
Governo Acelera Expansão Do Gás Veicular Para Reduzir Dependência Dos Combustíveis Importados
- Executivo aposta na massificação do gás natural como alternativa estratégica para reduzir custos de mobilidade, reforçar soberania energética e dinamizar a economia nacional.
- Governo pretende expandir o uso do gás veicular numa primeira fase para a região Sul do país;
- Estratégia visa reduzir dependência dos combustíveis importados e mitigar impactos das crises internacionais;
- Executivo prevê expansão de postos de abastecimento e centros de conversão automóvel;
- Gás natural poderá reduzir custos de transporte em cerca de 50%;
- Governo pretende integrar gás de Temane e futuramente da Bacia do Rovuma no sistema nacional de mobilidade.
O Governo moçambicano reafirmou esta semana a sua aposta estratégica na expansão do uso de gás natural veicular como parte da política nacional de transição energética, mobilidade sustentável e redução da dependência dos combustíveis importados.
A garantia foi dada pelo Presidente da República, Daniel Chapo, durante a cerimónia de entrega de novos autocarros para transporte público, realizada na Matola, ocasião em que o Chefe do Estado enquadrou a massificação do gás natural como uma resposta estrutural aos actuais desafios energéticos e económicos globais.
Segundo Daniel Chapo, o Executivo encontra-se actualmente a trabalhar numa primeira fase de expansão do uso de gás veicular na região Sul do país, no âmbito do Programa Nacional de Massificação do Gás.
O objectivo, explicou, passa por fortalecer a soberania energética e económica, reduzir custos de mobilidade, dinamizar a indústria nacional e diminuir a vulnerabilidade do país às flutuações internacionais dos combustíveis.
“O país começa de forma cada vez mais concreta a transformar os seus recursos naturais em soluções para reduzir o custo de vida da população e mitigar os efeitos das crises globais”, afirmou o Presidente da República.
O posicionamento do Executivo surge num momento particularmente sensível para o mercado energético internacional, marcado por forte volatilidade dos preços do petróleo devido às tensões geopolíticas no Médio Oriente e às perturbações nas cadeias globais de abastecimento energético.
Segundo Daniel Chapo, o gás proveniente de Temane, na província de Inhambane, e futuramente o gás da Bacia do Rovuma, em Cabo Delgado, deverão desempenhar um papel central na transformação da matriz energética associada à mobilidade em Moçambique.
“O gás é nosso e deve servir-nos”, declarou o Chefe do Estado, defendendo uma abordagem baseada na valorização económica dos recursos nacionais para benefício directo da população.
O Presidente avançou igualmente que o Governo está a trabalhar na promoção de viaturas híbridas, eléctricas e movidas a gás, além do desenvolvimento de refinarias e infra-estruturas de armazenamento energético em diferentes pontos do país, incluindo o Porto de Quelimane.
A estratégia governamental procura igualmente responder ao peso crescente da factura de importação de combustíveis sobre a economia nacional e à pressão exercida pelos custos de transporte sobre o custo de vida.
O ministro dos Transportes e Logística, João Matlombe, reafirmou, por sua vez, o compromisso do Executivo com a massificação do gás natural através da expansão da rede de abastecimento e da construção de novos centros de conversão automóvel.
Segundo o governante, o objectivo passa por criar condições para que o gás natural se torne progressivamente uma alternativa competitiva aos combustíveis tradicionais no sector dos transportes.
Já João das Neves, director executivo da AUTOGÁS, afirmou que o sector privado encontra-se preparado para responder ao crescimento esperado da procura de gás natural veicular.
O responsável revelou que actualmente existem oito postos de abastecimento na região Sul, embora o sistema se encontre em plena fase de expansão, com novas unidades previstas para Marracuene, Manhiça, província de Maputo e Chicumbane, em Gaza.
Segundo João das Neves, a utilização do gás natural poderá gerar poupanças de aproximadamente 50% nos custos de transporte comparativamente aos combustíveis importados.
“Além da poupança, o gás natural oferece igualmente uma vantagem competitiva regional, porque nem todos os países possuem acesso a este recurso”, afirmou.
A aposta no gás veicular surge igualmente associada às metas de transição energética e descarbonização progressiva do sistema de transportes, num contexto em que diferentes economias procuram alternativas mais limpas e menos expostas à volatilidade petrolífera internacional.
Contudo, especialistas alertam que o sucesso da estratégia dependerá da capacidade de expansão efectiva da infra-estrutura de abastecimento, do desenvolvimento de incentivos para conversão automóvel, da estabilidade regulatória e da criação de cadeias logísticas sustentáveis para distribuição do gás natural no território nacional.
O actual contexto evidencia a crescente tentativa do Governo de transformar os recursos energéticos nacionais — particularmente o gás natural — numa ferramenta concreta de redução de custos económicos, fortalecimento da resiliência energética e estímulo ao desenvolvimento industrial e logístico do país.
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