Banco Mundial Defende Água Como Novo Motor De Crescimento, Emprego E Resiliência Em África

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  • Instituição considera que o futuro alimentar e económico do continente dependerá menos da disponibilidade de água e mais da capacidade de gestão, investimento, irrigação sustentável e coordenação estratégica entre governos e sector privado.
Questões-Chave:
  • Banco Mundial defende mudança estrutural na gestão da água;
  • Relatório alerta que o problema central não é escassez, mas má utilização dos recursos hídricos;
  • Irrigação sustentável poderá criar até 245 milhões de empregos globalmente;
  • Nova iniciativa “Water Forward” quer transformar água em motor de crescimento e prosperidade;
  • África surge como espaço prioritário para investimentos em água, agricultura e infra-estruturas resilientes.

O Banco Mundial defendeu uma profunda mudança de paradigma na forma como os países gerem os recursos hídricos, argumentando que a água deve deixar de ser encarada apenas como um factor de risco e passar a ser tratada como um motor estratégico de crescimento económico, criação de emprego e resiliência climática.

A posição consta do relatório e iniciativa “Water Forward”, divulgados esta semana pelo Grupo Banco Mundial, que colocam a gestão eficiente da água no centro dos desafios ligados à segurança alimentar, desenvolvimento agrícola, produtividade económica e adaptação climática.

Segundo o Banco Mundial, alimentar uma população global estimada em 10 mil milhões de pessoas até 2050 exigirá não necessariamente mais água, mas uma utilização “muito mais inteligente” dos recursos já existentes.

Problema Central Não É Escassez, Mas Má Gestão Da Água

Um dos argumentos centrais do relatório é que o mundo enfrenta menos um problema absoluto de escassez hídrica e mais um problema de gestão ineficiente, desequilíbrios territoriais e políticas inadequadas.

“O verdadeiro desafio não é a quantidade de água disponível, mas a forma desigual como ela é utilizada para produzir alimentos”, refere o documento.

Segundo o Banco Mundial, algumas regiões subutilizam recursos abundantes, limitando crescimento económico, emprego e rendimento agrícola, enquanto outras continuam a produzir alimentos explorando excessivamente recursos hídricos já escassos.

A instituição considera que este desequilíbrio não é inevitável, mas sim resultado de escolhas políticas, regulatórias e de investimento.

Água Passa A Ser Vista Como Multiplicador Económico

A nova abordagem defendida pelo Banco Mundial coloca a água como um verdadeiro multiplicador económico transversal.

Segundo o documento “Water Forward”, a água sustenta cerca de 1,7 mil milhões de empregos no mundo, distribuídos pelos sectores agrícola, industrial, energético e de serviços.

Ao mesmo tempo, o Banco Mundial alerta que:
• 2,1 mil milhões de pessoas ainda não têm acesso seguro à água potável;
• 3,4 mil milhões não dispõem de saneamento seguro;
• 4 mil milhões enfrentam escassez severa de água pelo menos um mês por ano.

A instituição considera que falhas nos sistemas hídricos reduzem produtividade, fragilizam segurança alimentar e energética, comprometem saúde pública e desencorajam investimento privado.

Agricultura E Irrigação Sustentável Ganham Centralidade

O relatório defende que uma gestão mais eficiente da água poderá transformar profundamente a agricultura global, sobretudo em regiões onde a precipitação é irregular e a agricultura continua altamente dependente das condições climáticas.

Segundo o Banco Mundial, sistemas sustentáveis de irrigação poderão mais do que duplicar a produtividade agrícola em determinadas regiões e criar pelo menos 245 milhões de empregos globalmente.

A instituição cita vários exemplos internacionais considerados bem-sucedidos:
• Jordânia, através de parcerias público-privadas para reutilização de águas residuais;
• Nigéria, com programas de irrigação que já produzem alimentos suficientes para alimentar quase um milhão de pessoas;
• Türkiye, através da modernização de canais de irrigação para reduzir perdas de água.

O documento defende igualmente maior utilização de tecnologia, dados satelitais, sistemas digitais e plataformas abertas para melhorar planeamento, eficiência e accountability na gestão dos recursos hídricos.

África Surge Como Espaço Estratégico De Transformação

A publicação dedica particular atenção ao continente africano, apresentando exemplos de iniciativas já em curso na Somália, Etiópia e Gâmbia.

Na Somália, um projecto comunitário de expansão do acesso à água já beneficiou mais de 600 mil pessoas, incluindo agricultores, criadores de gado e pequenos empreendedores.

Na Etiópia, programas apoiados pela IFC permitiram a pequenos agricultores estabilizar rendimentos e integrar mercados mais estruturados.

Já na Gâmbia, a electrificação rural elevou o acesso à energia de 60% para 90% da população em menos de uma década, impulsionando rendimento e actividade económica local.

Segundo o Banco Mundial, estes exemplos demonstram que água, energia, logística e investimento constituem pilares interdependentes da próxima fase de crescimento económico africano.

“Water Forward” Quer Mobilizar Capital Público E Privado

No centro da nova estratégia está a iniciativa “Water Forward”, apresentada como uma coligação global que reúne governos, bancos multilaterais, sector privado e filantropia para expandir a segurança hídrica até 2030.

A iniciativa assenta em três pilares:
• Water for People;
• Water for Food;
• Water for Planet.

Segundo o Banco Mundial, o objectivo é transformar água em base de crescimento económico sustentável, criação de emprego e prosperidade.

“Quando a água está segura, empregos são criados, alimentos são produzidos e economias podem prosperar”, refere o documento.

A estratégia procura igualmente ampliar mobilização de capital privado através de reformas regulatórias, mecanismos de partilha de risco, financiamento misto e modelos de parceria orientados para resultados.

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