
FMI Revê em Alta Crescimento Global Para 2026: Investimento em IA Compensa Tensões Comerciais
Economia mundial deverá crescer 3,3% em 2026, sustentada por investimento em inteligência artificial, apesar de riscos associados ao comércio, geopolítica e eventuais correcções nos mercados.
- FMI projecta crescimento global de 3,3% em 2026, acima da estimativa anterior;
- Investimento em inteligência artificial surge como principal motor de crescimento;
- Tensões comerciais e riscos geopolíticos continuam a pressionar o cenário global;
- Eventual correcção nos mercados financeiros é apontada como risco descendente.
O Fundo Monetário Internacional (FMI) reviu em alta as suas projecções para o crescimento da economia global em 2026, estimando uma expansão de 3,3%, num contexto em que o forte investimento em inteligência artificial (IA) tem vindo a compensar os efeitos adversos das tensões comerciais e das incertezas geopolíticas que marcaram os últimos anos.
De acordo com a actualização do World Economic Outlook, divulgada esta semana, o crescimento global em 2026 deverá igualar o desempenho esperado para 2025, também revisto para 3,3%, superando as projecções avançadas pelo FMI em Outubro passado. A revisão em alta reflecte a capacidade das economias e das empresas de se adaptarem a um ambiente internacional mais fragmentado, marcado por tarifas comerciais, reconfiguração das cadeias de abastecimento e maior selectividade no investimento.
Segundo o economista-chefe do FMI, Pierre-Olivier Gourinchas, a economia mundial tem demonstrado uma resiliência superior ao inicialmente antecipado, conseguindo absorver os choques associados às disputas comerciais de 2025, em particular envolvendo os Estados Unidos, e beneficiando de um ciclo de investimento tecnológico sem precedentes.
O FMI destaca que o investimento em infra-estruturas ligadas à inteligência artificial — incluindo centros de dados, semicondutores avançados e capacidade energética — tem impulsionado a actividade económica, sobretudo nas economias avançadas. Nos Estados Unidos, o crescimento previsto para 2026 foi revisto para 2,4%, sustentado, em grande medida, por este novo ciclo de investimento tecnológico, que tem alimentado expectativas de ganhos de produtividade e reforçado a confiança dos mercados.
Apesar deste cenário relativamente favorável, o FMI alerta para riscos significativos que continuam a pairar sobre a economia global. Entre eles, destacam-se eventuais recrudescimentos das tensões comerciais, disrupções nas cadeias globais de abastecimento e riscos geopolíticos persistentes. Adicionalmente, o Fundo assinala que a própria dinâmica da inteligência artificial encerra riscos: caso as expectativas de ganhos de produtividade não se materializem, poderá ocorrer uma correcção nos mercados financeiros, actualmente sustentados por avaliações elevadas de activos tecnológicos.
No plano inflacionista, o FMI prevê uma trajectória de desaceleração gradual da inflação global, de 4,1% em 2025 para 3,8% em 2026, abrindo espaço para políticas monetárias mais acomodatícias em várias economias. Este alívio poderá contribuir para sustentar o crescimento, mas permanece dependente da evolução dos riscos externos e da estabilidade dos mercados financeiros.
Para as economias emergentes e em desenvolvimento, incluindo África, o enquadramento global traçado pelo FMI sugere um ambiente simultaneamente mais favorável e mais exigente. Se, por um lado, a retoma do crescimento global e a moderação da inflação criam oportunidades, por outro, a elevada incerteza externa reforça a necessidade de políticas económicas prudentes, reforço da competitividade e adaptação dos sectores empresariais a um novo ciclo económico global, cada vez mais moldado pela tecnologia e pela fragmentação do comércio internacional.
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