Petróleo em alta: Optimismo com o apoio político ao crescimento alimenta preços

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Os preços do petróleo continuam a subir, atingindo o nível mais alto em mais de dois meses na sexta-feira, 3 de Janeiro de 2025. Este movimento reflete as expectativas crescentes de que governos de todo o mundo irão implementar medidas de apoio político e económico, visando reanimar o crescimento global e, consequentemente, aumentar a procura por combustíveis.

O petróleo Brent registou uma valorização de 0,3%, situando-se em 76,15 dólares por barril, enquanto o petróleo West Texas Intermediate (WTI) alcançou 73,38 dólares por barril, ambos marcando os valores mais altos desde Outubro de 2024. Este é o segundo aumento semanal consecutivo, alimentado pela melhoria da liquidez no mercado após as festividades de fim de ano.

Apoio político e perspectivas económicas

Os investidores esperam que os bancos centrais, especialmente na Ásia, mantenham uma política monetária expansionista, com cortes adicionais nas taxas de juro. A desaceleração económica na região, evidenciada por indicadores como os PMIs (índices dos gestores de compras), sugere que a actividade manufactureira e o crescimento do PIB permanecerão moderados no curto prazo.

Nos Estados Unidos, a Reserva Federal também é esperada a continuar a reduzir as taxas de juro para apoiar a maior economia mundial. Na China, o Presidente Xi Jinping prometeu políticas mais proactivas para estimular o consumo interno e fortalecer o crescimento da procura de petróleo nos próximos meses.

Alex Hodes, analista da StoneX, destacou que a trajectória económica da China desempenhará um papel crucial em 2025. Espera-se que as medidas de estímulo do governo chinês incentivem o aumento do consumo e reforcem o crescimento da procura global por petróleo.

Factores de mercado

Os preços do petróleo também estão a ser impulsionados pelas previsões de que a Arábia Saudita, o maior exportador de petróleo do mundo, aumentará os preços para compradores asiáticos em Fevereiro, refletindo os ganhos recentes nos mercados do Médio Oriente. Esta poderá ser a primeira subida em três meses, o que reforça o optimismo no mercado.

Nos Estados Unidos, enquanto os inventários de gasolina e destilados aumentaram devido à maior produção das refinarias, a procura de combustível atingiu o nível mais baixo em dois anos. Paralelamente, os estoques de petróleo bruto caíram menos do que o esperado, com uma redução de 1,2 milhões de barris, inferior à previsão de 2,8 milhões.

Outro factor a ser monitorizado são as condições meteorológicas na Europa e nos Estados Unidos. A previsão de uma onda de frio nas próximas semanas poderá aumentar a procura por diesel como alternativa ao gás natural para aquecimento.

Riscos e incertezas

Apesar do optimismo, o mercado permanece atento aos riscos associados à presidência de Donald Trump, cuja posse está agendada para 20 de Janeiro de 2025. As políticas comerciais, incluindo possíveis tarifas sobre a China, poderão afectar os padrões de procura global de petróleo. Priyanka Sachdeva, analista de mercado sénior da Phillip Nova, sublinha que estas tarifas poderão ser fundamentais para os preços do petróleo em 2025.

Com o apoio político global a ganhar tração e a procura por petróleo a mostrar sinais de recuperação, o mercado apresenta um cenário misto de optimismo e cautela. A interacção entre políticas de estímulo, dinâmica de mercado e eventos geopolíticos definirá os rumos do petróleo em 2025, num ambiente marcado por expectativas de recuperação económica e riscos latentes.

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