Economia moçambicana cresce, mas enfrenta riscos de dívida e dependência dos recursos naturais

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  • PESOE 2025: Crescimento de 4,5% no I Semestre Reflete Avanços e Fragilidades Estruturais
Questões-Chave:
  • O PIB cresceu 4,5% no primeiro semestre de 2025, abaixo da meta anual de 5,1%;
  • Inflação estabilizou em 3,96% em Julho, bem abaixo da meta de 6,5%;
  • Execução da despesa pública chegou a 48% do previsto, com foco em áreas sociais e infraestruturas;
  • Receita fiscal em recuperação, mas ainda insuficiente para conter o risco da dívida;
  • Crescimento depende do gás, energia e extractivos, enquanto agricultura e PME’s permanecem frágeis.

O balanço da execução do Plano Económico e Social e Orçamento do Estado (PESOE) 2025, relativo ao primeiro semestre, mostra sinais de progresso económico com um crescimento de 4,5% do PIB e inflação controlada em 3,96%. Contudo, os dados revelam também fragilidades persistentes: dependência excessiva dos recursos naturais, pressão fiscal e riscos associados à dívida pública.

Segundo o relatório oficial, o desempenho económico foi impulsionado pelos sectores de energia, indústria extractiva e agricultura, ainda que este último continue vulnerável a choques climáticos e logísticos. O crescimento de 4,5% ficou abaixo da meta anual de 5,1%, revelando que a retoma económica carece de maior robustez para sustentar-se ao longo do ano.

No campo da estabilidade de preços, a inflação anual desacelerou para 3,96% em Julho de 2025, um resultado positivo e abaixo da meta de 6,5%. A contenção deveu-se à moderação nos preços alimentares e ao efeito das políticas monetárias restritivas, que ajudaram a segurar a procura interna.

A nível orçamental, a execução da despesa pública situou-se em 48% do previsto para 2025, com prioridade para sectores sociais e infraestruturais. A educação, saúde e investimentos em infraestruturas receberam a maior fatia, demonstrando o esforço do Governo em canalizar recursos para áreas de impacto directo na população. No entanto, atrasos na mobilização de financiamento externo continuam a comprometer a eficácia global do plano.

No lado da receita, registou-se uma ligeira melhoria face a 2024, mas ainda aquém do necessário para reduzir a dependência de endividamento. A dívida pública, sobretudo a interna, mantém-se numa trajectória de risco, absorvendo recursos que poderiam ser aplicados em sectores produtivos e sociais.

Estruturalmente, o crescimento continua a assentar em motores concentrados – gás, energia e indústria extractiva –, o que aumenta a vulnerabilidade do país a choques externos e à volatilidade dos preços internacionais. A agricultura, embora relevante para a segurança alimentar e emprego, cresce de forma tímida, limitada por constrangimentos de irrigação, logística e financiamento às pequenas e médias empresas.

O balanço semestral do PESOE deixa clara a necessidade de acelerar reformas estruturais que permitam maior diversificação económica, fortalecimento das PME’s e aproveitamento mais amplo dos recursos naturais. A questão central não é apenas crescer, mas transformar crescimento em desenvolvimento inclusivo e sustentável.

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