
Grupo de Coordenação Árabe e Banco Africano de Desenvolvimento Lançam Parceria Estratégica para Escalar Co-Financiamento em África
Nova fase de cooperação aposta em investimentos programáticos de grande escala, mobilização de capital privado e alinhamento com as prioridades de transformação económica do continente.
- Parceria estratégica visa passar de cooperação fragmentada para co-investimento estruturado e de grande escala;
- Energia, resiliência climática, segurança alimentar, integração regional e crescimento liderado pelo sector privado estão entre as prioridades;
- Declaração conjunta estabelece um quadro operacional e prepara um mecanismo de financiamento a ser definido em 2026;
- O Fundo Africano de Desenvolvimento é identificado como instrumento central para países de baixo rendimento e frágeis.
O Arab Coordination Group e o African Development Bank Group anunciaram, em Abidjan, o lançamento de uma parceria estratégica estruturada destinada a escalar o co-financiamento, mobilizar capital privado e acelerar a transformação económica de África, num contexto marcado por um défice crescente de financiamento ao desenvolvimento no continente .
A iniciativa foi formalizada durante a Reunião de Consulta de Alto Nível, realizada a 13 de Janeiro de 2026 na sede do AfDB, na Costa do Marfim, e que marcou a primeira reunião do Grupo de Coordenação Árabe em solo africano. O encontro reuniu os líderes das instituições membros do ACG e da liderança do AfDB, sinalizando uma ambição política clara de reforçar e aprofundar a parceria árabe-africana.
De cooperação dispersa a co-investimento programático
No centro da nova abordagem está a intenção de evoluir de modelos de cooperação pontuais para investimentos programáticos, coordenados e de grande escala, ancorados nas prioridades estratégicas de desenvolvimento africanas. As discussões focaram-se na articulação dos balanços financeiros das instituições árabes e do AfDB, combinando financiamento de longo prazo, capacidades contra-cíclicas, conhecimento sectorial e plataformas nacionais para mobilizar investimentos públicos e privados mais robustos.
Os participantes analisaram caminhos concretos para reforçar a preparação conjunta de projectos, harmonizar abordagens de financiamento, aprofundar o diálogo político e alinhar vantagens comparativas, assegurando que os investimentos produzam impacto mensurável e resiliência de longo prazo.
Energia, clima e sector privado no centro da agenda
A consulta decorreu num momento em que África enfrenta necessidades urgentes de financiamento em áreas críticas como acesso à energia, resiliência climática, segurança alimentar, integração regional e crescimento liderado pelo sector privado. A parceria reconhece que responder a estes desafios exige mobilização de capital em escala, incluindo o envolvimento activo do sector privado, para além dos instrumentos tradicionais de financiamento público.
Neste enquadramento, a iniciativa alinha-se com a agenda do AfDB para reforçar a soberania financeira africana, no âmbito da Nova Arquitectura Financeira Africana (NAFA), que procura integrar de forma mais eficaz bancos de desenvolvimento, garantias, seguros, mercados de capitais e investidores privados.
Declaração conjunta define quadro de actuação
A reunião culminou na adopção de uma Declaração Conjunta sobre a Parceria Estratégica ACG–AfDB, que estabelece uma visão política partilhada e a traduz em orientações operacionais claras, com áreas prioritárias de cooperação e princípios para mecanismos institucionais de acompanhamento.
Como próximo passo concreto, a Declaração prevê o desenvolvimento, ainda em 2026, de um Quadro de Parceria de Financiamento e Operações, que irá definir modalidades de co-financiamento, coordenação de pipelines de projectos, programação conjunta regular e mecanismos de confiança mútua. O documento reconhece ainda o papel central do Fundo Africano de Desenvolvimento (ADF) no apoio a países de baixo rendimento e em situação de fragilidade, defendendo uma colaboração mais estreita entre as instituições do ACG e o ADF.
Um reforço da arquitectura de financiamento para África
O Grupo de Coordenação Árabe, criado em 1975, agrega dez instituições financeiras árabes e internacionais, incluindo fundos soberanos e bancos de desenvolvimento, e já concedeu mais de 13 mil empréstimos de desenvolvimento a mais de 160 países. Já o AfDB, enquanto principal instituição financeira multilateral africana, actua em 54 países membros regionais, com presença operacional em 44 países do continente.
A nova parceria surge, assim, como um sinal forte de convergência estratégica entre dois dos mais relevantes pilares do financiamento ao desenvolvimento, num momento em que África procura acelerar a transformação económica, reduzir vulnerabilidades estruturais e assegurar fontes de financiamento mais previsíveis, coordenadas e alinhadas com as suas prioridades de longo prazo.
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