Ouro Em Alta Histórica Recuou Antes Da Decisão Da Fed

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Questões-Chave:
  • Ouro atingiu recorde histórico de US$ 3.702,95/oz, antes de corrigir para US$ 3.671,61/oz;
  • Realização de lucros e ligeira valorização do dólar explicam o recuo pontual;
  • Expectativa de corte de 0,25 p.p. nas taxas de juro pela Fed sustenta cenário positivo para o metal precioso;
  • SPDR Gold Trust reportou aumento de 0,3% nas suas reservas na terça-feira;
  • Declarações de Jerome Powell serão cruciais para orientar próximos movimentos do ouro.

O ouro recuou esta quarta-feira, após ter alcançado na véspera o máximo histórico de US$ 3.702,95 por onça, num movimento de consolidação ditado pela valorização do dólar e por operações de realização de lucros. A atenção dos investidores desloca-se agora para a decisão da Reserva Federal dos Estados Unidos (Fed), com o mercado a antecipar um corte de taxas que poderá redefinir a trajetória do metal precioso.

Na sessão desta quarta-feira, o ouro à vista registava uma descida de 0,5%, para US$ 3.671,61 por onça, às 06h46 GMT, enquanto os futuros do ouro para dezembro recuavam 0,4%, para US$ 3.709. O recuo interrompe, assim, a escalada que levou o metal a novos máximos, sustentada por um dólar mais fraco e pelas expectativas de cortes adicionais nas taxas de juro norte-americanas até ao final de 2025.

Segundo Tim Waterer, analista-chefe da KCM Trade, “a ascensão do ouro até aos US$ 3.700 foi impulsionada pela depreciação do dólar e pelas apostas de que a Fed poderá sinalizar novos cortes ainda este ano. O movimento de realização de lucros em torno desse patamar levou a uma correção, mas, se a Fed adoptar um tom mais dovish, o ouro poderá voltar a ganhar terreno”.

O índice dólar (DXY) valorizou 0,1%, após ter tocado mínimos de dois meses na terça-feira, enquanto os rendimentos dos Treasuries a 10 anos permaneciam próximos de mínimos de cinco meses, factores que continuam a dar suporte relativo ao ouro como ativo de refúgio.

No plano macroeconómico, os dados de vendas a retalho nos EUA surpreenderam pela positiva em agosto, mas o abrandamento do mercado laboral e o impacto da inflação associada às tarifas comerciais introduzem riscos à sustentabilidade do consumo.

A decisão da Fed, esperada para o final do dia, deverá traduzir-se num corte de 0,25 pontos percentuais na taxa de referência. Mais do que a decisão em si, os mercados estarão atentos às palavras do presidente Jerome Powell, cuja comunicação poderá definir o ritmo de futuros cortes e, consequentemente, a direção do ouro nos próximos meses.

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