
UEM Investe Em Robótica E IA Para Aproximar Investigação Dos Desafios Da Economia
- Sala do Futuro, Centro de Dados e Laboratório de Automação passam a integrar um ecossistema tecnológico orientado para investigação, formação STEM e desenvolvimento de soluções aplicadas. Investimento inicial na nova infra-estrutura supera 12 milhões de meticais e poderá ultrapassar 25 milhões com a expansão da iniciativa às escolas parceiras.
- A Universidade Eduardo Mondlane inaugurou uma Sala do Futuro dedicada à robótica, inteligência artificial, aprendizagem experimental e desenvolvimento de protótipos;
- O investimento na nova infra-estrutura supera 12 milhões de meticais e poderá ultrapassar 25 milhões com a extensão das actividades e disponibilização de equipamentos às escolas parceiras;
- Sala do Futuro, Centro de Dados da UEM e Laboratório de Automação da Faculdade de Engenharia passam a formar uma base tecnológica comum para ensino, investigação e inovação;
- A universidade pretende aproximar alunos do ensino secundário das áreas de Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática, procurando estimular mais cedo competências necessárias à economia digital;
- A UEM está igualmente a preparar directrizes para utilização responsável da inteligência artificial, incluindo integridade académica, protecção de dados, supervisão humana e pensamento crítico;
- A relevância económica do investimento estará na capacidade de transformar infra-estruturas e competências em investigação aplicada, inovação, novos profissionais e soluções para sectores produtivos;
A Universidade Eduardo Mondlane está a ampliar a sua infra-estrutura tecnológica numa tentativa de aproximar ensino, investigação e inovação das transformações que estão a alterar as competências exigidas pela economia.
A instituição inaugurou esta semana, na Faculdade de Ciências, a Sala do Futuro, um espaço dedicado à robótica e inteligência artificial, equipado para aprendizagem prática, experimentação, desenvolvimento de protótipos e produção de conteúdos.
O investimento inicial supera 12 milhões de meticais, segundo dados da universidade, e poderá ultrapassar 25 milhões de meticais à medida que o projecto seja estendido às escolas parceiras da Cidade e Província de Maputo.
Mais do que uma instalação isolada, a infra-estrutura passa a integrar um conjunto que inclui o Centro de Dados da UEM e o Laboratório de Automação da Faculdade de Engenharia.
A perspectiva institucional é utilizar essas capacidades como suporte para acelerar a transformação da maior universidade pública do País numa instituição progressivamente mais orientada para a investigação.
Investimento Em Tecnologia É Também Investimento Em Capital Humano
A dimensão económica da iniciativa começa precisamente na formação.
À medida que inteligência artificial, automação, análise de dados e robótica alteram processos produtivos, a disponibilidade de trabalhadores capazes de utilizar, adaptar e desenvolver essas tecnologias torna-se um factor de competitividade.
Para economias em desenvolvimento, esta questão é particularmente importante.
A incorporação tecnológica pode elevar produtividade, reduzir custos e criar novos sectores, mas a capacidade de capturar esses ganhos depende da existência de capital humano suficientemente preparado.
A estratégia da UEM procura, por isso, actuar antes da entrada dos jovens na universidade.
A Sala do Futuro deverá receber estudantes e professores de escolas secundárias parceiras, enquanto kits e actividades experimentais serão levados às próprias instituições de ensino, permitindo contacto mais cedo com robótica e outras áreas STEM — Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática.
A lógica é formar uma trajectória de aprendizagem que comece antes do ensino superior e possa posteriormente alimentar cursos científicos, tecnológicos e de engenharia.
De Consumidores A Produtores De Tecnologia
Há uma diferença económica importante entre utilizar tecnologia importada e desenvolver capacidade para compreender, adaptar e produzir soluções tecnológicas.
Moçambique continuará inevitavelmente a importar grande parte do equipamento e conhecimento tecnológico de que necessita.
Mas universidades podem reduzir essa dependência em determinados segmentos através da investigação aplicada, desenvolvimento de software, automação, prototipagem e adaptação de soluções às condições locais.
É neste ponto que a Sala do Futuro poderá assumir uma função que ultrapassa o ensino de robótica.
A UEM pretende que o espaço acolha investigação, experimentação colaborativa e desenvolvimento de aplicações de inteligência artificial e robótica ligadas a diferentes áreas científicas.
Agricultura, saúde, educação, indústria, ambiente e segurança estão entre os sectores identificados como potenciais áreas de aplicação.
Uma universidade de investigação procura precisamente fazer essa ponte: transformar conhecimento científico em capacidade de resolver problemas concretos.
Três Infra-Estruturas Para Um Mesmo Ecossistema
A estratégia tecnológica da UEM passa a apoiar-se em três componentes complementares.
O Centro de Dados fornece capacidade de armazenamento, processamento e suporte aos serviços digitais da instituição.
O Laboratório de Automação da Faculdade de Engenharia cria condições para concepção, programação, teste e desenvolvimento de sistemas.
E a Sala do Futuro aproxima essas capacidades dos estudantes e dos processos de ensino, aprendizagem e investigação.
A combinação é mais relevante do que cada investimento considerado isoladamente.
Um laboratório sem capacidade de processamento adequada limita determinados projectos. Um centro de dados sem investigação e aplicações produz apenas capacidade tecnológica instalada. Equipamentos de robótica sem professores, projectos e programas de investigação correm igualmente o risco de permanecer subutilizados.
O ganho surge quando as infra-estruturas passam a funcionar como uma plataforma comum para diferentes áreas académicas.
