Salim Valá Defende Transformação Financeira Como Pilar Da Independência Económica

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O Governante propõe maior mobilização de poupança interna, aprofundamento do mercado de capitais e financiamento da industrialização como condições para reduzir dependência externa e reter riqueza nacional.

Questões-Chave:
  • Salim Valá defende que independência económica começa quando o capital nacional financia a transformação nacional;
  • Valá alerta para fragilidade estrutural do sistema financeiro moçambicano;
  • Mercado de capitais é apresentado como instrumento central da industrialização;
  • Apresentação propõe reforço do financiamento produtivo, conteúdo local e retenção de riqueza;
  • Debate centra-se no papel do Estado, banca e investidores institucionais na transformação económica.

O Ministro da Planificação e Desenvolvimento, Salim Cripton Valá, defendeu que a independência económica de Moçambique dependerá cada vez mais da capacidade do país mobilizar poupança interna, aprofundar os mercados financeiros e transformar recursos naturais em capacidade produtiva nacional.

A posição consta da apresentação “Contribuição do Sistema Financeiro para o Alcance da Independência Económica”, feita pelo próprio, em Maputo a 19 de Maio, na qual o governante traça um diagnóstico crítico sobre as limitações estruturais da economia moçambicana e propõe uma agenda de transformação financeira orientada para industrialização, retenção de riqueza e soberania económica.

Valá sustenta que o principal desafio nacional já não reside apenas no crescimento económico em si, mas sobretudo na capacidade de transformar esse crescimento em produção, indústria, capitalização empresarial e autonomia económica.

Independência Económica Exige Capacidade De Financiar Internamente O Desenvolvimento

Salim Valá esmiuçou a ideia de que independência económica não significa isolamento, mas sim maior capacidade interna de financiamento, decisão e transformação produtiva.

Ministro da Planificação e Desenvolvimento, Salim Cripton Valá

Para o Ministro, os países mais resilientes no novo contexto global serão aqueles que conseguirem financiar internamente uma parte crescente da sua transformação económica, reduzindo vulnerabilidades externas e dependência excessiva de capital estrangeiro. Recordou que Moçambique continua confrontado com vários constrangimentos estruturais, incluindo baixa transformação industrial, reduzida profundidade financeira, fraca intermediação do crédito produtivo, elevada dependência de matérias-primas não processadas e insuficiente mobilização de poupança interna.

Valá destacou que o crédito ao sector privado representa apenas cerca de 21% do PIB, enquanto a capitalização bolsista permanece próxima de 20% do PIB, níveis significativamente inferiores aos observados em economias africanas mais financeiramente desenvolvidas.

Mercado De Capitais Surge Como Instrumento Estratégico

No seu argumento, Valá inducou que actual modelo financeiro moçambicano continua excessivamente orientado para financiamento de curto prazo, comércio e importações, revelando limitada capacidade de financiar industrialização, infra-estruturas e transformação produtiva sustentável.

Face a esse contexto, o Ministro da Planificação e Desenvolvimento, coloca o mercado de capitais como instrumento estratégico para mobilizar poupança interna, financiar investimentos de longo prazo, reduzir dependência da dívida externa e aumentar a retenção de riqueza dentro da economia nacional. Observou que as economias com maior profundidade financeira tendem a apresentar maior capacidade de industrialização, mobilização de poupança e retenção de riqueza.

Segundo o governante, “industrialização exige capital paciente” e capital paciente depende de mercados financeiros mais profundos, sofisticados e inclusivos.

Megaprojectos Devem Financiar Desenvolvimento Nacional

Outro eixo central da sua reflexão incide sobre o papel dos megaprojectos, particularmente o GNL, no financiamento da transformação económica nacional.

Sobre esta temática, considerou que os mais de 60 mil milhões de dólares associados aos projectos de gás natural representam uma oportunidade histórica para acelerar industrialização, capitalização empresarial, integração de PME nacionais e desenvolvimento de cadeias de valor locais.

Valá preconiza a pertinência de uma maior retenção interna de riqueza, fortalecimento do conteúdo local, expansão dos serviços nacionais, substituição de importações e maior integração de empresas moçambicanas nas cadeias de fornecimento dos megaprojectos.

Valá sustenta que a transformação económica exige que “uma parte crescente da riqueza produzida permaneça, circule e seja reinvestida dentro da economia nacional”.

Debate Centra-Se Na Arquitectura Financeira Da Transformação

O Ministro Da Planificação e Desenvolvimento sublinhou que recursos naturais, por si só, não garantem independência económica. Conforme afirmou, “a soberania económica depende da capacidade de financiar, produzir e reter riqueza internamente”. Sublinhou igualmente que mercados financeiros mais profundos são essenciais para financiar industrialização, infra-estruturas, PME e cadeias de valor nacionais, defendendo maior coordenação entre Estado, reguladores, banca, mercados e sector produtivo.

Valá apontou um conjunto de aspectos que, na sua perspectiva, devem dar conteúdo ao debate necessário que o Pais precisa realizar de forma sistemática. Entre essas questões destacam-se a necessidade de transformar o mercado de capitais num verdadeiro instrumento de financiamento da produção nacional, mobilizar mais poupança interna para investimento produtivo e garantir maior retenção de riqueza e participação das empresas nacionais nos grandes projectos.

O Ministro da Planificação e Desenvolvimento reiterou qual deverá ser o papel do Estado, da banca, da Bolsa de Valores e dos investidores institucionais no processo de industrialização de Moçambique, num momento em que o país procura redefinir as bases da sua transformação económica e reduzir a dependência estrutural de financiamento externo.

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