Sonangol Quer Diversificar Para Minerais Críticos E Reporta Lucro De US$ 750 Milhões

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Empresa estatal angolana procura posicionar-se na transição energética enquanto Governo mantém em suspenso venda de 30% do capital.

Questões-Chave:
  • Sonangol registou lucro líquido superior a US$ 750 milhões em 2025;
  • Produção média foi de 217 mil barris de petróleo equivalente por dia;
  • Empresa detém sete concessões para explorar urânio, lítio e quartzo;
  • Governo mantém intenção de vender 30% do capital, mas sem calendário definido;
  • Estratégia aponta para diversificação alinhada com a transição energética.

A petrolífera estatal angolana Sonangol anunciou intenção de diversificar o seu portefólio para minerais críticos, num movimento estratégico que acompanha a transformação estrutural dos mercados energéticos globais .

O anúncio foi feito em Luanda, numa conferência de imprensa em que a empresa revelou ter alcançado um lucro líquido superior a 750 milhões de dólares em 2025, abaixo do equivalente a cerca de 807 milhões de dólares registados em 2024, à taxa de câmbio actual.

Lucro Sólido Em Contexto De Ajustamento

Apesar da ligeira redução, o resultado mantém a Sonangol como pilar central da economia angolana. A empresa reportou uma produção de 217 mil barris de petróleo equivalente por dia no último exercício , operando participações em dezenas de blocos offshore, refinarias e uma frota própria de navios.

Angola permanece como o segundo maior produtor de crude da África Subsaariana, num contexto de reformas regulatórias destinadas a atrair investimento das grandes petrolíferas internacionais.

Aposta Em Minerais Da Transição Energética

Segundo o CEO Sebastião Gaspar Martins, a empresa pretende posicionar-se em minerais críticos essenciais para a transição energética . Actualmente, a Sonangol detém sete concessões para exploração de urânio, lítio e quartzo.

A estratégia reflecte uma leitura clara: a diversificação permitirá reduzir dependência exclusiva do petróleo e garantir presença em cadeias de valor associadas à electrificação, baterias e tecnologias limpas.

A movimentação ocorre num momento em que vários países africanos procuram capturar maior valor na cadeia dos minerais críticos, numa lógica semelhante à adoptada recentemente por outras economias da região.

Privatização Parcial Ainda Sem Calendário

O Governo angolano mantém planos de alienar 30% do capital da Sonangol, mas o CEO indicou que as condições de mercado ainda não são adequadas para avançar com a operação . Paralelamente, o Executivo prepara a venda de participações em dez outras empresas estatais ainda este ano.

A decisão de adiar a privatização parcial pode estar relacionada com a volatilidade do mercado petrolífero e com a necessidade de consolidar a posição financeira da empresa antes de uma eventual abertura de capital.

Transição Energética E Estratégia Corporativa

A intenção de diversificação sinaliza uma inflexão estratégica relevante. Para uma empresa historicamente centrada no upstream petrolífero, a entrada nos minerais críticos representa não apenas expansão de portefólio, mas também reposicionamento no quadro da transição energética global.

A questão central será a capacidade de converter concessões em produção efectiva e competitiva, assegurando retorno financeiro e alinhamento com políticas industriais nacionais.

Para Moçambique  igualmente rico em grafite e outros minerais estratégicos  a movimentação da Sonangol ilustra como as empresas nacionais de energia podem evoluir de operadores tradicionais para conglomerados integrados no novo paradigma energético.

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