” poderão fazer descarrilar as reformas em curso no sector da energia.

A economia mais industrializada de África realiza eleições a 29 de Maio, nas quais o partido no poder, o Congresso Nacional Africano (ANC, na sigla em inglês), poderá perder a maioria pela primeira vez desde o fim do apartheid em 1994.

A maior economia da África Ocidental, a Nigéria, deverá crescer 3,3% este ano, enquanto se debate com uma inflação elevada no contexto de reformas dolorosas da moeda e dos subsídios.

Entretanto, no seu vizinho do norte, o Níger, prevê-se que o crescimento dispare de 1,4% no ano passado para 10,4%, com o aumento das exportações de petróleo.

 

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