
Dólar Mantém-se Próximo de Máximos com Expectativa sobre a Inflação nos EUA
Questões-Chave:
- Dólar estabiliza próximo de máximos de três semanas, impulsionado pelos juros elevados e incerteza sobre a Fed;
- Investidores aguardam dados da inflação norte-americana para avaliar impacto das tarifas e possíveis cortes nas taxas de juro;
- Críticas de Trump a Jerome Powell alimentam especulação sobre mudanças na liderança da Fed;
- Bitcoin recua após pico histórico, e moedas asiáticas mostram resiliência perante o crescimento do PIB da China.
O dólar norte-americano manteve-se estável, próximo dos níveis mais altos das últimas três semanas, com os investidores atentos aos dados da inflação nos Estados Unidos e às possíveis implicações na política monetária da Reserva Federal. A tensão nos mercados é acrescida pela pressão política exercida por Donald Trump sobre o presidente da Fed, Jerome Powell.
Na manhã de terça-feira, o índice do dólar registava 98,003 pontos, ligeiramente abaixo do pico nocturno de 98,136 — o mais elevado desde 25 de Junho. A moeda norte-americana permaneceu sólida face ao iene japonês (147,62), e os mercados estavam atentos à divulgação dos dados do índice de preços ao consumidor (CPI), que poderá determinar o rumo da política monetária dos EUA nos próximos meses.
De acordo com economistas consultados pela Reuters, espera-se que a inflação anual nos EUA suba de 2,4% para 2,7%, enquanto a inflação subjacente (core) deverá atingir os 3%, face aos 2,8% anteriores. O presidente da Fed, Jerome Powell, já havia alertado que o impacto das tarifas aduaneiras poderá fazer subir a inflação durante o Verão.
Contudo, caso os números venham abaixo do esperado, poderá intensificar-se a pressão sobre a Fed para rever a sua posição, após ter optado por manter as taxas de juro na faixa entre 4,25% e 4,50% até agora. “Se a inflação falhar ou se mantiver estável, levantam-se dúvidas sobre a decisão da Fed de não cortar as taxas, podendo aumentar os apelos à flexibilização monetária”, observou James Kniveton, analista da Convera.
Donald Trump voltou à carga esta semana, reiterando que as taxas de juro deviam estar “a 1% ou abaixo”, e voltou a lançar críticas pessoais a Powell, alimentando rumores sobre a sua possível substituição. Uma eventual saída do actual presidente da Fed poderá provocar volatilidade, com impacto directo sobre a curva de rendimentos dos títulos do Tesouro norte-americano.
Analistas do DBS afirmam que uma substituição de Powell poderá desencadear um movimento de “steepening” da curva de rendimentos, com cortes de taxas no curto prazo e aumento dos juros de longo prazo, por perda de confiança na estabilidade de preços.
Bitcoin Corrige Após Máximo Histórico
Entretanto, o Bitcoin recuou para 117.550 dólares, após ter atingido um recorde de 123.153 USD na segunda-feira, resultado de uma valorização de 14% ao longo de sete dias. A moeda digital tem sido impulsionada pelas expectativas de que o Congresso dos EUA aprove legislação favorável à indústria cripto durante a chamada “semana cripto” promovida pelos republicanos.
O alívio na pressão regulatória contribuiu para a euforia recente, mas a correção dos preços reflecte uma pausa nos ganhos, enquanto os investidores aguardam os desdobramentos políticos e os dados macroeconómicos norte-americanos.
China Mostra Resiliência, Mas Riscos Persistem
Na Ásia, os dados do PIB da China surpreenderam positivamente ao registar um crescimento de 5,2% no último trimestre, ligeiramente acima das previsões. Ainda assim, analistas alertam para sinais de fragilidade estrutural e aumento de riscos no segundo semestre, o que poderá obrigar Pequim a adoptar mais estímulos fiscais e monetários.
O yuan, por sua vez, desvalorizou ligeiramente no mercado offshore, para 7,1766 por dólar.
O comportamento dos mercados monetários globais permanece condicionado por três grandes forças: a política interna dos EUA, os dados macroeconómicos e o crescente papel dos activos digitais. Num cenário de incerteza prolongada, o dólar continua a servir de porto-seguro, enquanto os investidores medem o pulso da inflação e da política monetária norte-americana. O resultado poderá determinar a trajectória dos mercados nos meses que se avizinham.
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