
Produção de Rubis em Moçambique Ultrapassa 5 Milhões de Quilates em 2025 Com Crescimento de 29%
Desempenho supera previsões oficiais, mas receitas recuam e mineração ilegal continua a pressionar o sector
- Produção de rubis atingiu 5,097 milhões de quilates em 2025;
- Crescimento anual foi de 29%, superando largamente as previsões;
- Produção registou taxa de execução de 123% face às metas;
- Exportações representam cerca de 70% da produção;
- Receitas caíram 30% no primeiro trimestre de 2025;
- Mineração ilegal continua a afectar operações no principal polo produtor.
Produção Atinge Máximo Histórico e Supera Metas Oficiais
A produção de rubis em Moçambique registou um crescimento expressivo em 2025, ultrapassando pela primeira vez a fasquia dos 5 milhões de quilates, ao atingir 5,097 milhões de quilates, de acordo com dados oficiais de execução orçamental do Ministério dos Recursos Minerais e Energia (MIREME).
O desempenho representa um aumento de 29% face aos 4,143 milhões de quilates produzidos em 2024, consolidando uma trajectória de crescimento sustentado iniciada nos anos anteriores.
Segundo o documento oficial, trata-se de um crescimento “exponencial”, com uma taxa de realização de 123% em relação às metas estabelecidas, impulsionado pelo desempenho das empresas mineiras e pelo aumento da procura internacional.
Procura Internacional Sustenta Dinâmica de Produção
O aumento da produção está directamente associado ao reforço da procura global por pedras preciosas, num contexto de recuperação gradual de segmentos específicos do mercado de luxo.
Os rubis assumem particular relevância no portefólio mineiro nacional, sendo considerados o principal mineral do grupo das gemas, com elevado valor acrescentado e forte potencial exportador.
Receitas em Queda Contrastam Com Crescimento da Produção
Apesar do aumento significativo da produção, os dados mais recentes revelam um desempenho menos favorável ao nível das receitas.
No primeiro trimestre de 2025, as exportações de rubis geraram US$ 5,1 milhões, representando uma queda de 30% face aos US$ 7,2 milhões registados no mesmo período de 2024, segundo dados do Banco de Moçambique.
Este desalinhamento entre volumes produzidos e receitas sugere pressões sobre os preços internacionais ou constrangimentos operacionais e comerciais no sector.
Mineração Ilegal Continua a Condicionar Operações
Um dos principais factores de risco estrutural continua a ser a mineração ilegal, particularmente na província de Cabo Delgado, onde se localiza o maior projecto do país.
A Montepuez Ruby Mining (MRM), maior produtora nacional, tem vindo a alertar para o impacto crescente desta actividade, referindo a presença diária de 250 a 400 mineiros ilegais nas suas áreas de concessão, com efeitos directos na operação e infra-estrutura.
A situação levou mesmo ao adiamento de leilões internacionais de rubis para 2026, afectando o ciclo normal de comercialização e geração de receitas.
Previsões para 2026 Ajustadas Face a Constrangimentos
Apesar do desempenho robusto em 2025, as projecções para 2026 apontam para uma moderação da produção.
O Governo prevê uma produção de 4,062,546 quilates, reflectindo a suspensão de actividades por parte do terceiro maior produtor nacional, conforme indicado no documento de previsão orçamental do Ministério das Finanças.
Ainda assim, o desempenho recente poderá levar a uma revisão em alta destas previsões, caso as condições operacionais e de mercado se mantenham favoráveis.
Exportações e Valor Acrescentado no Centro da Estratégia
Actualmente, cerca de 70% da produção de rubis é exportada, sendo que o Governo pretende aumentar esta proporção para 79% até 2029, reforçando o contributo do sector para a balança comercial.
Este objectivo está alinhado com a estratégia de maximização do valor económico dos recursos minerais, embora continue a depender de factores como estabilidade operacional, combate à ilegalidade e condições do mercado internacional.
Entre Potencial de Crescimento e Desafios Estruturais
O sector dos rubis em Moçambique evidencia um potencial significativo de crescimento, sustentado por recursos de elevada qualidade e procura internacional consistente.
Contudo, os desafios persistentes — desde a volatilidade das receitas até à mineração ilegal — continuam a limitar a plena materialização deste potencial.
Num contexto em que o país procura diversificar a sua base exportadora, a consolidação deste segmento exigirá não apenas aumento de produção, mas também maior controlo operacional, eficiência na cadeia de valor e reforço da governação no sector extractivo.
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