Economia De Baixo Carbono Pode Criar 375 Milhões De Empregos E Compensar Pressão Da IA — Mas Exige Revolução Nas Competências

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Questões-Chave:

• Estudo do World Resources Institute estima criação de 375 milhões de empregos até 2035;
• Transição climática poderá compensar perdas associadas à automação e IA;
• 630 milhões de trabalhadores enfrentarão processos de transição ocupacional;
• Défice de competências verdes ameaça atrasar implantação de renováveis;
• África tem elevado potencial de emprego, mas enfrenta lacunas estruturais de qualificação.

A Economia Verde Como Contrapeso À Automação

Um estudo recente do World Resources Institute sustenta que a transição para economias resilientes e de baixo carbono poderá gerar quase 375 milhões de novos empregos na próxima década, distribuídos por sectores como energia, construção, manufactura e agricultura .

A estimativa surge num momento em que a Inteligência Artificial e a automação digital pressionam o mercado de trabalho global, com potencial redução líquida de postos em diversas actividades.

Ao contrário de ciclos tecnológicos anteriores, a transição climática poderá produzir saldo líquido positivo no emprego — desde que acompanhada por políticas deliberadas de formação e requalificação.

375 Milhões De Empregos — Mas 630 Milhões Em Transição

O potencial de criação de emprego é expressivo, representando aumento médio de cerca de 20% nos sectores analisados . Contudo, o processo envolverá forte redistribuição ocupacional.

O mesmo estudo estima que 630 milhões de trabalhadores poderão ser afectados por transições de emprego . No sector energético, por exemplo, projeta-se acréscimo líquido de 20 milhões de empregos em electrificação e renováveis, mas declínio em actividades ligadas à extracção de combustíveis fósseis .

O desafio não é apenas criar postos de trabalho, mas gerir o “churn” laboral com políticas activas de requalificação.

A Dimensão Subestimada: Adaptação Climática

Dos 375 milhões de empregos projectados, cerca de 280 milhões poderão estar associados a actividades de adaptação climática .

Agricultura regenerativa, restauro de ecossistemas, infra-estruturas resilientes e reabilitação ambiental constituem sectores intensivos em mão-de-obra. A agricultura e uso da terra poderão gerar 195 milhões de empregos adicionais, enquanto a construção poderá expandir cerca de 70% face à sua força de trabalho actual .

A economia verde revela-se, assim, simultaneamente industrial e territorial.

O Risco Estrutural Do Défice De Competências

Apesar do potencial, o estudo alerta para um risco crescente de escassez de talento. A procura por competências verdes aumentou 12% entre 2023 e 2024, ritmo duas vezes superior ao da oferta .

Projeta-se ainda um défice de 14% na força de trabalho necessária ao sector das renováveis até 2030 . Tal escassez poderá atrasar implantação tecnológica e ampliar riscos climáticos acumulados.

Sem investimento imediato em capital humano, a transição poderá perder velocidade.

África: Oportunidade E Vulnerabilidade

O estudo reconhece que países de baixo rendimento, incluindo várias economias africanas, podem ter ganhos significativos em criação de emprego verde, mas enfrentam défices estruturais de literacia, formação técnica e protecção social .

Mais de 760 milhões de adultos no mundo carecem de competências básicas, enquanto a juventude de países de baixo rendimento permanece, em larga medida, fora da trajectória de aquisição de competências relevantes para o mercado de trabalho .

A transição climática deixa de ser apenas agenda ambiental. Torna-se agenda de emprego, produtividade e competitividade.

Uma Decisão Estratégica De Política Económica

A conclusão é inequívoca: o potencial de 375 milhões de empregos não é automático. Exige alinhamento entre política climática, política industrial, política educativa e estratégia fiscal .

Num mundo marcado por disrupção tecnológica e fragmentação geopolítica, a economia de baixo carbono poderá constituir novo ciclo expansivo global.

A variável decisiva será a capacidade dos países de transformar ambição climática em estratégia de capital humano.

Perfeito. Seguem as versões para redes sociais (boost safe) do artigo sobre transição verde e emprego.

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