
Standard Bank Defende Reformas Estruturais Para Transformar Moçambique Em Plataforma Regional De Comércio
- Quinta edição do Barómetro do Comércio Africano conclui que o País possui vantagens logísticas e geográficas relevantes, mas continua limitado pela escassez de divisas, dificuldades de financiamento e fraca integração das PME na economia real.
Questões-Chave:
• Barómetro do Comércio Africano avaliou dez economias africanas com base em mais de 2.200 empresas;
• Moçambique subiu para a primeira posição no índice quantitativo do estudo;
• Escassez de divisas continua a ser principal obstáculo ao comércio e importações;
• Crescimento económico desacelerou para 0,7% em 2025 apesar do forte IDE ligado ao LNG;
• China ultrapassou África do Sul como principal origem das importações das PME;
• Standard Bank defende reformas estruturais para posicionar Moçambique como hub regional de comércio.
Moçambique possui condições geográficas, logísticas e económicas para afirmar-se como uma das principais plataformas regionais de comércio em África, impulsionado pelos corredores de desenvolvimento, portos estratégicos e investimentos associados ao gás natural liquefeito. Contudo, o País continua confrontado com constrangimentos estruturais que limitam a competitividade empresarial, o comércio transfronteiriço e a integração efectiva das pequenas e médias empresas na dinâmica de crescimento económico.
A conclusão consta da quinta edição do Barómetro do Comércio Africano, estudo apresentado esta quarta-feira pelo Standard Bank em Maputo, que analisa o ambiente de negócios, comércio intra-africano e competitividade económica em dez países africanos.
O estudo combina dados macroeconómicos, indicadores institucionais, informações do Banco Mundial, FMI e bancos centrais, bem como mais de 2.258 entrevistas empresariais realizadas em Angola, Gana, Quénia, Moçambique, Namíbia, Nigéria, África do Sul, Tanzânia, Uganda e Zâmbia.
Segundo o Standard Bank, cerca de 70% das empresas inquiridas correspondem a pequenas e médias empresas, permitindo captar de forma mais precisa os desafios reais enfrentados pelo sector privado africano.
Moçambique Lidera Índice Quantitativo, Mas Empresas Mantêm Reservas
O relatório mostra que Moçambique melhorou significativamente o seu posicionamento no ranking quantitativo do barómetro, passando da terceira para a primeira posição entre os dez países avaliados.
O desempenho foi impulsionado sobretudo pelos indicadores ligados à abertura comercial, estabilidade cambial e comércio externo.
Ainda assim, o País manteve-se apenas na nona posição no índice baseado na percepção das empresas, revelando persistentes preocupações ligadas ao acesso ao financiamento, disponibilidade de moeda estrangeira, apoio institucional ao comércio e ambiente regulatório.
Na apresentação do estudo, a directora da Banca Comercial e de Negócios do Standard Bank, Márcia Karim, afirmou que Moçambique possui uma posição estratégica privilegiada no contexto da integração regional africana.
“O nosso País tem condições para ser a verdadeira plataforma de comércio entre o hinterland africano, o Oceano Índico e os mercados internacionais”, afirmou.
Segundo a responsável, o potencial do País dependerá, contudo, da implementação de reformas estruturais orientadas para eficiência aduaneira, redução de custos logísticos, melhoria das infra-estruturas e maior previsibilidade regulatória.
Crescimento Dos Megaprojectos Continua Com Impacto Limitado Sobre PME
O Barómetro identifica igualmente um desfasamento crescente entre o forte volume de investimento associado aos megaprojectos energéticos e os impactos concretos sobre a economia real.
Segundo o estudo, o crescimento económico desacelerou para apenas 0,7% em 2025, face aos 2,1% registados em 2024, apesar do Investimento Directo Estrangeiro ter atingido cerca de 6,4 mil milhões de dólares.
Grande parte desse investimento continua concentrada nos projectos de gás natural liquefeito, com limitada integração nas cadeias de valor nacionais.
“Os benefícios permanecem concentrados nos grandes projectos, com impacto limitado sobre as PME”, conclui o relatório.
Ainda assim, o Standard Bank antecipa uma recuperação gradual da actividade económica em 2026, impulsionada pela retoma dos investimentos em LNG, expansão logística e integração regional no âmbito da AfCFTA.
Escassez De Divisas Continua A Travar Comércio
A indisponibilidade de moeda estrangeira surge como o principal constrangimento identificado pelas empresas entrevistadas.
Segundo o estudo, muitas organizações continuam confrontadas com atrasos prolongados no acesso a divisas para importação de mercadorias, comprometendo cadeias de abastecimento e execução de contratos comerciais.
O responsável pela Inteligência de Mercado da Banca Comercial e de Negócios do Grupo Standard Bank, Kudzai Guvi, advertiu que os constrangimentos cambiais continuam a limitar fortemente a execução do comércio.
“Os constrangimentos de liquidez cambial limitam a execução do comércio e levam muitas empresas a recorrer a canais informais de obtenção de divisas”, afirmou.
O relatório acrescenta que os custos elevados de financiamento, burocracia nos processos de crédito e exigências de garantias continuam a dificultar a expansão das PME moçambicanas.
China Consolida Influência Comercial
O estudo revela igualmente alterações importantes nos padrões comerciais das empresas moçambicanas.
Segundo o relatório, a China ultrapassou a África do Sul como principal origem das importações das PME, impulsionada pelos preços mais competitivos, rapidez de fornecimento e maior diversidade de produtos.
“A China tornou-se a principal fonte de abastecimento para muitos pequenos negócios devido ao custo, rapidez e fiabilidade da oferta”, explicou Kudzai Guvi.
Ao mesmo tempo, o estudo conclui que o comércio intra-africano continua a ganhar dinamismo, impulsionado pela crescente consciencialização sobre a Área de Comércio Livre Continental Africana (AfCFTA), cuja notoriedade entre as empresas inquiridas subiu de 45% para 52%.
Standard Bank Defende Reformas Para Transformar Potencial Em Competitividade
Na parte final da apresentação, Márcia Karim defendeu que o Barómetro deve funcionar como instrumento de apoio à formulação de políticas públicas e decisões empresariais mais informadas.
“A grande importância deste barómetro está no facto de transformar percepções em evidência. Para reformar, é preciso medir. Para decidir bem, é preciso comparar, e, para melhorar, é preciso saber onde estamos e para onde queremos ir”, afirmou.
Apesar das melhorias graduais nas infra-estruturas, estabilidade cambial e expansão dos investimentos energéticos, o estudo conclui que Moçambique continua confrontado com desafios estruturais profundos que limitam a competitividade empresarial e a inclusão económica das PME.
Para o Standard Bank, o desafio passa agora por transformar potencial estratégico em reformas concretas capazes de posicionar o País como verdadeiro centro regional de comércio, integração e logística em África
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