Banco de Moçambique Reforça Aposta nas Fintechs e na Modernização do Sistema Financeiro Nacional

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  • Lançamento da 7.ª edição do Sandbox Regulatório ocorre num contexto de aceleração da digitalização financeira, expansão dos pagamentos instantâneos e fortalecimento da infra-estrutura nacional de pagamentos.
Questões-Chave:
  • Banco de Moçambique lançou a 7.ª edição do Sandbox Regulatório;
  • Governador Rogério Zandamela destaca transformação acelerada do sistema financeiro global;
  • Nova Lei do Sistema Nacional de Pagamentos e plataforma METIX surgem como pilares da modernização financeira;
  • Fintechs passam a assumir papel crescente na inclusão financeira e inovação digital;
  • Banco Central apela a prudência regulatória e reforço da confiança no ecossistema financeiro.

O Banco de Moçambique está a reforçar a sua aposta na inovação financeira e na transformação digital do sistema financeiro nacional, numa altura em que a digitalização dos pagamentos, os serviços financeiros instantâneos e as fintechs assumem crescente relevância na reorganização da actividade bancária e financeira global.

O posicionamento foi reiterado esta sexta-feira pelo Governador do Banco de Moçambique, Rogério Lucas Zandamela, durante o lançamento da 7.ª edição do Sandbox Regulatório do Banco de Moçambique, iniciativa criada para apoiar testes controlados de soluções tecnológicas inovadoras ligadas ao sector financeiro.

Na sua intervenção, Rogério Zandamela afirmou que o Sandbox Regulatório se consolidou, ao longo das suas diferentes edições, como um espaço de promoção da inovação financeira orientada para o fortalecimento de “um sistema financeiro cada vez mais sólido, moderno e inclusivo”.

O Governador destacou que o sistema financeiro mundial atravessa actualmente uma transformação acelerada impulsionada pela digitalização, pelos pagamentos instantâneos e pelas novas plataformas tecnológicas de prestação de serviços financeiros.

Rogério Lucas Zandamela

Segundo afirmou, esta evolução cria simultaneamente novas oportunidades de inclusão financeira, eficiência operacional e modernização económica, mas também desafios acrescidos ligados à regulamentação, segurança cibernética, supervisão prudencial e protecção dos consumidores financeiros.

Banco Central Acelera Modernização das Infra-Estruturas Financeiras

A intervenção de Zandamela procurou igualmente enquadrar os recentes esforços do Banco de Moçambique para acelerar a modernização das infra-estruturas financeiras nacionais.

O Governador destacou, entre as principais medidas recentes, a aprovação da nova Lei do Sistema Nacional de Pagamentos e a implementação da plataforma METIX, sistema que permite a realização de transferências bancárias em tempo real.

A modernização dos sistemas de pagamentos tornou-se uma das prioridades centrais do Banco de Moçambique nos últimos anos, sobretudo num contexto em que a digitalização financeira passa a ser vista não apenas como instrumento tecnológico, mas também como mecanismo de inclusão económica, formalização financeira e dinamização da economia digital.

O reforço das plataformas interoperáveis e instantâneas é igualmente considerado estratégico para expansão do comércio electrónico, crescimento das fintechs e redução da dependência do numerário na economia.

Fintechs Ganham Espaço no Ecossistema Financeiro Nacional

O evento confirmou igualmente o crescente protagonismo das fintechs no sistema financeiro moçambicano.

Dirigindo-se aos participantes da nova edição do Sandbox, Rogério Zandamela apelou às empresas tecnológicas para cumprirem integralmente os requisitos regulamentares e de licenciamento definidos pelo Banco Central, defendendo uma integração “responsável” no ecossistema nacional de pagamentos.

O Governador deixou igualmente uma das mensagens mais fortes da sessão ao afirmar que “a confiança é o activo mais importante” em todo o processo de inovação financeira.

A formulação reflecte uma preocupação crescente dos bancos centrais internacionais relativamente aos riscos associados à expansão acelerada de plataformas digitais financeiras, incluindo fraude, cibercriminalidade, lavagem de dinheiro, protecção de dados e estabilidade sistémica.

Nesta edição, algumas das soluções tecnológicas apresentadas incluem ferramentas orientadas para pessoas com deficiência visual, sinalizando uma crescente preocupação com inclusão financeira acessível e inovação social.

Integração na SIMOrede Marca Nova Etapa das Fintechs

Por seu turno, o Presidente da Associação Moçambicana das Fintechs, João Gaspar, destacou os avanços alcançados pelo ecossistema fintech nacional ao longo dos últimos anos.

Segundo afirmou, algumas fintechs nacionais passam agora a ter possibilidade de integração na SIMOrede, aspecto considerado particularmente relevante para reforçar interoperabilidade, integração tecnológica e utilização mais ampla dos serviços financeiros digitais no País.

Gaspar sublinhou igualmente a importância de alinhar o ecossistema financeiro nacional com padrões internacionais de inovação, segurança e inclusão financeira.

A integração das fintechs em infra-estruturas financeiras nacionais interoperáveis poderá representar uma mudança importante na escala operacional destas empresas, permitindo-lhes expandir serviços, aumentar cobertura e acelerar adopção de soluções digitais por consumidores e empresas.

Sandbox Passa a Funcionar Como Plataforma de Maturação Empresarial

Durante o evento, representantes das fintechs participantes na 6.ª edição do Sandbox destacaram igualmente o papel crescente da incubadora regulatória como mecanismo de aprendizagem institucional e amadurecimento de modelos de negócio.

Intervindo em representação das fintechs da edição anterior, Oldemiro Baloi afirmou que o Banco de Moçambique criou não apenas “um espaço de testes”, mas também “uma escola de aprendizado, crescimento e maturação de modelos de negócio inovadores”.

Segundo Baloi, o objectivo central das soluções desenvolvidas continua a ser a promoção de uma inclusão financeira “mais acessível, abrangente e segura”.

O Sandbox Regulatório do Banco de Moçambique surge, assim, como parte de uma tendência internacional mais ampla através da qual bancos centrais procuram criar ambientes controlados para experimentação tecnológica, equilibrando inovação financeira com estabilidade e supervisão prudencial.

Num contexto em que a digitalização financeira avança rapidamente em África, a capacidade de Moçambique desenvolver um ecossistema fintech regulado, interoperável e inclusivo poderá tornar-se um dos factores mais relevantes para a modernização futura do sistema financeiro nacional.

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