
Banco Mundial alerta para estagnação global e defende nova abordagem centrada na casa, no bairro e no local de trabalho
Relatório sustenta que dois terços dos países de rendimento baixo e médio registaram retrocessos em saúde, aprendizagem ou desenvolvimento de competências; propõe integração de políticas públicas com foco nos ambientes onde o capital humano é efectivamente construído
- Dois terços dos países de rendimento baixo e médio registaram retrocessos em pelo menos um indicador de capital humano;
- Diferenças em capital humano explicam cerca de dois terços do diferencial de rendimento per capita entre países ricos e pobres;
- Metade do capital humano ao longo da vida é adquirida no local de trabalho;
- 70% dos trabalhadores em economias em desenvolvimento concentram-se em actividades de baixa produtividade;
- Banco Mundial defende políticas integradas focadas no lar, no bairro e no ambiente laboral;
- Banco Mundial defende políticas integradas focadas no lar, no bairro e no ambiente laboral.
O progresso global em capital humano — entendido como o conjunto de competências, saúde e conhecimento que sustentam a produtividade e o crescimento económico — está a perder fôlego em várias economias emergentes. O alerta é lançado pelo Banco Mundial no relatório Building Human Capital Where It Matters: Homes, Neighborhoods, and Workplaces, que documenta uma estagnação preocupante em indicadores essenciais de aprendizagem, saúde e inserção laboral.
Segundo o documento, dois terços dos países de rendimento baixo e médio registaram declínios em pelo menos uma das dimensões-chave do capital humano nos últimos 15 anos. Indicadores como altura média adulta — frequentemente utilizada como proxy de saúde acumulada — apresentam retrocessos em vários contextos, enquanto os resultados de aprendizagem permanecem estagnados ou inferiores aos registados em 2010. O relatório sublinha que “diferenças no capital humano explicam cerca de dois terços do diferencial de rendimento per capita entre países ricos e pobres” .
O capital humano constrói-se em ambientes concretos
A principal inovação conceptual do relatório é a defesa de uma abordagem centrada nos ambientes onde o capital humano é acumulado: o lar, o bairro e o local de trabalho. A ênfase tradicional em sectores como educação e saúde continua essencial, mas revela-se insuficiente quando ignoradas as interacções entre contextos familiares, territoriais e produtivos .
O modelo clássico de ciclo de vida explica quando investir — infância, juventude, idade activa — mas não responde plenamente à questão de onde essas competências são efectivamente construídas. A acumulação é cumulativa e dinâmica: défices na primeira infância reduzem retornos em fases posteriores.
O lar como primeira infra-estrutura de produtividade
No plano doméstico, o relatório demonstra que a educação materna e a qualidade das interacções familiares influenciam decisivamente o desenvolvimento cognitivo das crianças, com diferenças observáveis antes dos cinco anos e persistentes na adolescência .
Recursos financeiros são relevantes, mas não suficientes. O cuidado parental, o estímulo precoce e o ambiente emocional moldam trajectórias de aprendizagem . Programas de geração de rendimento parental revelaram impactos positivos tanto no desenvolvimento infantil como na permanência escolar .
A geografia da oportunidade
O bairro surge como segundo determinante estrutural. Crianças pobres que crescem em bairros igualmente pobres tendem a registar rendimentos adultos significativamente mais baixos do que aquelas que crescem em contextos territorialmente mais dinâmicos .
Qualidade das escolas, segurança, acesso a serviços de saúde e exposição ambiental moldam mobilidade social . Políticas urbanas e sociais desconectadas tendem a produzir resultados limitados, enquanto intervenções integradas podem gerar externalidades positivas .
O local de trabalho como escola invisível
Do ponto de vista económico, o dado mais relevante é que cerca de metade do capital humano acumulado ao longo da vida é adquirido no trabalho . Contudo, aproximadamente 70% dos trabalhadores em países de rendimento baixo e médio encontram-se em agricultura de subsistência, autoemprego ou microempresas de baixa produtividade .
Os retornos à experiência são substancialmente mais elevados no emprego formal do que no autoemprego , reforçando a importância de políticas de formalização e desenvolvimento empresarial.
Persistem ainda constrangimentos estruturais, como a baixa participação feminina no emprego remunerado e a elevada proporção de jovens que não estudam nem trabalham . A remoção de barreiras institucionais — como acesso a creches e transporte seguro — pode ampliar significativamente o potencial de aprendizagem laboral .
Capital humano como base do crescimento sustentável
O relatório conclui que investir em capital humano é fundacional para o crescimento de longo prazo . Políticas fragmentadas tendem a diluir impacto. A coordenação entre sectores sociais, políticas territoriais e dinamização produtiva é condição essencial para resultados sustentáveis.
Num contexto de transição tecnológica, vulnerabilidade climática e pressão demográfica, o capital humano assume-se como activo estratégico central. Não se constrói apenas em salas de aula ou hospitais — constrói-se no lar, no bairro e no emprego.
Comércio global entra numa fase de discriminação selectiva
13 de Fevereiro, 2026
Conecte-se a Nós
Economia Global
-
Moçambique e Brasil selam cooperação estratégica para certificação digital
13 de Fevereiro, 2026 -
FMI insta África do Sul a adoptar regra mais rígida para travar dívida pública
13 de Fevereiro, 2026 -
Comércio global entra numa fase de discriminação selectiva
13 de Fevereiro, 2026
Mais Vistos
-
Moçambique e Brasil selam cooperação estratégica para certificação digital
13 de Fevereiro, 2026 -
FMI insta África do Sul a adoptar regra mais rígida para travar dívida pública
13 de Fevereiro, 2026
Sobre Nós
O Económico assegura a sua eficácia mediante a consolidação de uma marca única e distinta, cujo valor é a sua capacidade de gerar e disseminar conteúdos informativos e formativos de especialidade económica em termos tais que estes se traduzem em mais-valias para quem recebe, acompanha e absorve as informações veiculadas nos diferentes meios do projecto. Portanto, o Económico apresenta valências importantes para os objectivos institucionais e de negócios das empresas.
últimas notícias
-
Moçambique e Brasil selam cooperação estratégica para certificação digital
13 de Fevereiro, 2026 -
FMI insta África do Sul a adoptar regra mais rígida para travar dívida pública
13 de Fevereiro, 2026
Mais Acessados
-
Economia Informal: um problema ou uma solução?
16 de Agosto, 2019
















