Banco Africano de Desenvolvimento Lança Iniciativa de 10 Mil Milhões USD para Acelerar Inteligência Artificial em África

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Parceria com o PNUD pretende mobilizar até 2035 cerca de 10 mil milhões USD, criar 40 milhões de empregos e acrescentar até 1 bilião USD ao PIB africano.

Questões-Chave:
  • Iniciativa “AI 10 Billion” lançada no Nairobi AI Forum 2026;
  • Mobilização prevista de até 10 mil milhões USD até 2035;
  • Meta de criação de 40 milhões de empregos no continente;
  • Estratégia assente em cinco pilares: dados, capacidade computacional, competências, confiança e capital;
  • Potencial de acrescentar até 1 bilião USD ao PIB africano até 2035;
  • Roadshow continental nos próximos 10 meses para mobilização de parcerias.

O Banco Africano de Desenvolvimento (BAD), em parceria com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e actores privados, lançou a iniciativa “AI 10 Billion”, um programa continental destinado a acelerar a adopção responsável da inteligência artificial (IA) e promover crescimento económico digital inclusivo em África .

O anúncio foi feito durante o Nairobi AI Forum 2026, realizado a 9 e 10 de Fevereiro, reunindo governos, líderes empresariais, parceiros de desenvolvimento e inovadores tecnológicos com o objectivo de delinear caminhos concretos para a adopção da IA com impacto estruturante .

A ambição é clara: mobilizar até 10 mil milhões de dólares até 2035 e criar até 40 milhões de empregos no continente.

Inteligência Artificial como vector de crescimento

Segundo o Banco Africano de Desenvolvimento, a iniciativa visa desbloquear um potencial de aumento de até 1 bilião de dólares no PIB africano até 2035, caso a adopção de IA seja estruturada e orientada para ganhos de produtividade .

O programa é guiado pelo relatório publicado em Junho de 2025 pelo Banco, intitulado Africa’s AI Productivity Gain: Pathways to Labour Efficiency, Economic Growth and Inclusive Transformation, que define um roteiro em três fases para a prontidão africana em IA .

Este roteiro assenta em cinco facilitadores interligados: dados, capacidade computacional, competências, confiança e capital.

A arquitectura conceptual reflecte um entendimento de que a IA não é apenas tecnologia, mas ecossistema. Sem dados interoperáveis, infra-estrutura digital robusta, capital humano qualificado, enquadramento regulatório ético e financiamento adequado, a adopção tecnológica tende a ser fragmentada e limitada.

Investimento estruturado e mobilização de capital

Os recursos mobilizados no âmbito da iniciativa serão canalizados para projectos-piloto, financiamento por via de capital próprio e instrumentos de dívida resilientes, com o objectivo de criar provas de conceito escaláveis e fortalecer ecossistemas digitais regionais .

O foco inclui empreendedorismo tecnológico, infra-estruturas regionais de dados, desenvolvimento de competências digitais e quadros regulatórios que promovam confiança na utilização da IA.

Nicholas Williams, Director da Divisão de Operações TIC do Banco, afirmou que a instituição pretende assegurar que África não fique para trás na era da inteligência artificial . A ênfase está na criação de parcerias sustentadas e investimento contínuo, especialmente em inovação liderada por jovens e mulheres.

Por sua vez, Jean-Luc Stalon, Representante Residente do PNUD no Quénia, destacou o papel do sector privado como motor essencial da adopção de IA com impacto no emprego e nos meios de subsistência .

Entre oportunidade e risco de marginalização digital

A iniciativa surge num contexto global em que a inteligência artificial redefine cadeias de valor, produtividade industrial e serviços financeiros, logísticos e agrícolas.

África enfrenta um duplo desafio. Por um lado, evitar marginalização tecnológica num mundo cada vez mais orientado por algoritmos e automação. Por outro, garantir que a adopção de IA seja inclusiva, geradora de emprego e alinhada com prioridades de desenvolvimento.

O Nairobi AI Forum sublinhou a importância de confiança, governação ética e criação de valor local como princípios estruturantes .

Sem governação adequada, o risco é que a adopção tecnológica aprofunde desigualdades digitais. Com estratégia coordenada, pode tornar-se alavanca de transformação produtiva.

O próximo passo: diplomacia tecnológica continental

Para operacionalizar a iniciativa, o Banco Africano de Desenvolvimento realizará um roadshow nos próximos dez meses, envolvendo governos, sector privado e parceiros de desenvolvimento na mobilização de novos compromissos .

A diplomacia económica africana entra assim numa nova dimensão: a diplomacia tecnológica.

A inteligência artificial deixa de ser apenas agenda de inovação e passa a ser instrumento estratégico de política económica.

O sucesso da “AI 10 Billion” dependerá da capacidade de transformar financiamento em infra-estrutura digital, formação em produtividade e tecnologia em emprego sustentável.

África quer participar na economia da IA.

O desafio será fazê-lo com autonomia estratégica e inclusão social.

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