Massa Monetária Cresce, Crédito Mantém Ritmo Lento E Juros Permanecem Elevados No Início De 2026

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Dados do Banco de Moçambique apontam para aumento da liquidez e reforço das reservas externas, num contexto de crédito estável e custos de financiamento ainda elevados

Questões-Chave:
  • Massa monetária (M3) aumenta para 852,9 mil milhões de meticais em Fevereiro de 2026;
  • Crédito à economia mantém-se relativamente estável em torno de 291 mil milhões de meticais;
  • Reservas internacionais sobem para 4,25 mil milhões USD;
  • Taxas de juro continuam elevadas, com empréstimos acima de 22%;
  • Crédito permanece concentrado em particulares e sectores não transaccionáveis.

Liquidez aumenta com crescimento da massa monetária

Os dados do Banco de Moçambique indicam uma expansão da liquidez na economia, reflectida no crescimento da massa monetária (M3), que atingiu 852,9 mil milhões de meticais em Fevereiro de 2026, após 856,2 mil milhões em Janeiro.

A evolução da M3 acompanha o comportamento dos depósitos, que continuam a representar a principal componente da oferta monetária, evidenciando uma base de liquidez relativamente robusta no sistema financeiro.

Crédito à economia revela estabilidade, não expansão

Ao contrário da evolução da liquidez, o crédito à economia apresenta uma trajectória de relativa estabilidade. Em Fevereiro de 2026, situou-se em cerca de 291,2 mil milhões de meticais, ligeiramente acima dos 290,4 mil milhões registados em Janeiro.

Esta evolução confirma que, embora o sistema financeiro disponha de liquidez, não se observa uma expansão significativa do financiamento à actividade económica no curto prazo.

Mais do que uma contracção, os dados apontam para um crescimento moderado e contido, o que sugere uma postura prudente por parte das instituições financeiras.

Reservas externas reforçam posição de estabilidade

No sector externo, observa-se um reforço das reservas internacionais líquidas, que atingiram 4,258 mil milhões de dólares em Fevereiro de 2026, acima dos 4,151 mil milhões registados no início do período.

Este nível corresponde a cerca de 3,5 meses de cobertura das importações (ou 5,3 meses excluindo grandes projectos), indicando uma posição externa relativamente estável.

Estrutura do crédito mantém concentração em particulares

A distribuição sectorial do crédito evidencia uma forte concentração no segmento de particulares, que absorvem mais de 104 mil milhões de meticais, mantendo-se como o principal destino do financiamento bancário.

Sectores produtivos como agricultura, indústria transformadora e turismo continuam a representar parcelas significativamente menores do crédito total.

Este padrão, evidenciado nos dados, confirma uma estrutura de financiamento ainda pouco orientada para sectores com maior potencial de transformação económica.

Taxas de juro continuam elevadas apesar de ligeira descida

As taxas de juro mantêm-se em níveis elevados, com as taxas médias de empréstimos a situarem-se em 22,63% em Fevereiro de 2026, ligeiramente abaixo dos níveis observados em meses anteriores.

As taxas de depósitos continuam significativamente mais baixas, situando-se em torno de 4,98%, o que evidencia um diferencial elevado no sistema bancário.

Mesmo nas novas operações, os níveis de juros continuam a reflectir um ambiente de risco e custos elevados de financiamento.

Inflação apresenta moderação no início do ano

No sector real, os dados mostram uma inflação anual de cerca de 3,20% em Fevereiro de 2026 a nível nacional, inferior aos níveis observados no período homólogo.

Esta evolução sugere uma relativa estabilização dos preços no curto prazo, embora o contexto continue sujeito a riscos externos.

Expansão dos serviços financeiros digitais continua

O sistema financeiro continua a expandir-se, particularmente no segmento digital. O número de agentes de instituições de moeda electrónica atingiu 457.813 em 2026, evidenciando uma forte expansão da rede de serviços financeiros.

Este crescimento é acompanhado pelo aumento do número de contas e do volume de transacções, consolidando a inclusão financeira como uma das dinâmicas mais relevantes do sector.

Estabilidade com crescimento ainda contido

Os dados do Banco de Moçambique apontam para um quadro de estabilidade macro-financeira, caracterizado por liquidez crescente, reservas externas robustas e inflação moderada.

Contudo, esta estabilidade convive com sinais de crescimento ainda contido, nomeadamente ao nível do crédito à economia e da estrutura do financiamento.

O sistema financeiro mostra-se sólido, mas ainda com desafios na sua capacidade de apoiar de forma mais activa a dinâmica produtiva.

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