Universidade De Investigação Exige Mais Do Que Equipamento
O Reitor da UEM, Manuel Guilherme Júnior, enquadra a iniciativa precisamente nessa perspectiva.
Na inauguração, defendeu que a transformação digital não pode limitar-se à aquisição de equipamentos, envolvendo também mudanças organizacionais, integração de sistemas, desenvolvimento de capacidades e utilização da tecnologia para melhorar a missão académica.
A observação toca num dos desafios recorrentes do investimento tecnológico.
Comprar equipamento é relativamente rápido. Construir capacidades institucionais para utilizá-lo produtivamente é um processo mais longo.
Uma universidade de investigação precisa de investigadores, financiamento científico, laboratórios funcionais, acesso a dados, ligação com empresas, publicação científica, protecção da propriedade intelectual e mecanismos para transformar descobertas em produtos, processos ou políticas.
Assim, os mais de 12 milhões de meticais investidos na Sala do Futuro representam sobretudo a criação de uma capacidade inicial.
O valor económico produzido por essa capacidade será visível à medida que surgirem projectos, protótipos, investigação, soluções tecnológicas e profissionais capazes de aplicar os conhecimentos adquiridos.
Inteligência Artificial Também Exige Governação
A expansão da inteligência artificial introduz igualmente questões que não se resolvem apenas com maior acesso à tecnologia.
A UEM está a consolidar directrizes para a utilização destas ferramentas no ensino, investigação, aprendizagem e gestão.
Entre as matérias identificadas encontram-se integridade académica, protecção de dados, supervisão humana e pensamento crítico.
A preocupação é relevante para qualquer instituição que pretenda incorporar inteligência artificial de forma sistemática.
Ferramentas generativas podem acelerar investigação, programação, análise e aprendizagem, mas podem também criar riscos relacionados com fiabilidade da informação, propriedade intelectual, privacidade, avaliação académica e dependência excessiva de sistemas automatizados.
Para uma universidade, a formação tecnológica passa, portanto, por duas capacidades simultâneas: saber utilizar as ferramentas e compreender os seus limites.
Escolas Podem Ampliar O Retorno Do Investimento
A extensão do projecto às escolas poderá aumentar substancialmente o alcance da iniciativa.
Em vez de concentrar equipamentos e conhecimento exclusivamente no campus universitário, a UEM pretende envolver instituições de ensino parceiras, disponibilizando kits e promovendo demonstrações e experiências práticas.
Esta componente explica também a previsão de que o investimento global possa ultrapassar 25 milhões de meticais.
Do ponto de vista do capital humano, iniciar o contacto com STEM no ensino secundário pode produzir efeitos que apenas aparecem vários anos depois.
Maior exposição a matemática aplicada, programação, electrónica e robótica pode influenciar escolhas académicas, aumentar procura por cursos tecnológicos e melhorar preparação para o ensino superior.
É, portanto, um investimento cujo retorno não deve ser avaliado apenas pelo número imediato de utilizadores da sala.
Ciência Precisa De Maior Ligação À Economia
A ambição de transformar a UEM numa universidade de investigação coloca igualmente a questão da relação entre academia e sector produtivo.
Universidades com forte capacidade de investigação desempenham, em várias economias, funções que ultrapassam a formação de licenciados.
Trabalham com empresas, testam tecnologias, desenvolvem patentes, apoiam start-ups, resolvem problemas industriais e fornecem conhecimento científico às políticas públicas.
É esta ligação que permite transformar despesa em investigação e desenvolvimento em produtividade económica.
Em Moçambique, existe ainda espaço considerável para aproximar universidades das empresas.
Sectores como agricultura, mineração, energia, logística, telecomunicações, serviços financeiros e indústria enfrentam problemas que podem beneficiar de automação, análise de dados, sensores, inteligência artificial e sistemas digitais desenvolvidos ou adaptados localmente.
Um ecossistema universitário de investigação pode servir precisamente como ponto de encontro entre essas necessidades e a capacidade científica nacional.
Inovação Pode Criar Novas Formas De Emprego
A iniciativa surge igualmente num momento em que o debate sobre inteligência artificial é frequentemente dominado pelo receio de substituição de trabalhadores.
Essa é uma dimensão real da transformação tecnológica.
Mas existe outra: a criação de novas ocupações.
Programação, ciência de dados, cibersegurança, automação industrial, manutenção de sistemas, desenvolvimento de aplicações, electrónica e engenharia de inteligência artificial são áreas em expansão.
Para um país com uma população jovem e necessidade de criar emprego em grande escala, ampliar competências nestas áreas pode abrir oportunidades não apenas dentro do mercado moçambicano, mas também em serviços digitais que podem ser prestados internacionalmente.
A qualidade da formação torna-se, neste caso, uma variável económica.
Dos 12 Milhões Aos Resultados Científicos
A inauguração da Sala do Futuro acrescenta uma nova peça à modernização tecnológica da UEM.
Os números do investimento são relevantes, mas não serão a principal medida do alcance da iniciativa.
Mais importantes serão a quantidade e qualidade dos projectos desenvolvidos, o número de estudantes e docentes efectivamente envolvidos, a produção científica, as soluções tecnológicas criadas e a capacidade de estabelecer parcerias com empresas e instituições.
O objectivo declarado pela universidade é evoluir para um modelo institucional em que investigação e inovação tenham peso crescente.
Nesse sentido, robótica e inteligência artificial não constituem apenas novas disciplinas.
Representam instrumentos através dos quais a UEM procura responder a uma questão económica mais ampla: como transformar conhecimento produzido numa universidade pública em capacidade tecnológica, produtividade e soluções para os problemas concretos de Moçambique.
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