Produção De Electricidade Cresce 9% No Primeiro Trimestre Com Recuperação De Cahora Bassa E Das Principais Barragens

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  • Melhoria dos níveis de armazenamento de água impulsiona geração hidroeléctrica, reforça exportações e alimenta expectativas de recuperação do sector energético após a crise provocada pela seca.
Questões-Chave:
  • Produção nacional de electricidade cresceu 9% no primeiro trimestre de 2026;
  • Geração atingiu 4.098 GWh até Março;
  • Produção hidroeléctrica aumentou 10,1% face ao mesmo período de 2025;
  • Recuperação dos níveis de água em Cahora Bassa e Corumana impulsionou o desempenho do sector;
  • Exportações de energia cresceram 5,1%;
  • HCB prevê produzir 11.716,76 GWh em 2026;
  • Recuperação sucede a um ano marcado por uma das secas mais severas das últimas décadas.

Depois de um dos períodos mais difíceis da sua história recente, o sector eléctrico moçambicano começa a dar sinais claros de recuperação. A produção nacional de electricidade aumentou 9% no primeiro trimestre de 2026, atingindo 4.098 GWh até Março, impulsionada sobretudo pela recuperação dos níveis de armazenamento de água nas principais barragens do país, com destaque para a Hidroeléctrica de Cahora Bassa (HCB).

Os dados de execução sectorial indicam que a produção registada nos primeiros três meses do ano corresponde a 25,3% da meta definida para 2026, sinalizando uma trajectória de recuperação após os constrangimentos provocados pela seca prolongada que afectou severamente a capacidade hidroeléctrica nacional nos últimos anos.

O desempenho é particularmente relevante porque ocorre após um ano em que a produção nacional de electricidade caiu cerca de 25%, reflectindo os efeitos da crise hidrológica que atingiu a Bacia do Zambeze e outras regiões do país.

Hidroelectricidade Volta A Impulsionar O Sector

A recuperação observada em 2026 está directamente associada ao melhor desempenho das centrais hidroeléctricas.

Segundo os dados sectoriais, a produção proveniente das barragens aumentou 10,1% em relação ao período homólogo do ano passado, alcançando 3.292 GWh no primeiro trimestre. O crescimento foi favorecido pelo aumento das afluências registadas durante a época chuvosa, que permitiu melhorar os níveis de armazenamento de água e reforçar a capacidade operacional das infra-estruturas de geração.

Entre os empreendimentos beneficiados destaca-se a barragem de Corumana, na província de Maputo, que registou melhorias significativas na sua capacidade de operação graças à recuperação dos níveis hídricos. Contudo, o principal contributo continua a vir da Hidroeléctrica de Cahora Bassa, responsável pela maior parcela da produção eléctrica nacional.

Com uma capacidade instalada de 2.075 megawatts, a HCB permanece no centro da segurança energética do país e da região, abastecendo o mercado nacional e exportando energia para vários países da África Austral.

Cahora Bassa Recupera Após Crise Histórica

A evolução dos níveis de armazenamento na albufeira de Cahora Bassa ajuda a explicar a melhoria observada no sector.

Segundo informações divulgadas pela própria empresa, o reservatório atingiu cerca de 56% da sua capacidade em 2026, recuperando dos mínimos históricos registados durante a crise hidrológica recente.

A recuperação representa uma mudança significativa face à situação vivida em 2025.

Nesse ano, a HCB produziu 10.921 GWh, menos 30% do que no período anterior, num contexto marcado pela pior escassez de precipitação registada na região em cerca de quatro décadas. Ainda assim, a empresa conseguiu cumprir os seus compromissos de fornecimento de energia à EDM, à Eskom da África do Sul, à ZESA do Zimbabwe e aos mercados da Southern African Power Pool (SAPP).

Apesar das limitações impostas pela seca, a HCB registou receitas de 344 milhões de dólares e um resultado líquido de 112 milhões de dólares, tendo igualmente contribuído com cerca de 300 milhões de dólares para o Estado moçambicano através de impostos, taxas e dividendos.

Exportações De Energia Voltam A Crescer

A melhoria da produção teve reflexos positivos nas exportações de electricidade.

No primeiro trimestre, as vendas externas cresceram 5,1%, embora o desempenho tenha sido parcialmente condicionado pela redução das transacções da Electricidade de Moçambique com alguns mercados regionais.

Segundo o relatório sectorial, a desaceleração observada em determinadas operações esteve associada à redução das vendas para o Southern African Power Pool e à ausência de compras por parte do Botswana durante o período analisado.

Ainda assim, a recuperação da capacidade produtiva reforça as perspectivas de crescimento das exportações energéticas, um sector cada vez mais relevante para a geração de divisas e para o equilíbrio das contas externas do país.

Investimentos Procuram Reforçar Capacidade Futura

Paralelamente à recuperação operacional, a HCB prossegue com um conjunto de investimentos destinados a reforçar a sua capacidade produtiva e aumentar a fiabilidade do sistema energético nacional.

Entre os projectos em curso destacam-se a reabilitação da Central Sul, a modernização da Subestação Conversora do Songo, o desenvolvimento da Central Norte e a implementação de uma central fotovoltaica, iniciativas que procuram diversificar a matriz energética e reduzir a vulnerabilidade do sistema a choques climáticos futuros.

A aposta na diversificação assume particular importância num contexto em que as alterações climáticas aumentam a frequência e intensidade dos eventos extremos, afectando directamente a disponibilidade hídrica necessária para a produção hidroeléctrica.

Perspectivas Mais Favoráveis Para 2026

As projecções para o restante ano são encorajadoras.

Com a recuperação dos níveis de armazenamento da albufeira e a melhoria das condições hidrológicas, a HCB estima produzir 11.716,76 GWh em 2026, o que representaria um crescimento superior a 7,2% face ao ano anterior.

O desempenho esperado poderá contribuir para reforçar a segurança energética nacional, aumentar a disponibilidade de energia para a economia e consolidar o papel de Moçambique como um dos principais exportadores de electricidade da África Austral.

Mais do que uma recuperação operacional, os números do primeiro trimestre sugerem que o sector energético começa a emergir de um dos períodos mais desafiantes da sua história recente, beneficiando de melhores condições hidrológicas, investimentos em modernização e uma gestão cada vez mais prudente dos recursos hídricos estratégicos do país.