Linhas de crédito COVID- 19

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Banca tradicional com condições pouco atractivas as PME´s

 – Há um desfasamento entre o tipo de oferta e o tipo de procura de recursos financeiros disponibilizados pelo nosso sistema financeiro, reconhece Tomás Matola – Presidente da Comissão Executiva do BNI.

Um dos aspectos mais notórios no processo das linhas de crédito COVID-19 foi o excesso de procura. Segundo dados avançados pelo BNI, até ao prazo concedido para submissão de propostas de pedidos de financiamento, a instituição tinha recebido cerca de 1050 propostas, representando uma demanda de 11 mil milhões de meticais, superando o montante disponível em 9,5 mil milhões de meticais.

Instado a extrair conclusões  sobre a avalanche  de procura verificada, o Presidente da Comissão Executiva do BNI, Tomás Matola, referiu que o excesso revela que o tecido empresarial moçambicano está, efectivamente, sedento de recursos financeiros mais acessíveis que àqueles que vêm sendo disponibilizados pelo nosso sistema financeiro e frisa que  este excesso de demanda destes recursos relativamente aos recursos disponíveis deve ser revelador de uma situação que pode ser, provavelmente, o desfasamento entre o tipo de oferta de recursos financeiros disponíveis no sistema e o tipo de procura.

Falando em exclusivo ao O.Económico, Tomás Matola, foi mais longe afirmando que a experiência obtida sugere a necessidade de uma reflexão profunda em torno das reais necessidades e condições de crédito para as pequenas e médias empresas, visto que o excesso de procura pelas linhas COVID-19 ocorre em um contexto em que o sistema financeiro apresenta muita liquidez. “Provavelmente, o sector privado esteja a dar um sinal do que efectivamente são as suas reais necessidades em termos de recursos financeiros (…) e seja um indicador das condições que querem para aceder aos mesmos, sendo essas condições muito diferentes daquelas que são efectivamente apresentadas no sistema.

Valor foi exíguo mas oportuno

As linhas de crédito, lançadas a 01 de Julho do presente ano pelo BNI, constituem uma das medidas adpotadas pelo para mitigação dos impactos da COVID-19 e estão avaliadas em 1,6 mil milhões de meticais, valor este que é considerado exíguo perante as reais necessidades de financiamento das PME’s. “1,6 mil milhões de meticais não é absolutamente nada para aquilo que são as necessidades de financiamento, mesmo em condições normais, e em condições de crise em que todas as empresas procuram financiamentos a custos mais baixos, naturalmente que esse valor não seria suficiente”, enfatizou.

 

Há que gradualmente ajustar as taxas e as condições das PME’s

Matola aponta que o excesso de procura pelos fundos das linhas de crédito COVID-19, constitui um apelo das pequenas e médias empresas para uma adequação das taxas de juros tendo em conta as condições das mesmas. Assim, há uma necessidade de gradualmente ajustar as taxas para que estas estejam mais alinhadas com as reais necessidades das empresas. “É um apelo das micro, pequenas e médias empresas de que, efectivamente, olhando para o tipo de projectos que desenvolvem, para o perfil dos retornos esperados das actividades que desenvolvem, os seus negócios, seus projectos seriam muito mais viáveis se fossem financiados a preços mais baixos”, explicou.

 

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