Moçambique Quer Eliminar Intermediários E Ter Acesso Directo Ao Financiamento Climático Internacional

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  • Governo defende apoio técnico para entrada directa nos mercados de carbono e reforça agenda de transição verde, energias renováveis e desenvolvimento sustentável inclusivo.
Questões-Chave:
  • Governo quer acesso directo aos mercados internacionais de carbono e financiamento climático;
  • Executivo critica dependência de intermediários nas negociações da economia verde;
  • Moçambique procura acelerar investimentos em energias renováveis e soluções “off-grid”;
  • País mobilizou 117 milhões de dólares para responder aos impactos das cheias de 2025/2026;
  • Governo defende maior benefício económico das áreas de conservação para as comunidades locais.

O Governo moçambicano pretende desenvolver mecanismos nacionais que permitam ao país aceder directamente ao financiamento climático internacional e aos mercados globais de carbono, reduzindo a dependência de intermediários nas negociações ligadas à economia verde e à transição climática.

A posição foi defendida pelo Ministro da Agricultura, Ambiente e Pescas, Roberto Mito Albino, durante o Diálogo Político de Alto Nível sobre o Pacto Ecológico, realizado esta quarta-feira, em Maputo, num encontro que reuniu representantes do Governo e parceiros da União Europeia.

Segundo o governante, Moçambique necessita de assistência técnica especializada que permita ao país aproveitar de forma mais vantajosa as oportunidades de financiamento climático internacional, preservando maior retenção dos benefícios económicos associados aos mercados de carbono.

Ministro da Agricultura, Ambiente e Pescas, Roberto Mito Albino

“O que nós queremos é uma assistência técnica directa que permita que Moçambique possa melhor aproveitar os diversos caminhos de financiamento climático e não cair nas mãos de intermediários”, afirmou Roberto Albino.

Governo Critica Custos Elevados De Intermediação No Mercado De Carbono

O ministro revelou que o Executivo recebe regularmente propostas de operadores privados interessados em intermediar a entrada de Moçambique nos mercados internacionais de carbono, exigindo percentagens consideradas excessivas sobre os ganhos futuros.

“Eu recebo todos os dias pedidos de intermediários que querem ajudar Moçambique a entrar no mercado de carbono, mas sempre vão me pedir 30 por cento”, declarou.

Neste contexto, o Governo pretende aprofundar a cooperação com a União Europeia para desenvolver mecanismos nacionais de participação directa nos mercados climáticos, reforçando simultaneamente capacidade técnica, transparência e soberania económica sobre os recursos ambientais do país.

Agenda Verde Passa A Integrar Estratégia De Desenvolvimento

Durante o encontro, Roberto Albino reiterou que Moçambique está empenhado em consolidar uma agenda de desenvolvimento sustentável baseada no equilíbrio entre crescimento económico, inclusão social e conservação ambiental.

Segundo explicou, o país está a reforçar sistemas de monitoria climática e a integrar progressivamente as questões ambientais nos processos nacionais de planificação e desenvolvimento.

O governante sublinhou ainda que Moçambique possui elevado potencial para beneficiar da economia verde devido à abundância de recursos naturais, biodiversidade e capacidade de geração de energias renováveis.

Governo Defende Investimentos Em Energia, Água E Soluções Off-Grid

Outro ponto central da intervenção incidiu sobre a necessidade de acelerar investimentos em energia, água, saneamento e infra-estruturas básicas, sobretudo nas zonas rurais.

“O cidadão que está nas zonas rurais tem os mesmos direitos que eu aqui na cidade de Maputo, a ter água limpa, energia de qualidade, saneamento, educação e saúde de qualidade”, afirmou o ministro.

Roberto Albino defendeu igualmente maior aposta em energias renováveis e soluções “off-grid”, argumentando que estas poderão acelerar o acesso das comunidades rurais à electricidade e aos serviços básicos.

“Não podemos continuar com um país tão díspar em termos de oportunidades das coisas mais básicas, que é a água e a energia”, acrescentou.

Mudanças Climáticas Agravam Pressão Sobre O País

O governante recordou ainda os impactos severos das mudanças climáticas sobre Moçambique, destacando que a campanha agrária 2025/2026 foi afectada por cheias em várias províncias, incluindo Maputo, Gaza, Sofala, Manica, Tete e Zambézia.

Segundo explicou, o Governo mobilizou cerca de 117 milhões de dólares para responder aos impactos das inundações e assegurar continuidade da produção agrária e pesqueira.

Conservação Ambiental Deve Gerar Benefícios Económicos Locais

Albino defendeu igualmente uma abordagem equilibrada entre conservação ambiental e desenvolvimento económico.

“Ser pró-desenvolvimento não quer dizer que seja contra a biodiversidade”, afirmou.

O ministro explicou que o país está a actualizar instrumentos estratégicos como a Política e Lei do Ambiente e o PEDSA III, visando alinhar o quadro legal às novas dinâmicas internacionais ligadas à transição climática e sustentabilidade.

Ao mesmo tempo, defendeu que as comunidades localizadas em torno das áreas de conservação devem beneficiar de forma mais efectiva dos recursos gerados nesses espaços, através de iniciativas de geração de rendimento, agroprocessamento e integração nas cadeias de valor ambientais e produtivas.

No encerramento da intervenção, o governante apelou a uma maior mobilização de investimento privado nos sectores ligados à economia azul, energia, ambiente e sustentabilidade.

“Hoje estamos a falar mais de atracção de investimento privado e menos de ajuda”, concluiu.

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