
Gana Vai Comprar 30% Da Produção Das Grandes Minas De Ouro Para Reforçar Reservas E Apoiar Moeda Nacional
- Banco Central ganês aumenta participação na produção aurífera nacional numa estratégia orientada para fortalecimento das reservas internacionais, estímulo à refinação local e estabilização do cedi.
- Banco Central do Gana aumentará compras de ouro das grandes minas de 20% para 30%;
- Nova política entra em vigor a partir de Junho;
- Governo pretende reforçar reservas internacionais e apoiar moeda nacional;
- Ouro será adquirido sob forma de doré para estimular refinação local;
- Estratégia visa impulsionar industrialização e criação de emprego;
- Gana reforça tendência africana de utilização de recursos minerais para estabilidade macroeconómica.
O Banco Central do Gana anunciou que passará a adquirir 30% da produção das grandes minas de ouro do país, acima dos actuais 20%, numa estratégia orientada para reforçar reservas internacionais, apoiar a estabilidade da moeda nacional e estimular a industrialização local do sector mineiro.
A nova medida entra em vigor a partir de 1 de Junho e resulta de negociações concluídas entre as autoridades monetárias e as grandes companhias mineiras que operam no país, incluindo multinacionais como a Gold Fields, AngloGold Ashanti e Newmont.
Segundo Paul Bleboo, responsável pela gestão de ouro no Banco do Gana, o regulador passará a adquirir não apenas ouro refinado, mas também ouro doré — forma semiprocessada do metal — numa decisão que pretende fortalecer a capacidade local de refinação e processamento mineral.
Ouro Consolida Papel Estratégico Na Política Económica Africana
A decisão reflecte uma tendência crescente entre países africanos ricos em recursos minerais, que procuram utilizar ouro e outros minerais estratégicos não apenas como fonte de exportação, mas também como instrumentos de estabilidade macroeconómica, fortalecimento cambial e industrialização.
No caso ganês, o ouro assume importância central na estratégia de reforço das reservas internacionais e defesa do cedi, num contexto em que várias economias africanas enfrentam volatilidade cambial, pressão sobre reservas externas e necessidade de maior resiliência financeira.
O Gana, um dos maiores produtores africanos de ouro, já havia determinado anteriormente que parte da produção mineira nacional deveria ser vendida ao Banco Central para reforço das reservas nacionais.
Governo Quer Mais Valor Acrescentado Internamente
A alteração agora anunciada introduz igualmente uma dimensão industrial relevante.
Ao optar pela aquisição de ouro doré em vez de ouro já refinado, as autoridades pretendem impulsionar o processamento local do minério, criando maior valor acrescentado interno, novas competências técnicas e oportunidades de emprego.
Segundo o Banco Central, o ouro será inicialmente processado pela Gold Coast Refinery, no Gana, antes de seguir para certificação internacional na Rand Refinery, na África do Sul, responsável pela certificação London Bullion Market Association (LBMA).
As partes acordaram igualmente um desconto de 0,6% sobre o preço do ouro adquirido, mecanismo que deverá facilitar operacionalização financeira do programa.
África Procura Reconfigurar Relação Com Recursos Naturais
A iniciativa ganesa insere-se num debate cada vez mais presente em África sobre soberania económica, reservas estratégicas e necessidade de maior controlo sobre cadeias de valor mineral.
Nos últimos anos, vários governos africanos têm vindo a adoptar políticas destinadas a aumentar processamento local de minerais, restringir exportação de matérias-primas brutas e reforçar captura interna de receitas e benefícios económicos.
O objectivo passa por reduzir dependência excessiva das exportações primárias e transformar recursos naturais em instrumentos de industrialização, estabilidade financeira e diversificação económica.
Ouro Ganha Importância Num Contexto De Incerteza Global
O reforço das reservas auríferas ocorre também num momento em que o ouro continua a beneficiar do aumento da procura global por activos considerados seguros, num ambiente marcado por tensões geopolíticas, inflação persistente e volatilidade financeira internacional.
Para muitos bancos centrais, particularmente em economias emergentes, o ouro voltou a assumir importância crescente como instrumento de diversificação de reservas e mitigação de riscos cambiais.
No caso do Gana, a nova política poderá igualmente fortalecer a capacidade do país de responder a choques externos, num contexto em que a estabilidade cambial continua a ser um dos principais desafios macroeconómicos da economia ganesa.
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