
Eni Quer Acelerar Expansão Petrolífera De 4 Mil Milhões De Dólares Na Costa Do Marfim
- Gigante italiana pretende antecipar cronograma do projecto Baleine Phase 3, num contexto de preços elevados do petróleo e crescente competição energética global, ao mesmo tempo que reforça estratégia africana que inclui novos desenvolvimentos em Moçambique.
- Eni aprovou investimento de 4 mil milhões de dólares para expansão petrolífera na Costa do Marfim;
- Projecto Baleine deverá elevar produção de petróleo para 150 mil barris por dia;
- Produção de gás deverá mais do que duplicar para 200 milhões de pés cúbicos diários;
- Empresa admite acelerar cronograma devido aos actuais preços elevados do crude;
- Estratégia africana da Eni inclui também expansão de LNG em Moçambique;
- Companhia volta a sinalizar interesse numa terceira plataforma FLNG em Moçambique.
A petrolífera italiana Eni pretende acelerar a implementação da terceira fase do projecto petrolífero offshore Baleine, na Costa do Marfim, avaliado em cerca de 4 mil milhões de dólares, numa altura em que os preços internacionais do petróleo continuam elevados e reforçam os incentivos económicos para antecipar novos volumes de produção.
A decisão final de investimento foi aprovada esta semana pela Eni, pela Vitol Group e pela petrolífera estatal Petroci, parceiras no desenvolvimento do campo Baleine, considerado actualmente um dos mais importantes projectos energéticos emergentes em África Ocidental.
Segundo Guido Brusco, Chief Operating Officer da Eni, a empresa avalia formas de reduzir em vários meses o calendário inicialmente previsto para a execução do projecto, aproveitando o actual contexto favorável do mercado petrolífero internacional.
“Existem sempre oportunidades num cronograma de projecto para ganhar tempo, e isso está muito ligado ao contexto macroeconómico, que neste momento é favorável”, afirmou Brusco, citado pela Bloomberg.
Produção De Petróleo Deverá Mais Do Que Duplicar
A expansão Baleine Phase 3 deverá aumentar a produção petrolífera do projecto dos actuais 60 mil barris por dia para cerca de 150 mil barris diários, reforçando significativamente a posição da Costa do Marfim como produtor emergente de hidrocarbonetos em África.
Ao mesmo tempo, a produção de gás natural deverá mais do que duplicar, atingindo aproximadamente 200 milhões de pés cúbicos por dia, volumes que deverão abastecer o mercado doméstico marfinense e apoiar os esforços nacionais de segurança energética.
O projecto contempla igualmente o desenvolvimento de uma unidade flutuante de produção, armazenamento e descarga (FPSO), cuja construção decorrerá num estaleiro chinês, com conclusão prevista para meados de 2028.
África Consolida Centralidade Na Estratégia Global Da Eni
A decisão da Eni reflecte a crescente centralidade do continente africano na estratégia energética da companhia italiana, particularmente num contexto global marcado por volatilidade geopolítica, procura crescente de segurança energética e necessidade de diversificação de fornecedores.
Segundo a Bloomberg, a Eni tem vindo a implementar em vários países africanos um modelo de desenvolvimento faseado de projectos energéticos, estratégia aplicada tanto na Costa do Marfim como em Moçambique.
No caso moçambicano, a empresa volta a sinalizar interesse numa terceira plataforma flutuante de gás natural liquefeito (FLNG), reforçando as perspectivas de expansão das operações de LNG na Bacia do Rovuma.
A referência surge num momento particularmente relevante para Moçambique, numa altura em que o País procura consolidar a sua posição como futuro grande exportador global de gás natural liquefeito, beneficiando da retoma gradual dos grandes investimentos energéticos na região norte.
Petróleo Elevado Reforça Pressão Por Novos Projectos
A intenção da Eni de acelerar o projecto Baleine reflecte igualmente uma tendência crescente entre grandes petrolíferas internacionais, que procuram aproveitar os actuais preços elevados do crude para antecipar retornos financeiros e reforçar oferta futura.
O actual contexto internacional continua marcado por forte volatilidade energética associada às tensões geopolíticas no Médio Oriente, riscos sobre cadeias globais de abastecimento e incertezas relacionadas com o equilíbrio entre segurança energética e transição verde.
Neste ambiente, África surge cada vez mais como uma das principais fronteiras globais de expansão petrolífera e gasífera, atraindo novos investimentos internacionais em exploração, produção e infra-estruturas energéticas.
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