Moçambique Espera Receber Perto De 300 Mil Turistas Durante A Quadra Festiva

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Turismo de cruzeiros impulsiona fluxo de visitantes, mas reformas estruturais continuam decisivas para elevar o contributo económico do sector

Questões-Chave:

– Pelo menos 300 mil turistas são esperados no País durante a quadra festiva;
– Turismo de cruzeiros reforça a entrada de visitantes e a projecção internacional de Moçambique;
– Impactos positivos esperados no comércio, serviços e economias locais;
– Contributo do turismo para o PIB permanece abaixo do potencial, exigindo reformas consistentes

Moçambique deverá receber cerca de 300 mil turistas durante a presente quadra festiva, um fluxo que se espera venha a impulsionar o turismo nacional, o comércio e as economias locais, segundo informações avançadas pelo Secretário de Estado do Turismo, Fredson Bacar, durante uma visita a um navio de cruzeiro no Porto de Maputo. O Governo aponta o turismo, em particular o de cruzeiros, como um vector relevante de dinamização económica, num contexto em que o sector continua a apresentar um contributo aquém do seu potencial estrutural.

Turismo de cruzeiros reforça fluxo de visitantes

A crescente inclusão de Moçambique nas rotas internacionais de cruzeiros tem reforçado a entrada de turistas no País, sobretudo através do Porto de Maputo, principal porta marítima de acesso. O navio visitado pelo governante tem capacidade para transportar mais de 600 passageiros, de diferentes nacionalidades, integrando a rota Cidade do Cabo–Maputo–Zanzibar–Mumbai–Japão, o que contribui para a visibilidade internacional do destino Moçambique.

As autoridades defendem que o turismo de cruzeiros representa uma oportunidade para diversificar a origem dos visitantes, reduzir a dependência de mercados tradicionais e ampliar o alcance da promoção turística nacional.

Impacto económico nas comunidades e no comércio

De acordo com o Executivo, a chegada de turistas durante a quadra festiva constitui uma oportunidade directa para as economias locais, através do consumo de serviços turísticos, restauração, comércio, artesanato e actividades culturais. O Governo sublinha que o aumento do fluxo de visitantes tem efeitos multiplicadores sobre o rendimento comunitário e contribui para o incremento das receitas nacionais.

“Estamos a receber muitos navios que beneficiam a comunidade e aumentam as receitas do país”, afirmou o Secretário de Estado do Turismo, acrescentando que o turismo pode desempenhar um papel relevante na geração de emprego, sobretudo para jovens e mulheres.

Monitoria da oferta e incentivos aos operadores

No plano operacional, o Governo garante estar a realizar uma monitoria contínua dos empreendimentos turísticos durante a quadra festiva, com o objectivo de assegurar a qualidade dos serviços prestados aos visitantes. Paralelamente, decorrem acções de incentivo aos operadores turísticos nacionais e internacionais, visando elevar os padrões de atendimento e consolidar a imagem do País como destino competitivo.

As autoridades pretendem igualmente reforçar a cooperação com o turismo nacional, numa lógica de maior integração entre operadores públicos e privados e de valorização da oferta interna.

Turismo na economia moçambicana: peso ainda modesto

Apesar do crescimento pontual do fluxo turístico em períodos como a quadra festiva, o contributo do turismo para a economia moçambicana permanece relativamente modesto. Estimativas de instituições nacionais e internacionais indicam que o sector representa cerca de 4% a 5% do Produto Interno Bruto (PIB), considerando efeitos directos e indirectos, e emprega entre 300 mil e 400 mil pessoas, correspondendo a 3% a 4% do emprego total.

No plano externo, as receitas turísticas anuais situam-se, em média, entre 800 milhões e 1,1 mil milhões de dólares, constituindo uma fonte relevante de divisas, mas ainda aquém do potencial associado à diversidade natural, cultural e geográfica do País.

Reformas urgentes para desbloquear o potencial do sector

Analistas sublinham que o principal desafio do turismo em Moçambique não reside na falta de atractivos, mas sim na persistência de constrangimentos estruturais, como os custos elevados de transporte e conectividade aérea, a burocracia nos processos de licenciamento, a fiscalidade pouco ajustada à realidade do sector, a fragilidade das infra-estruturas de apoio e a limitada articulação entre turismo, logística e desenvolvimento local.

Especialistas defendem que, com reformas urgentes e implementadas de forma consistente, o turismo poderia duplicar o seu peso no PIB no médio prazo, aproximando-se de 8% a 10%, com impacto significativo na criação de emprego, no reforço das receitas fiscais e na melhoria da posição externa do País. Tal exigiria uma abordagem integrada, combinando simplificação regulatória, melhoria da conectividade, incentivos ao investimento privado, qualificação da mão-de-obra e uma estratégia de promoção internacional mais coerente e sustentada.

O aumento do fluxo turístico esperado durante a quadra festiva constitui um sinal positivo para a dinamização do sector, mas evidencia, simultaneamente, os limites de um modelo ainda excessivamente dependente de picos sazonais. Para que o turismo se afirme como um contributo estrutural e mais robusto para a economia moçambicana, será determinante avançar com reformas previsíveis, consistentes e bem executadas, capazes de transformar oportunidades conjunturais em ganhos económicos duradouros, posicionando o sector como um dos pilares efectivos da diversificação económica e da geração sustentável de divisas para o País.

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