Moçambique Quer Posicionar Recursos Minerais E Economia Azul Como Activos Estratégicos Da Transição Energética Global

0
69
  • Ministro Estêvão Pale defendeu, na China, uma abordagem centrada na exploração sustentável, inovação científica e valorização estratégica dos recursos naturais, num contexto de crescente competição global por minerais críticos e energia.
Questões-Chave:
  • Moçambique reforçou na China ambição de assumir papel estratégico na transição energética global;
  • Governo destaca potencial do gás natural, grafite, terras raras e areias pesadas;
  • Estêvão Pale defende exploração sustentável e uso de tecnologia ambientalmente responsável;
  • Economia azul surge como novo eixo estratégico de desenvolvimento nacional;
  • Executivo quer fortalecer cooperação científica e tecnológica com a China;
  • Governo defende que África deve produzir conhecimento e inovação, não apenas exportar recursos.

O Governo moçambicano voltou a posicionar os recursos minerais, energéticos e marinhos como pilares estratégicos da transformação económica nacional e da nova arquitectura energética global, numa altura em que aumenta a competição internacional pelo acesso a minerais críticos, gás natural e recursos ligados à transição energética.

A posição foi defendida pelo Ministro dos Recursos Minerais e Energia, Estêvão Pale, durante a abertura do 6.º Fórum Sino-Africano sobre Ciência e Tecnologia Marinha, realizado na cidade chinesa de Hangzhou, onde o governante procurou enquadrar Moçambique como um actor emergente tanto na economia azul como na geopolítica energética internacional.

“Moçambique está a posicionar-se como um actor emergente na economia azul e na transição energética global”, afirmou o ministro, destacando as reservas nacionais de gás natural, grafite, minerais críticos, areias pesadas e terras raras.

Recursos Naturais Passam A Integrar Nova Geopolítica Económica Global

A intervenção de Estêvão Pale ocorre num momento em que minerais críticos, gás natural e recursos marinhos assumem crescente relevância estratégica para as grandes economias mundiais, sobretudo devido à aceleração da transição energética, expansão da mobilidade eléctrica e necessidade de diversificação das cadeias globais de abastecimento.

Neste contexto, Moçambique procura posicionar-se não apenas como exportador de matérias-primas, mas como parceiro estratégico nas novas cadeias globais de valor ligadas à energia, tecnologia e indústria verde.

O governante defendeu que o verdadeiro potencial económico dos recursos nacionais dependerá da capacidade de gestão sustentável, inovação tecnológica e criação de valor interno.

“O verdadeiro valor dos nossos recursos não está apenas no subsolo ou no mar, mas na forma como são geridos para promover desenvolvimento sustentável”, declarou.

Economia Azul Ganha Centralidade Estratégica

Um dos aspectos centrais da intervenção incidiu sobre a economia azul, área que o Executivo pretende transformar num novo vector estratégico de crescimento económico, inovação científica e resiliência climática.

O ministro destacou a posição geográfica de Moçambique no Oceano Índico e a importância crescente dos recursos marinhos na economia mundial, defendendo maior cooperação internacional em ciência marinha, governação oceânica, monitoria ambiental e inovação tecnológica.

Segundo Estêvão Pale, Moçambique não deve limitar-se ao papel tradicional de fornecedor de recursos naturais.

“Não devemos participar na economia azul apenas como fornecedores de recursos, mas também como produtores de conhecimento, inovação e soluções sustentáveis”, afirmou.

A posição reflecte uma tentativa crescente do Governo de enquadrar os recursos naturais dentro de uma lógica mais ampla de industrialização, investigação científica e desenvolvimento tecnológico.

Gás Natural Continua No Centro Da Estratégia Energética

Durante a intervenção, o governante destacou igualmente os avanços registados no sector do gás natural offshore, com referência explícita ao projecto Coral Sul FLNG e às perspectivas futuras da Bacia do Rovuma.

Os projectos são considerados estratégicos tanto para a segurança energética internacional como para as perspectivas de transformação económica de Moçambique, sobretudo num contexto global em que o gás natural continua a ser visto como combustível de transição no processo de descarbonização.

Ao mesmo tempo, o Executivo procura reforçar a narrativa de exploração sustentável e responsável dos recursos energéticos, numa tentativa de equilibrar crescimento económico, exigências ambientais e compromissos climáticos internacionais.

Cooperação Científica Com A China Assume Nova Dimensão

A participação moçambicana no Fórum Sino-Africano reflecte igualmente o aprofundamento da cooperação entre Moçambique e China em sectores ligados à ciência, tecnologia, energia e gestão sustentável dos recursos naturais.

O evento reuniu governos, universidades, investigadores e instituições internacionais para debater soluções ligadas à gestão sustentável dos oceanos e à cooperação científica sino-africana.

Num cenário internacional marcado pela crescente competição geoeconómica e tecnológica, Maputo procura utilizar estas plataformas para atrair investimento, transferência de conhecimento e novas parcerias estratégicas associadas à economia azul e à transição energética.

SUBSCREVA O.ECONÓMICO REPORT
Aceito que a minha informação pessoal seja transferida para MailChimp ( mais informação )
Subscreva O.Económico Report e fique a par do essencial e relevante sobre a dinâmica da economia e das empresas em Moçambique
Não gostamos de spam. O seu endereço de correio electrónico não será vendido ou partilhado com mais ninguém.