
Fim Da Isenção “De Minimis” Gera Pânico No Retalho Global
- Administração Trump antecipou o fim da isenção aduaneira “de minimis”, antes previsto para 2027;
- Regra permitia entrada de encomendas até 800 USD sem tarifas, beneficiando milhões de pequenas e médias empresas;
- Decisão afecta cadeias de fornecimento globais e ameaça encarecer bens de consumo nos EUA;
- Pequenos negócios em plataformas como Etsy, eBay e Shopify enfrentam risco de encerramento;
- Impacto pode custar 10,9 mil milhões USD aos consumidores norte-americanos, segundo estudo do NBER.
O fim abrupto da isenção aduaneira conhecida como “de minimis”, que permitia a entrada de encomendas até 800 dólares norte-americanos sem aplicação de tarifas, desencadeou uma onda de pânico no retalho global, afectando desde grandes marcas até pequenos vendedores online.
A medida, anunciada por ordem executiva do Presidente Donald Trump, antecipou em dois anos o calendário estabelecido pelo Congresso, que previa a extinção da isenção apenas em Julho de 2027. A decisão deixou empresas, serviços alfandegários e operadores logísticos com reduzido tempo de adaptação.
Segundo Lynlee Brown, especialista da EY, “há uma implicação financeira, uma implicação operacional e uma de conformidade: tudo isto eram entradas informais que agora terão de passar por processos completos de alfândega”.
Na prática, todas as encomendas — de marcas como Tapestry (dona da Coach e Kate Spade) ou Lululemon, até artesãos e pequenos retalhistas digitais — passam a ser tarifadas como grandes remessas. O estudo do National Bureau of Economic Research (NBER) estima que os consumidores norte-americanos poderão perder até 10,9 mil milhões USD, equivalentes a cerca de 136 USD por família.
Plataformas como Etsy, eBay e Shopify, que suportam milhões de pequenos negócios, serão particularmente atingidas, dado que dependiam desta isenção para competir no mercado norte-americano. Alguns vendedores já anunciaram a suspensão de envios para os EUA, enquanto outros admitem aumentos imediatos de preços entre 10% e 30% para absorver os novos encargos.
O impacto é igualmente visível nas cadeias de fornecimento globais. Empresas estruturaram operações logísticas em torno da isenção, com armazéns no Canadá e no México que permitiam o fraccionamento de envios duty-free para os EUA. Agora, este modelo terá de ser revisto, com consequências no custo e na eficiência das operações.
O corte atinge também gigantes chineses como Shein e Temu, que basearam a sua rápida ascensão no mercado norte-americano na exploração da isenção. Dados da Sensor Tower mostram que a Temu perdeu 52% dos utilizadores activos diários nos EUA entre Março e Maio, enquanto a Shein registou uma queda de 25%.
Ao mesmo tempo, grandes retalhistas como Amazon e Walmart poderão beneficiar da turbulência, uma vez que dispõem de operações logísticas robustas dentro dos EUA, capazes de absorver custos e reduzir atrasos.
Apesar das justificações da Administração Trump — que acusa a regra de ser um “buraco catastrófico” usado para enviar produtos ilegais, inseguros ou abaixo do valor de mercado — analistas alertam para um choque de preços que se somará ao peso da inflação e das taxas de juro elevadas já enfrentadas pelos consumidores.
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