
Recuperação económica está a enfrentar obstáculos
Escassez de chips custará à indústria automobilística global US$ 210 mil milhões em receita apenas em 2021.
O mundo está actualmente a enfrentar uma escassez sem precedentes de semicondutores. A contínua escassez global tem agitado as indústrias automotiva e de tecnologias de consumo há mais de um ano, mas uma onda de notícias das indústrias dependentes destes componentes na última semana tem transmitido a indicação de que as coisas não vão melhorar tão cedo.
A escassez global de semicondutores iniciou no ano passado, resultado da pandemia da Covid-19. À medida que os países adoptavam bloqueios e medidas de isolamento social visando conter a propagação da pandemia, assistiu-se a um aumento considerável na demanda por dispositivos inteligentes e habilitados para chips de todos os tipos, o que, por sua vez, fez com que o mercado precisasse de enormes volumes de todos os diferentes tipos de chips ao mesmo tempo.
Com efeito, segundo informações divulgadas KINAXIS – uma empresa de software canadiana especializada na gestão de cadeias de suprimentos e planeamento de vendas e operações – as vendas de tablets em 2020 aumentaram quase 14% em relação a 2019, enquanto as vendas de computadores pessoais cresceram 11% em relação a 2019, o maior aumento desde 2010. Durante o mesmo período, as receitas de consoles de jogos aumentaram 18%, para US$ 11,9 mil milhões, e as vendas anuais de smart TVs aumentaram 7%.
Como em tantas outras áreas e aspectos da economia afectadas pela Covid-19, esta demanda no domínio dos semicondutores surpreendeu muitos gestores de cadeias de suprimentos da indústria . Incapazes de prever o cenário, não havia como produzir rápido o suficiente certos tipos chips por forma a satisfazer atempadamente demanda.
Embora a crescente procura tenha sido a principal causa da actual escassez de chips, esta, contudo, não foi o única. Os especialistas da indústria de semicondutores apontam para uma variedade de factores que contribuíram adicionalmente, incluindo problemas estruturais conhecidos na indústria, um incêndio em uma das principais fábricas de chips automotivos do mundo, no Japão, e a interrupção do fabrico de semicondutores nos Estados Unidos causada pela crise de energia no Texas em fevereiro deste ano.
A escassez global de chips teve um efeito massivo em toda a indústria de tecnologia. Ao todo, 169 indústrias enfrentam a crise, incluindo automóveis, computadores, equipamentos médicos e outros dispositivos eletrônicos, de acordo com a Goldman Sachs.
Embora o impacto da crise varie de acordo com a indústria em consideração, no geral, as empresas com processos produtivos dependentes dos semicondutores estão todas frenéticas confrontando-se com dificuldades em adquirir chips necessários para colocar seus produtos no mercado, sendo que a indústria automotiva tem sido a mais atingida do que a maioria.
O impacto nas vendas da indústria de automotiva é considerado desastroso. Dada a extrema dependência da indústria aos componentes – um veículo novo típico usa cerca de 1.400 microchips – e com estes em escassez, muitos dos principais fabricantes do mundo foram forçados a cortar a produção fechando temporariamente algumas de suas instalações fabris. A consultoria AlixPartners prevê que a escassez de chips custará à indústria automobilística global US$ 210 mil milhões em receita apenas em 2021.
Relativamente ao futuro, as opiniões dos especialistas divergem sobre quanto tempo os semicondutores continuarão a ser um gargalo na cadeia de suprimentos. Alguns prevêem que o pior deverá terminar até o final de 2022, enquanto outros esperam que se prolongue até 2023 e, possivelmente, além desse período .
Entretanto, importa destacar que, neste momento, várias empresas estão numa azafama de construção de instalações, em todo o mundo, que fabricarão chips para tecnologias futuras, incluindo dispositivos 5G e veículos elétricos. Uma corrida que pode vir a antecipar o fim da actual crise.
















