Gigante chinesa EVERGRANDE na iminência de um colapso

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EVERGRANDE, a segunda maior incorporadora imobiliária da China, está à beira do colapso e a notícia despencou os mercados globais durante as negociações de segunda-feira.

Com um endividamento de mais de 305 mil milhões de dólares, a imobiliária é actualmente a empresa mais endividada do mundo. Enquanto a empresa luta para reembolsar os credores, os mercados globais respondem com vendas, as acções da empresa perderam mais de 80% de seu valor na bolsa de valores de Hong Kong este ano.

A empresa tem procurado por meses evitar uma crise de liquidez que se desenrola rapidamente, mas tem lutado para levantar dinheiro suficiente para reduzir suas dívidas enquanto continua a pagar fornecedores, credores e os investidores.

A empresa havia alertados os investidores na semana finda que não conseguiria cumprir com o pagamento das suas dívidas, um posicionamento que foi reforçado pelas agências de rating. A Fitch disse que o incuprimento pela empresa “parecia provável”, enquanto a Moody’s disse que “Evergrande está sem dinheiro e sem tempo”.

A informação atingiu os mercados no início desta semana. As acções da Evergrande caíram 13% esta segunda-feira, em Hong Kong, arrastando as acções norte-americanas e globais. O S&P 500 caiu 1,7% para 4.357,73 pontos, registando o seu pior desempenho diário desde 12 de maio do ano em curso. A média do Dow Jones Industrial perdeu 614,41 pontos, ou 1,8%, para 33.970,47 pontos, a sua maior queda desde 19 de julho.

EVERGRANDE (anteriormente Hengda Group), fundada por Xu Jiayin em 1996 e sediada em Shenzhen, China, se expandiu rapidamente durante o boom imobiliário na China, comprando terrenos e entregando mais de 1300 empreendimentos de apartamentos de luxo e de preço de mercado em mais de 280 cidades da China.

Como as vendas residenciais começaram a diminuir nos últimos anos, a dívida da EVERGRANDE aumentou e a empresa se diversificou em outros sectores, como veículos elétricos e futebol. A empresa emprega 200.000 pessoas directa e indirectamente, sendo  responsável por cerca de 3,8 milhões de empregos por ano.

Grande demais para falir?

Enquanto a EVERGRANDE envida esforços para aumentar a confiança, com seu presidente prometendo cumprir as responsabilidades, os mercados questionam-se sobre um possível resgate do governo e se a empresa é de fato grande demais para falir.

Com efeito, a empresa detém uma enorme rede de empreiteiros e outros negócios na região que têm dívidas para com ela, o que aumenta o seu risco sistêmico para o sistema financeiro do país. Segundo o World Economic Forum, nas últimas semanas, os temores de contágio se intensificaram com 128 instituições bancárias e 121 instituições não bancárias expostas ao EVERGRANDE .

Alguns analistas alertaram que o fracasso de uma incorporadora imobiliária tão grande e altamente endividada poderia ter um grande impacto na economia chinesa, o que poderia se espalhar para o sistema financeiro global, propondo uma intervenção da China para mitigar os efeitos da crise.

O Governo Chinês, por seu turno,  já havia dado indícios de que não se mobilizaria para resgatar a incorporadora imobiliária que está afundada em dívidas. De acordo com o Dow Jones Newswires, as autoridades daquele país asiático falam em se preparar “para a possível tempestade” e instruíam agências governamentais e empresas estatais a interferir apenas em último caso.

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