
Angola Lança Fundo Pan-Africano de Infra-estruturas de 500 Milhões de Dólares em Parceria com a Gemcorp
Novo veículo de investimento, sediado em Abu Dhabi, pretende atrair capital privado global para sectores estratégicos africanos, incluindo minerais críticos, energia, água e segurança alimentar.
- Angola e Gemcorp lançam fundo de 500 milhões para infra-estruturas em África;
- FSDEA aporta 50 milhões, com possibilidade de aumentar para 200 milhões, e Gemcorp até 50 milhões;
- Fundo sediado em Abu Dhabi para captar capital do Golfo e investidores institucionais globais;
- Prioridade em minerais críticos, água, energia, transição energética e segurança alimentar;
- Medida marca nova fase do FSDEA, após anos de críticas e reformas de governação.
O Fundo Soberano de Angola (FSDEA) e a gestora britânica Gemcorp anunciaram o lançamento de um novo Fundo Pan-Africano de Infra-estruturas, no valor inicial de 500 milhões de dólares, destinado a financiar sectores estratégicos em vários países africanos. A iniciativa, apresentada em Abu Dhabi e Londres, visa atrair maior participação do sector privado global num momento em que a competição por minerais críticos, activos energéticos e infra-estruturas essenciais está a aumentar.
Fundo Arranca com 500 Milhões e Procura Capital Global para Projectos Críticos
O novo veículo de investimento — o Pan-African Infrastructure Fund — começa com contribuições do FSDEA e da Gemcorp, mas tem como objectivo mobilizar os restantes montantes junto de investidores internacionais que procuram diversificar para além dos mercados saturados dos Estados Unidos e Europa.
Armando Manuel, presidente do FSDEA, afirmou que Angola está a “semear capital” para atrair investidores do Golfo e outros actores globais interessados nas amplas oportunidades do continente. A estratégia é posicionar o fundo como catalisador de investimentos em minerais críticos, segurança alimentar, água, energia renovável e infra-estruturas de transição energética.
O FSDEA comprometeu uma participação inicial de 50 milhões de dólares, que poderá aumentar até 200 milhões, enquanto a Gemcorp aportará até 50 milhões.
Sede em Abu Dhabi Reflecte Crescimento do Interesse do Golfo por África
O fundo terá sede em Abu Dhabi, num claro movimento para captar o crescente fluxo de capitais do Médio Oriente para África.
A região do Golfo, incluindo Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita, tem intensificado a aquisição de activos estratégicos no continente, especialmente em energia, logística, minerais críticos, agricultura e infra-estruturas de larga escala.
Segundo a Gemcorp, o interesse é vasto, desde fundos de pensões nórdicos até family offices e investidores institucionais no Golfo.
A Gemcorp, com experiência de uma década em Angola, irá gerir os projectos através da sua plataforma africana, reforçando o carácter operacional do novo fundo.
FSDEA Procura Reposicionar-se Após Escândalos e Reformas de Governação
O FSDEA, criado em 2011 com cinco mil milhões de dólares provenientes das receitas petrolíferas e diamantíferas angolanas, viveu anos de turbulência marcados por investimentos duvidosos, alegações de má gestão e falta de transparência.
O escândalo culminou em 2020 com a condenação de José Filomeno dos Santos, então presidente do fundo, a cinco anos de prisão por fraude e desvio de fundos.
Armando Manuel sublinhou que a actual estratégia assenta na melhoria da governação, na transparência e na diversificação do portefólio, actualmente ainda concentrado em títulos e activos financeiros nos mercados norte-americano, europeu e asiático.
O novo fundo de infra-estruturas representa, assim, um esforço para expandir o alcance estratégico do FSDEA e reposicionar Angola como um actor relevante na arquitectura financeira africana.
África Ganha Novo Veículo Para Projectos de Infra-estruturas em Escala
A criação do Pan-African Infrastructure Fund surge num momento em que vários países africanos enfrentam défices persistentes de investimento em infra-estruturas, estimados em mais de 100 mil milhões de dólares anuais.
Ao captar capital privado internacional e articulá-lo com necessidades críticas — desde logística e energia até minerais estratégicos — o fundo poderá reforçar a capacidade dos governos africanos para financiar projectos transformadores e reduzir constrangimentos de competitividade.
Com a crescente competição global por recursos minerais e cadeias de valor da transição energética, o novo fundo poderá tornar-se um elemento-chave na estratégia africana de integração, industrialização e resiliência económica.
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