Ouro Aprofunda Queda Após Rally Histórico Com Aumento De Margens E Desalavancagem Em Massa

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Metal precioso cai mais de 5% e aproxima-se de mínimos de duas semanas, num movimento acelerado por ajustes técnicos, liquidações forçadas e mudança de expectativas sobre a política monetária dos EUA.

Questões-Chave:
  • O ouro caiu mais de 5%, após ter atingido máximos históricos na semana passada;
  • O aumento das margens nos contratos de metais preciosos pela CME acelerou liquidações;
  • A nomeação de Kevin Warsh para liderar a Fed reforçou o dólar e penalizou o ouro;
  • Analistas alertam que o mercado estava excessivamente “carregado” de posições longas.

Os preços do ouro aprofundaram a queda esta segunda-feira, prolongando a maior correcção em mais de uma década, à medida que traders desfazem posições excessivamente concentradas após um rally histórico, num contexto marcado pelo aumento das exigências de margem nos mercados de futuros e por uma mudança relevante nas expectativas em torno da política monetária dos Estados Unidos.

Margens Mais Elevadas Da CME Forçam Ajustes Técnicos

Segundo a Reuters, o ouro à vista caiu mais de 3% para cerca de 4.703 dólares por onça, depois de ter recuado mais de 5% durante a sessão, tocando mínimos de mais de duas semanas. O movimento ocorreu na véspera da entrada em vigor do aumento das margens exigidas pela CME Group nos contratos de futuros de metais preciosos.

A CME anunciou o reforço das margens nos contratos de ouro, prata, platina e paládio, uma medida que tende a reduzir a participação especulativa e a forçar a redução de posições alavancadas. Para o ouro, as margens nos contratos COMEX aumentaram de 6% para 8%, enquanto na prata o aumento foi de 11% para 15%, detalhou a Reuters.

“Embora a nomeação de Kevin Warsh tenha sido o gatilho inicial, isso não justifica, por si só, a dimensão do movimento. As liquidações forçadas e o aumento das margens tiveram um efeito em cascata”, afirmou Tim Waterer, analista-chefe da KCM Trade, citado pela Reuters.

Um Mercado “Carregado” De Apostas Longas

De acordo com a Bloomberg, a queda do ouro seguiu-se ao maior mergulho diário em mais de dez anos, num mercado que se encontrava excessivamente posicionado para a continuação da subida. O metal precioso tinha registado máximos históricos sucessivos, impulsionado por receios geopolíticos, preocupações com a desvalorização cambial e dúvidas sobre a independência da Reserva Federal.

“Não acabou”, alertou Robert Gottlieb, antigo trader de metais preciosos do JPMorgan e actual comentador independente, acrescentando que a relutância dos investidores em assumir novos riscos poderá continuar a limitar a liquidez. “O mercado estava demasiado carregado de posições. Agora é preciso ver onde encontra suporte”, afirmou à Bloomberg.

A Bloomberg sublinha ainda que uma vaga recorde de compras de opções de compra reforçou mecanicamente o movimento de subida, obrigando os vendedores dessas opções a comprar ouro para se protegerem, um mecanismo que amplificou o rally e, posteriormente, a correcção.

Nomeação Para A Fed Reforça Dólar E Penaliza Ouro

O movimento de venda foi catalisado pela decisão do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de indicar Kevin Warsh para liderar a Federal Reserve, uma escolha interpretada pelos mercados como mais restritiva do ponto de vista da inflação.

Segundo Tim Waterer, citado pela Reuters, Warsh “não é o candidato ultra-acomodativo que o mercado tinha em grande parte antecipado”, sendo a sua visão mais favorável ao dólar e, por inferência, menos favorável ao ouro, dado o foco no controlo da inflação e a postura crítica face a políticas monetárias ultra-expansionistas.

Volatilidade Alarga-Se Aos Restantes Metais

A correcção não se limitou ao ouro. A prata caiu cerca de 5%, após ter registado a maior queda intradiária de sempre na sessão anterior, enquanto a platina e o paládio recuaram mais de 4% e 3%, respectivamente, segundo dados compilados pela Reuters e pela Bloomberg.

Apesar da forte volatilidade, alguns analistas observam que a queda poderá estimular a procura física em mercados asiáticos, particularmente na China, onde o período que antecede o Ano Novo Lunar tende a reforçar a procura por joalharia e barras de ouro, embora a redução do apetite especulativo possa limitar uma recuperação rápida.

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