
China reforça apoio ao Sul Global na luta contra as mudanças climáticas; Mocambique pode receber até US$ 70 milhões
Num esforço para consolidar o seu papel como líder na cooperação climática internacional, a China intensificou o apoio aos países do Sul Global com novas iniciativas anunciadas durante a recente Cimeira do G20 e no âmbito de parcerias bilaterais e multilaterais. As acções são vistas como reforço do compromisso chinês em promover uma transição climática justa e sustentável, alavancando a cooperação Sul-Sul como pilar estratégico.
Novas iniciativas e metas
Na Cimeira do G20 no Rio de Janeiro, o Presidente Xi Jinping destacou o lançamento de uma “Iniciativa de Cooperação Internacional de Ciência Aberta”, em parceria com o Brasil, África do Sul e União Africana. Esta iniciativa busca acelerar a partilha de conhecimentos e tecnologias para o desenvolvimento sustentável. Além disso, Xi Jinping anunciou que a China continuará a expandir as importações de produtos de países em desenvolvimento, com uma meta ambiciosa de compras superiores a US$ 8 biliões até 2030.
No mesmo evento, o líder chinês reiterou o compromisso de avançar com a “Iniciativa da Franja e da Rota de alta qualidade”, colocando a sustentabilidade ambiental e a inovação tecnológica no centro da estratégia.
Cooperação Sul-Sul em destaque
Como parte do programa “Dez, Cem, Mil”, a China tem implementado projectos que visam reforçar a capacidade de mitigação climática nos países do Sul Global. Este programa inclui, designadamente:
– Dez zonas de demonstração de baixo carbono;
– Cem projectos de mitigação climática;
– Mil programas de formação para capacitar técnicos e líderes comunitários;
Até 2023, a China havia estabelecido parcerias com 27 países em desenvolvimento para promover práticas sustentáveis, especialmente em sectores como agricultura, energia renovável e gestão de recursos naturais.
Financiamento climático e apoio técnico
Na Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP27), a China apelou aos países desenvolvidos para cumprirem o compromisso de disponibilizar US$ 100 mil anuais em financiamento climático. Paralelamente, o governo chinês reforçou os investimentos em transferência de tecnologia e capacitação técnica, focando em soluções de energia limpa e em projetos de adaptação climática.
A colaboração com o Brasil, no âmbito do programa CBERS (China-Brazil Earth Resources Satellite), é um exemplo prático deste apoio. Os satélites desenvolvidos em conjunto permitem uma monitorização mais eficiente das mudanças climáticas e da gestão de recursos naturais, beneficiando diretamente os países parceiros.
Desafios e perspectivas
Apesar das ambiciosas metas e do crescente impacto das suas iniciativas, a China enfrenta desafios significativos na implementação de políticas climáticas alinhadas com o desenvolvimento interno. A sua forte dependência do carvão e a pressão internacional por uma redução mais acelerada das emissões colocam o país numa posição complexa. No entanto, as ações recentes sublinham uma abordagem pragmática e de longo prazo, priorizando a sustentabilidade nos países em desenvolvimento como parte da estratégia global.
Impacto Global
As iniciativas da China para apoiar o Sul Global têm o potencial de moldar significativamente o combate às mudanças climáticas. Com a transferência de tecnologias limpas, parcerias estratégicas e programas de formação, o país está a fortalecer a resiliência climática das nações mais vulneráveis, ao mesmo tempo que promove um modelo de desenvolvimento económico mais inclusivo.
Apoio a Moçambique e Sistemas de Aviso Prévio
Durante a COP29, em Baku, Azerbaijão, a China lançou o Plano Estratégico de Aviso Prévio para Todos 2025-2027, um programa que visa garantir que todos os países tenham sistemas de alerta estabelecidos para prevenir impactos de fenómenos naturais. Moçambique foi incluído na lista dos 30 países elegíveis para aceder a fundos destinados à implementação de sistemas de aviso prévio.
O Director-Geral do Instituto Nacional de Meteorologia (INAM), Adérito Aramuge, revelou que o País já preparou um roteiro estimado em US$ 70 milhões, que inclui a participação de várias entidades nacionais, como o INAM, o Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD), a Cruz Vermelha de Moçambique (CVM) e o Instituto Nacional das Comunicações de Moçambique (INCM). Estas instituições desempenham um papel crucial na previsão e mitigação dos impactos de fenómenos naturais.
Além disso, Moçambique poderá candidatar-se a um financiamento adicional disponibilizado pelo Banco Africano de Desenvolvimento, que lançou um pacote de US$ 400 milhões de dólares para apoiar projetos de sistemas de aviso prévio em países em desenvolvimento. O País tem até Fevereiro para submeter um projecto com um orçamento entre US$ 200 mil e US$ 1,3 milhão, o que, se aprovado, permitirá a realização de atividades específicas dentro do roteiro nacional.
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