
Technip Garante Contrato Da Coral Norte E Reforça Nova Fase Da Expansão Do GNL Moçambicano
- Adjudicação do contrato EPCIC da segunda plataforma flutuante da Área 4 consolida Moçambique como um dos principais polos emergentes de gás natural liquefeito em África e acelera investimentos superiores a US$ 7 mil milhões
- Technip Energies liderará a engenharia, aquisição, construção, instalação e comissionamento da Coral Norte FLNG;
- Projecto terá capacidade para produzir 3,6 milhões de toneladas de GNL por ano;
- Coral Norte duplicará a capacidade do Coral Hub para cerca de 7 milhões de toneladas anuais;
- Contrato representa mais de mil milhões de euros em receitas para a Technip Energies;
- Produção comercial está prevista para 2028;
- Projecto reforça a posição de Moçambique entre os principais produtores africanos de GNL.
A expansão da indústria moçambicana de gás natural liquefeito (GNL) registou esta semana um novo marco com a adjudicação à Technip Energies do contrato de engenharia, aquisição, construção, instalação e comissionamento (EPCIC) da plataforma flutuante Coral Norte, um dos mais importantes projectos energéticos actualmente em desenvolvimento no continente africano.
Segundo a Reuters, a empresa francesa Technip Energies foi seleccionada pela Mozambique Rovuma Venture (MRV) para liderar a execução do projecto, em parceria com a japonesa JGC Corporation e a sul-coreana Samsung Heavy Industries.
A MRV é composta pela italiana ENI, pela chinesa CNPC, pela Empresa Nacional de Hidrocarbonetos (ENH), pela XRG dos Emirados Árabes Unidos e pela Korea Gas Corporation (KOGAS), que tomaram a decisão final de investimento para o desenvolvimento da Coral Norte em 2025.
Coral Norte Marca Nova Etapa Da Estratégia De Gás De Moçambique
A adjudicação do contrato representa um passo decisivo na concretização daquele que será o segundo projecto FLNG (Floating Liquefied Natural Gas) da Área 4 da Bacia do Rovuma.
De acordo com a Reuters, a Coral Norte terá capacidade para produzir aproximadamente 3,6 milhões de toneladas de GNL por ano, praticamente replicando a capacidade da Coral Sul FLNG, actualmente em operação desde finais de 2022.
Quando entrar em produção, prevista para 2028, a nova unidade elevará a capacidade combinada do Coral Hub para cerca de 7 milhões de toneladas anuais, consolidando Moçambique como um dos mais relevantes exportadores de gás natural liquefeito do continente africano.
Segundo a Câmara Africana de Energia (AEC), citada num comunicado divulgado após a adjudicação do contrato, o projecto demonstra a crescente confiança dos investidores internacionais no potencial energético de Moçambique e reforça o posicionamento do país como um dos centros estratégicos de gás natural mais importantes de África.
Investimento Consolida Confiança No Sector Energético Nacional
O avanço da Coral Norte ocorre numa altura em que vários dos grandes projectos energéticos moçambicanos retomam trajectórias de desenvolvimento, depois de anos marcados por desafios operacionais, financeiros e de segurança.
Segundo a Reuters, a Technip Energies considera que o projecto contribuirá para acelerar a expansão da capacidade global de produção de GNL e fortalecer o papel de Moçambique como fornecedor estratégico de gás para os mercados internacionais.
O CEO da Technip Energies, Arnaud Pieton, citado tanto pela Reuters como pela imprensa especializada do sector energético africano, destacou que a empresa utilizará a experiência acumulada na execução da Coral Sul, aplicando uma estratégia de padronização tecnológica que permitirá reduzir riscos de execução, aumentar a previsibilidade e acelerar a implementação do projecto.
Esta abordagem, designada internamente por “design one, build many”, assenta na replicação optimizada da plataforma Coral Sul, considerada um caso de sucesso na indústria global de GNL offshore.
Impacto Económico Vai Muito Além Das Exportações
O significado da Coral Norte ultrapassa largamente a dimensão energética.
Segundo a Câmara Africana de Energia, o projecto deverá contribuir para a criação de emprego, desenvolvimento de competências, expansão do conteúdo local, aumento da participação empresarial moçambicana na cadeia de fornecimento e crescimento das receitas de exportação.
A mesma organização considera que a Coral Norte constitui um exemplo de como os recursos energéticos africanos podem ser utilizados para atrair capital de longo prazo, acelerar a industrialização e reforçar a segurança energética regional.
Importa recordar que a plataforma Coral Sul permitiu a Moçambique tornar-se produtor e exportador de GNL pela primeira vez, inaugurando uma nova fase na exploração dos vastos recursos de gás existentes na Bacia do Rovuma.
Com a entrada da Coral Norte, o país reforça significativamente a sua capacidade produtiva numa altura em que a procura internacional por gás natural continua a ser impulsionada pelas estratégias de diversificação energética adoptadas por várias economias desenvolvidas.
Moçambique Reforça Ambição De Liderança Regional
A adjudicação agora anunciada surge também num contexto de crescente dinamismo do sector de gás natural moçambicano.
Além da Coral Norte, decorrem igualmente preparativos para a implementação de outros projectos estruturantes, incluindo o Mozambique LNG, liderado pela TotalEnergies, e o Rovuma LNG, liderado pela ExxonMobil e ENI.
Neste contexto, a Coral Norte assume um papel estratégico por ser o projecto com maior nível de maturidade e menor risco de execução, beneficiando da experiência operacional acumulada com a Coral Sul.
Segundo a Reuters, o contrato agora atribuído à Technip Energies representa um volume de negócios superior a mil milhões de euros para a empresa francesa, reflectindo a dimensão financeira e tecnológica do empreendimento.
À medida que os diferentes projectos avançam, Moçambique consolida a sua posição como uma das mais importantes fronteiras energéticas globais, com potencial para desempenhar um papel cada vez mais relevante nos mercados internacionais de gás natural liquefeito durante as próximas décadas.
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