Paytech, uma fintech com soluções tecnológicas para dinamizar o processo de pagamentos digitais

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As fintechs são uma tendência universal contemporânea no contexto das oportunidades promovidas pela digitalização ou uso das novas tecnologias de informação e comunicação, em virtude das suas soluções inovadoras, oportunas, menos burocráticas e disponíveis a distância de um click.

Esta tendência foi particularmente dinamizada pelo contexto relativamente mais restritivo associado a pandemia da Covid-19, criando uma oportunidade sem precedentes para o crescimento e estabilização das fintechs ao nível dos mercados. Igualmente confrontado pela necessidade de digitalização dos diferentes processos, incluindo os serviços financeiros, e semelhança do que ocorre em outras geografias, Moçambique tem dado sinais de empreendedorismo e inovação no ramo das fintechs.

É o caso da Paytech, fundada por jovens empreendedores moçambicanos que traz soluções tecnológicas para digitalizar o processo de compras através de cartões de bilhética.

A Paytech é uma empresa 100% moçambicana especializada no desenvolvimento de soluções Web e mobile para pagamentos digitais. Criada em 2017 por dois jovens moçambicanos, Kleyton Macatange e Edy Barrote, desafiados a criar um sistema de bilhética nacional, com objectivo de digitalizar o processo de compra de bilhética e acesso ao transporte completamente cashless para os serviços intermodal da Metrobus.

Kleyton Macatange, Co-fundador da Paytech

Os jovens viram-se confrontados com o desafio e, simultaneamente oportunidade, de criar um sistema de pagamentos digitais para a operacionalização do projecto Metrobus, que é um sistema de transporte ferroviário e automóvel.

A necessidade de se fazer transações de forma rápida e eficiente tem sido um desafio para um país como Moçambique, onde a maior parte das pessoas ainda digitalmente iletradas, ou seja, ainda não têm domínio do funcionamento das ferramentas digitais.

Mesmo perante esta adversidade, dois jovens inovadores, uniram inteligência e decidiram criar uma solução tecnológica para dinamizar o processo de pagamentos digitais.

“Começamos como um pequeno departamento, desenvolvemos a solução. Nesse percurso nós fomos aperfeiçoando o sistema, tornando-o mais robusto em termos de compliance, num nicho de negócio que é exigente como é o caso da mobilidade”, explicou Edy Barrote, co-fundador da Paytech, falando sobre o contexto do surgimento da empresa. 

Edy Barrote, Co-fundador da Paytech

O sistema bilhética conta actualmente com uma carteira de 20 mil utilizadores registados, dos quais 6 mil diários e mais de 4 milhões de transações em 2020 e uma eficiência de 98,7%, tendo desenvolvido junto ao BCI, o cartão Txova Bancário, 2ª geração do cartão Txova recarregável, que conta com duas componentes, uma bancária e outra de transporte, que permite aos clientes usarem o cartão tanto para os serviços de mobilidade da Metrobus tanto para acederem a todo sistema financeiro.

Moogle: as inovações não param…

Em 2018, a Paytech iniciou o desenvolvimento de um aplicativo digital, a que atribuíram o nome de ‘‘Moogle”, que agrega mais de 62 serviços. O Moogle foi concebido para responder às dificuldades no acesso, por exemplo, à restauração, compras em supermercados, serviços de táxi, ambulância, envio de expedientes/encomendas, capaz de unir diversos comerciantes aos compradores de forma simples e pratica, sem a necessidade de contacto físico.

“O Moogle é uma plataforma multisserviço. Um super aplicativo”, destacou Kleyton Macatange. Com efeito, actualmente, a plataforma conta com 6 serviços disponíveis, onde se destacam os táxis, mercados, restaurantes, ambulâncias, reboques, entregas de documentos e carga.

“A Paytech pegou a situação actual da pandemia e trouxe uma solução para o mercado. A Paytech é uma empresa pró-solução, que não lança produtos sem que haja problemas para resolver”, enfatizou.

Uma empresa líder no mercado de pagamentos digitais com investidores moçambicanos

“A Paytech tem como foco ser o líder provedor de pagamentos digitais, isto é, facilitar as trocas comerciais entre os intervenientes das cadeias comerciais”, referiu.

A Paytech pretende ser líder do mercado de pagamentos digitais, razão pela qual vai criar um ecossistema de pagamentos electrónicos com vista a expandir de forma sustentável os seus serviços, de preferência com capital de investidores nacionais.

“Nós estamos a tentar incentivar investidores moçambicanos a investirem na Paytech. Este foi um dos motivos que fez a empresa a seguir à bolsa. Poderíamos muito bem seguir para a banca, mas aí nós não estaríamos a envolver as pessoas”, referiu Edy Barrote.

A 18 de Outubro de 2021, a Paytech foi a primeira fintech moçambicana a ser admitida na Bolsa de Valores de Moçambique. Foram admitidas 100.000 acções ordinárias, nominativas e escriturais, de valor nominal unitário de um Metical, representativas de 100% do capital social.

Para estes jovens empreendedores, apesar dos padrões pouco acessíveis dos pacotes e financeiros no País, o ambiente de negócios em Moçambique é fértil para o surgimento das novas: “O ambiente é fértil para novas PMEs, entretanto, o que temos vivido é que os padrões aplicados no mercado nacional para as novas PMEs acaba excluindo elas e acabamos reparando mais para outros mercados estrangeiros”.

O Relatório da Fintech.mz 2020 elaborado pela Financial Sector Deepening Mozambique (FSDMoc), indica que as fintechs moçambicanas tem actuado na oferta e a demanda de serviços financeiros digitais e em prol da inclusão financeira dos moçambicanos, apesar dos inúmeros constrangimentos que envolvem o ecossistema digital moçambicano.

Em 2020, estavam registadas 39 fintechs, número que espera-se que tenha aumentado, e fruto disso, surgiu a necessidade da criação da Associação das Fintechs de Moçambique, compostas por empresas e profissionais que desenvolvem soluções tecnológicas financeiras, com especial foco para os serviços financeiros digitais. (OE)

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